Pesa sobre a nota de crédito das empresas a forte alavancagem (relação entre dívida e Ebtida) das usinas
A agência de classificação de riscos Fitch Ratings avaliou, recentemente, por meio de relatório analítico, a situação financeira de três importantes grupos do setor: Tonon Bioenergia, Biosev e Usina São João (USJ).
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A agência de classificação de riscos Fitch Ratings avaliou, recentemente, por meio de relatório analítico, a situação financeira de três importantes grupos do setor: Tonon Bioenergia, Biosev e Usina São João (USJ).
Embora tenham notas de crédito diferentes, as três empresas mantém um série de características em comum. As três estão com o rating em observação negativa, e nenhuma das usinas conseguiu atingir o nível de investment grade ou grau de investimento. Isso quer dizer que, por melhor que seja o perfil financeiro destas companhias, todas estão num nível de rating que é considerado pelo mercado como “especulativo”.
Segundo a agência de classificação de riscos, a observação negativa das três reflete o já conhecido “risco sistêmico do setor”, evidenciado pela inadimplência de empresas como a Aralco e o grupo Virgolino de Oliveira S.A. Açúcar e Álcool (GVO), que considera uma reestruturação de sua dívida.
Também pesa sobre a nota de crédito das empresas a forte alavancagem (relação entre dívida e Ebtida) das usinas, resultado de investimentos feitos em expansão da capacidade de moagem, melhora da produtividade dos canaviais e obrigações financeiras com terras arrendas.
Investimentos pressionam fluxo de caixa livre das usinas
Segundo a Fitch, o fluxo de caixa livre (FCF, na sigla em inglês) das três usinas permanecerá negativo nos próximos anos. Para a Tonon, a previsão é de um FCF negativo até 2016. De julho até o final da safra 2015/16, os investimentos do grupo deverão alcançar R$ 530 milhões, e serão direcionados principalmente à expansão da capacidade da usina Vista Alegre, de 2,5 para 3,7 milhões de toneladas.

Contudo, a agência alerta que este investimento deve ser revisado para baixo, “na medida em que os preços internacionais do açúcar continuem pressionados”. Nos últimos doze meses, encerrados em julho deste ano, o FCF da Tonon ficou negativo em R$ 199 milhões.
Situação semelhante vive a Biosev, que também terá de lidar com um fluxo de caixa livre negativo até 2016. Segundo a Fitch, a cifra deverá chegar a R$ 596 milhões, a maior entre as três usinas.
Para a USJ, o FCF será negativo até 2018, a menos que os preços internacionais do açúcar fiquem acima das premissas da agência, que é de 0,18 centavos de dólar por libra-peso. Caso isso aconteça, “o FCF poderá se tornar positivo antes do esperado”, informa.

Alavancagem
A maior alavancagem é da USJ, de 5,2 vezes. Apesar disso, a relação entre a dívida e o Ebtida é atenuada pela forte posição de liquidez e pelo perfil da dívida do grupo.
Na avaliação da Fitch, “a posição de liquidez da USJ, de R$ 230 milhões, está adequada para a cobertura da dívida de curto prazo, de R$ 128 milhões, em 1,8 vez”.
Já a Biosev “manterá níveis moderados de alavancagem ajustada pelas obrigações de terras arrendadas entre 3,5 vezes e 4,5 vezes nos próximos três anos”, informa a agência.
A capacidade de desalavancagem da empresa dependerá de sua “habilidade” em melhorar sua produtividade agrícola, reduzir capacidade ociosa e diluir custos fixos, informou a agência.
A avaliação da Fitch Ratings não incorpora os resultados consolidados do segundo trimestre da safra 2014/15. Neste período, a alavancagem da Bisev subiu de 3,2 para 4 vezes, ficando, portanto, dentro da estimativa da agência.
No médio prazo, a Tonon Bioenergia terá que levar sua alavancagem líquida a “patamares adequados”, abaixo de 3 vezes, incluindo a Paraíso Bioenergia.
O índice caiu levemente de 4, em março de 2013, para 3,9 vezes em junho de 2014.
“Os resultados da companhia dependerão, em última instância, de sua capacidade de concluir os investimentos necessários e aumentar sua utilização de capacidade a tempo, a fim de evitar pressões sobre sua estrutura de capital”, analisa a Fitch.
Liquidez
No quesito liquidez, a Biosev foi a que teve a pior avaliação. No entanto, embora considerada “fraca” pela agência de classificação de riscos, a capacidade da Biosev em converter seus ativos em caixa “deve melhorar no curto prazo”.
Já a Tonon Bioenergia melhorou sua liquidez com uma recente emissão em U$230 milhões em notas com garantia e vencimento em 2024. Segundo informa a Fitch, os recursos foram usados para pagar antecipadamente sua dívida corrente com garantias.
Leonardo Siqueira – NovaCana

