NovaCana

[Ranking] As sucroenergéticas com as maiores capacidades de armazenamento de etanol

A usina da Barra, da Raízen, possui os maiores tanques, com 251,8 milhões de litros; a usina São Martinho é a segunda, com 226,67 milhões

NovaCana 10 min de leitura

Atualização (16/07, às 13h): O NovaCana errou a posição e a capacidade de estocagem de etanol de algumas usinas presentes nos rankings. O texto e os gráficos abaixo foram alterados com as informações corrigidas.

Considerada um elemento estratégico, a capacidade de estocagem de etanol pelas usinas se tornou ainda mais importante no atual cenário de retração da demanda – e dos preços. Com menos pessoas circulando na rua devido às medidas de isolamento social, o consumo de combustíveis do Ciclo Otto sofreu quedas consideráveis e a recuperação deve ser lenta. Em abril deste ano, a demanda por etanol caiu 30% na comparação anual e a posição dos estoques do renovável aumentou 87,3% em 1º de junho.

Os números refletem não apenas a baixa demanda, mas também uma estratégia de carrego. Ou seja, em um momento de preços baixos, algumas usinas preferem manter o etanol em seus tanques por um período maior do que o habitual enquanto aguardam remunerações mais vantajosas.

Conforme dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), referentes a dezembro de 2019, 358 usinas atualmente em operação possuem registros de capacidade de armazenamento de etanol hidratado, anidro e um pequeno espaço para os chamados outros álcoois, totalizando 17,30 bilhões de litros.

Especificamente, 11,96 bilhões são de hidratado, 5,28 bilhões, de anidro, e 64,69 milhões de litros de outros tipos de álcool, como os para uso químico e industrial.

Entre janeiro e dezembro de 2019, o volume disponível aumentou em 56,39 milhões, indicando que algumas usinas ampliaram sua capacidade de armazenagem. Entre elas estão as unidades Sebastianópolis e Potirendaba, da Cofco; Severínia, da Tereos; e Panorama, da Vale do Verdão.

Além disso, conforme os dados mais recentes, 11 unidades não possuem tanques destinados a etanol hidratado e outras 187 não os tem para o anidro.

O grupo com maior capacidade de estocagem, considerando o agregado entre anidro e hidratado, é a Raízen Energia, que pode armazenar até 1,7 bilhão de litros em 24 usinas. As únicas unidades do grupo que não registraram capacidade de armazenamento de etanol foram a Tamoio – parada desde 2017 – e a São Francisco, que produz apenas açúcar.

Confira, na versão completa:

- Os grupos e as usinas com maiores capacidades de armazenamento
- Rankings por tipo de etanol

Além disso, para os dados de capacidade de tancagem das usinas e grupos brasileiros, acesse o NovaCana DATA (exclusivo para assinantes).

Atualização (16/07, às 13h): O NovaCana errou a posição e a capacidade de estocagem de etanol de algumas usinas presentes nos rankings. O texto e os gráficos abaixo foram alterados com as informações corrigidas.

Considerada um elemento estratégico, a capacidade de estocagem de etanol pelas usinas se tornou ainda mais importante no atual cenário de retração da demanda – e dos preços. Com menos pessoas circulando na rua devido às medidas de isolamento social, o consumo de combustíveis do Ciclo Otto sofreu quedas consideráveis e a recuperação deve ser lenta. Em abril deste ano, a demanda por etanol caiu 30% na comparação anual e a posição dos estoques do renovável aumentou 87,3% em 1º de junho.

Os números refletem não apenas a baixa demanda, mas também uma estratégia de carrego. Ou seja, em um momento de preços baixos, algumas usinas preferem manter o etanol em seus tanques por um período maior do que o habitual enquanto aguardam remunerações mais vantajosas.

Conforme dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), referentes a dezembro de 2019, 358 usinas atualmente em operação possuem registros de capacidade de armazenamento de etanol hidratado, anidro e um pequeno espaço para os chamados outros álcoois, totalizando 17,30 bilhões de litros.

Especificamente, 11,96 bilhões são de hidratado, 5,28 bilhões, de anidro, e 64,69 milhões de litros de outros tipos de álcool, como os para uso químico e industrial.

Entre janeiro e dezembro de 2019, o volume disponível aumentou em 56,39 milhões, indicando que algumas usinas ampliaram sua capacidade de armazenagem. Entre elas estão as unidades Sebastianópolis e Potirendaba, da Cofco; Severínia, da Tereos Açúcar e Energia; e Panorama, da Vale do Verdão.

Além disso, conforme os dados mais recentes, 11 unidades não possuem tanques destinados a etanol hidratado e outras 187 não os tem para o anidro.

Campeãs em tancagem

De acordo com os dados de dezembro de 2019, o grupo com maior capacidade de estocagem, considerando o agregado entre anidro e hidratado, é a Raízen Energia, que pode armazenar até 1,7 bilhão de litros em 24 usinas. As únicas unidades do grupo que não registraram capacidade de armazenamento de etanol foram a Tamoio – parada desde 2017 – e a São Francisco, que produz apenas açúcar.

Em segundo lugar no ranking de grupos está a Atvos (antiga Odebrecht Agroindustrial), que pode acumular 904,72 milhões de litros em oito unidades. Neste caso, ficou de fora apenas a usina Alcídia, que não operou na última safra.

Por sua vez, um volume de 691,67 milhões de litros pode ser guardado pelo São Martinho. Todas as quatro usinas do grupo registraram a presença de tanques para armazenamento do biocombustível.

Na sequência, o ranking é composto pelos grupos BP Bunge, Biosev e Tereos. Eles são capazes de estocar, respectivamente, 682,85 milhões, 661,52 milhões e 467,69 milhões de litros.

tancagem ranking 25 total grupos jun20

Considerando o volume por usina, ainda somando anidro e hidratado, a que tem a maior capacidade de estocagem no Brasil é a da Barra, do grupo Raízen Energia. Localizada em Barra Bonita (SP), ela podendo armazenar até 251,83 milhões de litros.

Em seguida está a usina São Martinho, do grupo de mesmo nome, que pode guardar até 226,67 milhões de litros. Já a terceira colocação no ranking de capacidade de armazenamento é da Colorado, pertencente ao grupo homônimo, com capacidade para armazenar 220,75 milhões de litros. Um pouco atrás está a Boa Vista, também do grupo São Martinho, podendo estocar até 219 milhões de litros de etanol.

No total, 43 unidades conseguem armazenar 100 milhões de litros de etanol ou mais.

tancagem ranking 50 total usinas jun20 V4

Para os dados completos de capacidade de tancagem das usinas e grupos brasileiros, acesse o NovaCana DATA (exclusivo para assinantes).

Etanol hidratado x anidro

Analisando as capacidades por tipo de etanol, os rankings acabam sendo bem diferentes entre si, indicando distinções nas estratégias adotadas pelas companhias. Dentre as 20 usinas com as maiores tancagens, apenas a Colorado está em posições similares em ambos, sendo a décima no ranking de hidratado e a quinta no de anidro.

Além disso, as sete usinas que têm os tanques com as maiores capacidades para etanol hidratado não registraram qualquer volume de anidro – entre as dez primeiras, apenas duas armazenam o etanol usado na mistura com a gasolina.

O contrário, entretanto, não é verdadeiro: das dez usinas com as maiores armazenagens de anidro, apenas duas não estocam hidratado.

Bem posicionada no ranking geral, a usina São Martinho, localizada em Pradópolis (SP), possui a maior capacidade de estocagem do país dedicada ao etanol hidratado: 226,67 milhões de litros.

Outra usina do grupo, a Boa Vista – localizada em Quirinópolis (GO) –, é a segunda no ranking, podendo armazenar 219 milhões de litros de hidratado.

tancagem ranking 50 etanol hidratado jun20 V4

Na sequência, a usina CerradinhoBio, do grupo Cerradinho Bioenergia, tem capacidade de estocagem de 200 milhões de litros de hidratado. Ela é a maior usina em capacidade de produção de etanol hidratado autorizada pela ANP, podendo fabricar até 2,8 milhões de litros diários do biocombustível.

Estas são as únicas três unidades do país que conseguem manter volumes acima de 200 milhões de litros do produto.

Seguindo no ranking, as usinas Centro-Oeste e Iracema, dos grupos Raízen Energia e São Martinho, podem manter em seus tanques até 141,94 milhões e 135 milhões de litros, respectivamente.

Ao todo, 13 unidades têm espaço para volumes entre 100 e 150 milhões de litros de hidratado.

Em relação ao etanol anidro, 175 unidades possuem tanques destinados para este biocombustível. Dentre elas, a São João, do grupo USJ, localizada em Araras (SP), tem a maior capacidade: 171 milhões de litros.

tancagem ranking 50 etanol anidro jun20 V4

As segunda e terceira maiores capacidades são de unidades do grupo Raízen: as usinas da Barra e Gasa podem armazenar, respectivamente, até 140,26 milhões e 126,16 milhões de litros. A primeira, localizada em Barra Bonita (SP), é a com maior capacidade de produção autorizada pela ANP, 1,71 milhão de litros diários de anidro.

Já a unidade Ipê, do grupo Pedra Agroindustrial, pode armazenar 102 milhões de litros de anidro. Na sequência, a Colorado tem capacidade para 100 milhões.

Todas as demais unidades armazenam quantias inferiores a 95 milhões de litros do biocombustível.

Carrego: estratégia que não é para todos

O espaço de armazenagem que as usinas detêm foi alvo de estudo do Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas (Pecege), que analisou o quanto de biocombustível elas poderiam estocar adotando a estratégia de carrego, com o objetivo de vender o produto posteriormente a preços melhores.

O economista Haroldo Torres, que atua como gestor de projetos do programa, relata que o Pecege fez uma simulação do quanto o consumo por etanol teria que cair, mês a mês, para atingir o teto da capacidade de tancagem brasileira durante a temporada 2020/21.

“Concluímos que, de abril até o fim da safra, o consumo teria que cair quase 51,6% em relação à passada, agregado anidro e hidratado. Os dados recentes da ANP mostram que essa queda foi de 33%”, afirma Torres durante evento online promovido pela Canaplan em 6 de junho. “Não atingimos, no pior momento – em abril, que foi o auge da quarentena e da crise –, esse limite de queda que teríamos que ter para comprometer, daí para frente, sistematicamente, os níveis de estoques”, completa.

Com isso, conforme o estudo, o setor não enfrenta problemas na capacidade de armazenagem. “Pelo contrário, quando comparamos o nosso setor com outros segmentos do agronegócio, o sucroenergético tem capacidade de tancagem relativamente grande, senão uma das maiores do agronegócio brasileiro”, pontua.

A grande questão do setor seria o capital de giro, já que estocar o biocombustível não gera caixa para as usinas. “É o etanol que gera liquidez diária para as usinas, justamente pela sua característica de ser um ativo de maior liquidez comparativamente ao açúcar”, observa o economista.

Este problema é mais impactante para as destilarias autônomas, que não produzem açúcar e não possuem a estrutura financeira de um grande grupo. “São essas empresas que hoje estão na UTI e mais precisam dessas linhas de financiamento para estocagem”, completa.

De acordo com Torres, que analisou os dados da primeira quinzena de maio, dentre todas as usinas em operação, 40 fabricaram exclusivamente etanol. Destas, quatro utilizaram o milho como matéria-prima.

A fala é anterior ao anúncio de uma linha de crédito para o setor, feito pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em 4 de junho. No valor de R$ 3 bilhões, o montante ficou aquém das necessidades do setor, estimadas pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) em R$ 9 bilhões.

“Neste momento, não basta ter preço com uma demanda deprimida. É importante ter visão para essa linha de financiamento, para que ela não vire um modelo de seleção adversa, chegue tarde demais e beneficie quem não vai precisar”, expressa Torres.

Pelos cálculos do BNDES, o valor poderá garantir a estocagem de até 6 bilhões de litros de etanol, ou cerca de 20% da produção nacional. Este é o mesmo volume apresentado pela Unica, que solicitava o triplo de crédito.

NovaCana DATA

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana

Compartilhar: