Financeiro

BNDES aprova linha de crédito de R$ 3 bilhões para estocagem de etanol

Valor deve ser direcionado para o armazenamento de até 6 bilhões de litros do biocombustível


novaCana.com - 04 jun 2020 - 16:31 - Última atualização em: 05 jun 2020 - 10:23

Enquanto a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) pleiteia uma linha de crédito de R$ 9 bilhões para o setor de etanol – valor repetido em projeto de lei do deputado Geninho Zuliani (DEM-SP) –, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) acabou aprovando uma opção que representa um terço deste valor: R$ 3 bilhões.

Segundo reportagem do Valor Econômico, o banco deve disponibilizar metade do valor, ou seja, R$ 1,5 bilhão, e o restante virá de outras instituições financeiras. A linha, aliás, foi criada em conjunto com um sindicato de bancos coordenado pelo Banco do Brasil.

“A ação conjunta com bancos comerciais pode elevar o apoio ao setor a mais de R$ 3 bilhões”, afirmou, em nota, o BNDES, acrescentando que, em cada financiamento, “os bancos comerciais terão de oferecer pelo menos o mesmo valor” da instituição de fomento.

Pelos cálculos do BNDES, o montante poderá garantir a estocagem de até 6 bilhões de litros de etanol, ou cerca de 20% da produção nacional. Este é o mesmo volume apresentado pela Unica, que solicitava o triplo de crédito.

Conforme as fontes consultadas pelo Valor, o objetivo é que os recursos garantam capital de giro para as usinas no momento inicial da safra, quando ele é considerado mais necessário.

Oficialmente, a temporada 2020/21 começou em 1º de abril, de modo que a maior oferta de etanol coincidiu com o período em que houve uma queda na demanda por combustíveis por conta das medidas de isolamento social decorrentes da pandemia de coronavírus.

Além disso, o governo teria a expectativa de que os financiamentos superem os R$ 3 bilhões aprovados, com alguns dos bancos oferecendo mais crédito por conta própria e sem participação do BNDES.

Condições

Ainda de acordo com a reportagem, serão aceitos projetos com valores entre R$ 10 milhões e R$ 200 milhões vindos de empresas com faturamento anual mínimo de R$ 300 milhões. Fontes do mercado ouvidas pelo Valor, no entanto, avaliam que as empresas que mais precisam de apoio podem acabar tendo dificuldade de aprovar os empréstimos.

O BNDES deve financiar até metade de cada operação, sendo que todas terão carência de um ano e prazo de pagamento de dois anos. Por sua vez, a garantia dos financiamentos será o próprio estoque de etanol da usina, em volume equivalente a 150% da quantidade financiada.

Além disso, os juros serão calculados pela taxa de longo prazo (TLP), acrescida de 1,5% e de um spread de risco que dependerá da classificação de crédito da empresa beneficiária.

A taxa adicional à TLP, entretanto, pode cair para 1,1% caso a usina garanta a manutenção de pelo menos 90% de seu quadro de funcionários por dois meses ou se, em caso de demissões, realizar acordos coletivos com o sindicato dos trabalhadores.

“Como incentivo à preservação dos empregos, as companhias apoiadas não poderão reduzir seu quadro permanente de pessoal durante dois meses. Além disso, as que mantiverem ou aumentarem os postos de trabalho nos próximos 12 meses terão um custo mais barato”, disse o BNDES, sem detalhar.

novaCana.com
Com informações do Valor Econômico e da Reuters

Acompanhe as notícias do setor

Assine nosso boletim

account_box
mail