Em análise envolvendo oito indicadores globais, São Martinho desbanca Copersucar e passa a ocupar a primeira posição entre os destaques
O cenário econômico brasileiro já viu dias melhores. Como era de se esperar, as consequências da crise se refletem nos setores produtivos, o que inclui a indústria da cana-de-açúcar, que já vinha observando quedas em seus resultados nos últimos anos.
Em um cenário de preços inconstantes, as companhias do setor sucroenergético precisam ser flexíveis e empregar seus recursos de forma inteligente. As que conseguem, mesmo em um cenário pessimista, destacam-se, conforme demonstra a análise de desempenho. Para a classificação foram medidos desempenho das empresas em oito indicadores financeiros. Os critérios utilizados na avaliação possuem a chancela da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo e da Serasa Experian.
Na categoria açúcar e álcool, o ranking elenca as dez empresas do setor que tiveram os melhores resultados consolidados de 2017. O destaque do ano ficou por conta da São Martinho que, com suas quatro usinas, não estava nem entre as dez melhores no ano anterior. O grupo desbancou a Copersucar, trading que ocupava a primeira posição em 2016.
Além do ranking geral de excelência, conheça também as 10 companhias com os melhores resultados em cada um dos oito critérios avaliados:
- Receita líquida (total vendido em milhões de reais)
- Margem Ebitda (Ebitda sobre receita líquida)
- Rentabilidade (lucro líquido sobre patrimônio líquido)
- Crescimento sustentável (variação da receita líquida sobre patrimônio ajustado)
- Margem da atividade (lucro sobre a receita líquida)
- Liquidez corrente (ativo circulante sobre passivo circulante)
- Giro do ativo (receita líquida sobre ativo total)
- Cobertura de juros (Ebitda sobre despesas financeiras)
O cenário econômico brasileiro já viu dias melhores. Como era de se esperar, as consequências da crise se refletem nos setores produtivos, o que inclui a indústria da cana-de-açúcar, que já vinha observando quedas em seus resultados nos últimos anos.
Em um cenário de preços inconstantes, as companhias do setor sucroenergético precisam ser flexíveis e empregar seus recursos de forma inteligente. As que conseguem, mesmo em um cenário pessimista, destacam-se, conforme demonstra a análise de desempenho realizada anualmente pelo especial Valor 1000, do Valor Econômico.
Na categoria açúcar e álcool, o ranking elenca as dez empresas do setor que tiveram os melhores resultados consolidados de 2017. São oito critérios avaliados, com diferentes pesos, e que configuram uma nota final. O destaque do ano ficou por conta da São Martinho que, com suas quatro usinas, não estava nem entre as dez melhores do ano anterior.
O grupo teve a segunda maior margem Ebitda dentre as empresas (49,5%), ficando atrás apenas da Jalles Machado (67,6%), que aparece em sexto lugar no ranking geral. Além disso, a São Martinho também tem a maior margem de atividade (23,1%), que indica o lucro sobre a receita líquida da empresa.
Com a sexta maior receita dentre as mais bem colocadas no ranking, R$ 3,4 bilhões, a companhia bateu um recorde histórico. Em entrevista ao Valor 1000, o presidente da São Martinho, Fábio Venturelli, afirmou que a possibilidade de flexibilizar a produção e a decisão pelo etanol, tomada em 2016, mostraram-se acertadas, especialmente com o aumento da competitividade do biocombustível. Ele ainda apontou que a grande capacidade de estocagem das usinas também se demonstrou estratégica em um momento de crise.

Com estes bons resultados, o grupo se destacou e desbancou a Copersucar, que estava na primeira posição no ano anterior, e teve a maior receita líquida do ano, R$ 28,5 bilhões, número um pouco menor do que em 2016. O valor é 165,7% superior ao obtido pela segunda colocada no mesmo critério, a Tereos Internacional (R$ 10,74 bilhões), que, por só ter apresentado esse indicador, não aparece no ranking das dez melhores.
A Copersucar também ficou na primeira posição no ranking de giro do ativo, que leva em consideração a receita líquida sobre o ativo total. Com 3,46 pontos, o resultado da trading foi 230,2% maior que o da Usina Bazan, segunda colocada, com 1,05 pontos.
Em nono lugar entre as dez maiores, a Bazan, que controla apenas duas usinas, entrou na lista pelos bons resultados em crescimento sustentável, rentabilidade, liquidez corrente e giro do ativo.
Boa gestão rende mais do que tamanho
Observando o ranking, é possível constatar que não é necessariamente o número de usinas que determina os bons resultados de um grupo. A média de unidades dentre as companhias de destaque é sete – elevada graças à presença da Biosev, com 12 usinas, da Bunge, com oito, e da Copersucar, que não é um grupo, mas uma trading que comercializa a produção de 35 usinas.
Do outro lado, estão os grupos Maringá e Coprodia, com apenas uma unidade, a Jalles Machado, a Usina Batatais e a Usina Bazan, com duas, e a Adecoagro, com três.
A Coprodia também se destaca na lista por ter bons resultados em vários dos critérios utilizados, como rentabilidade, margem de atividade, liquidez corrente, giro do ativo e cobertura de juros. Dessa forma, a companhia obteve a terceira melhor nota no ranking geral.
O grupo Maringá e a Usina Batatais, quinto e oitavo lugares respectivamente, também demonstraram bons resultados em cinco critérios. Ambas as companhias aparecem com desempenho favorável em crescimento sustentável, rentabilidade, margem de atividade e cobertura de juros.
Por fim, a Biosev fecha o ranking e se sobressai por ter a terceira maior receita líquida entre as dez maiores, com R$ 7,1 bilhões, e o oitavo melhor giro do ativo. Em comparação ao ano anterior, esses índices melhoraram, aumentando a nota da companhia.
Raízen
Em meio a tantos bons resultados e grandes empresas, o esperado é que a Raízen, maior sucroenergética do país e controladora de 26 usinas, estivesse entre as dez melhores. Porém, todas as companhias do grupo foram agrupadas e classificadas dentro do setor de petróleo e gás, já que elas incluem a atuação no setor de distribuição de combustíveis. Com isso, a companhia ficou de fora do ranking das empresas do setor sucroenergético.
Com uma receita líquida de R$ 86,3 bilhões, o Grupo Raízen ocupa o nono lugar dentre as empresas de petróleo e gás, com 22,5 pontos. Um resultado equivalente tampouco colocaria a Raízen entre as dez maiores companhias do setor de açúcar e etanol, já que a Biosev, que está em 10º lugar, teve nota 23.
NovaCana DATA
Rafaella Coury – NovaCana