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Raízen reduz prejuízo para R$ 1,64 bilhão no 1º trimestre da safra 2026/27

No segmento de etanol, açúcar e energia, o Ebitda ajustado da Raízen teve uma retração de 63,1% na comparação anual, para R$ 300,8 milhões

Reuters 5 min de leitura

A Raízen reduziu em 11% seu prejuízo líquido no primeiro trimestre da safra 2026/27 (abril a junho) para R$ 1,64 bilhão, apoiada por uma expansão do resultado operacional e por um aumento da receita, de acordo com resultados divulgados nesta quinta-feira, 13.

A receita líquida avançou 4% na comparação anual, para R$ 51,46 bilhões, enquanto o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado mais do que dobrou, alcançando R$ 3,85 bilhões.

“Iniciamos a safra 2026/27 avançando na execução das medidas estruturantes do plano de transformação operacional e financeiro da Raízen”, afirma a mensagem da administração que acompanha os resultados.

O texto segue: “Embora o ambiente siga marcado pela volatilidade dos mercados, em um contexto de desafios climáticos, econômicos e geopolíticos, permanecemos concentrados naquilo que está sob nosso controle: fortalecer nossas operações, capturar ganhos de eficiência e preservar o capital da companhia”.

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Apesar da melhora operacional, o resultado líquido da empresa em recuperação extrajudicial continuou pressionado pelo resultado financeiro, que ficou negativo em R$ 2,97 bilhões, aumento de 42,4% no comparativo anual.

A Raízen informou ainda que os investimentos totalizaram R$ 1,05 bilhão entre abril e junho, queda de 32,6% em relação ao mesmo período de 2025.

O desempenho operacional da Raízen foi impulsionado pelo setor de distribuição de combustíveis no Brasil, cujo volume de vendas cresceu 6,6% na comparação anual, para 7,18 bilhões de litros.

O avanço foi liderado pelos combustíveis do ciclo Otto (gasolina e etanol), com alta de 8%, para 3,11 bilhões de litros, enquanto as vendas de diesel aumentaram 6,5%, para 3,65 bilhões de litros. Em relação ao trimestre imediatamente anterior, o volume total comercializado subiu 2,5%.

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A melhora de volumes veio acompanhada de uma forte expansão da rentabilidade da divisão. O Ebitda ajustado da distribuição de combustíveis saltou para R$ 3,54 bilhões, ante R$ 959 milhões um ano antes.

Resultados das usinas e do campo

No segmento de etanol, açúcar e energia, por sua vez, o Ebitda ajustado teve uma retração de 63,1% na comparação anual, para R$ 300,8 milhões.

Especificamente, a receita líquida das operações sucroenergéticas caiu 33%, para R$ 8,18 bilhões, enquanto os custos recuaram 30,1%, indo a R$ 8,42 bilhões. Com isso, a companhia teve um prejuízo já em seu resultado bruto, com perdas de R$ 242,5 milhões.

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“O desempenho inferior refletiu a menor contribuição dos preços realizados de açúcar, etanol e bioenergia e dos volumes comercializados, em função da redução do portfólio de usinas decorrente dos desinvestimentos realizados”, afirma a Raízen, em relatório.

Ainda segundo a companhia, esses efeitos foram parcialmente compensados pela redução dos custos unitários, “impulsionada pelo menor custo da matéria-prima indexada ao Consecana e pela captura de ganhos de eficiência provenientes das iniciativas de transformação do negócio e otimização da estrutura operacional”.

A Raízen registrou queda na moagem de cana-de-açúcar e na produção de açúcar no primeiro trimestre da safra 2026/27, alegando impacto de chuvas do El Niño na colheita. A companhia ainda relata que aumentou o direcionamento da matéria-prima para a produção de etanol, com preços mais vantajosos.

A empresa moeu 19,7 milhões de toneladas de cana no período, volume 2% menor que as 20,1 milhões de toneladas processadas um ano antes, considerando a comparação com o atual portfólio de 24 usinas.

A produtividade agrícola recuou 3,2%, para 9 toneladas de açúcar total recuperável (ATR) por hectare, enquanto o teor de ATR caiu 2,9%, para 118,4 quilos por tonelada de cana.

Com menor disponibilidade de açúcar por tonelada de cana e um direcionamento maior de cana para etanol, a produção de açúcar da companhia somou 1,03 milhão de toneladas, queda de 13,6% em relação ao mesmo período da safra anterior.

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O mix de produção passou para 46% açúcar e 54% etanol, ante 51% açúcar e 49% etanol um ano antes.

Por outro lado, a produção de etanol de primeira geração cresceu 9,4%, para 737 milhões de litros, beneficiada pela mudança do mix industrial. Já a produção de etanol de segunda geração (E2G) permaneceu estável em 22,8 milhões de litros.

“Continuamos operando em um cenário impactado pelas condições climáticas e por uma conjuntura menos favorável de preços de commodities”, aponta a mensagem da administração.

A companhia acrescenta: “Seguimos avançando na transformação do negócio, capturando ganhos de eficiência agroindustrial, promovendo reduções estruturais de custos e fortalecendo a disciplina na gestão dos recursos. Essas iniciativas contribuem para aumentar a competitividade e a resiliência de nossas operações ao longo dos ciclos futuros”.

Endividamento

A Raízen, que teve seu plano de recuperação extrajudicial homologado em 31 de julho, havia encerrado o primeiro trimestre da safra com uma dívida líquida de R$ 56,87 bilhões. Segundo a empresa, o valor está 15,5% acima do visto um ano antes, mas 2,3% abaixo da posição ao final do ciclo 2025/26.

Com isso, a alavancagem – medida pela relação entre a dívida líquida e o Ebitda ajustado – ficou em 4,8 vezes no trimestre, ante 4,5 vezes há um ano e 5,2 vezes três meses antes.

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Roberto Samora
Com informações adicionais NovaCana

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