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Para Rabobank, a esperança do mercado de açúcar e etanol foi “postergada”

Em um cenário praticamente estável em relação a 2019, banco destaca primeiro ano do programa RenovaBio e recuperação nos preços internacionais do açúcar

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Preços firmes para o petróleo, câmbio relativamente fraco e preço internacional do açúcar apoiado pela visão de um mercado em transição, entre um excedente em 2018/19 e o déficit previsto até 2020/21. Ao olhar para as expectativas em relação ao ano passado, os analistas do banco holandês Rabobank não estão exatamente animados. “A tão esperada virada do mercado ainda não chegou e as esperanças foram postergadas. Mas, na verdade, há pelo menos um elemento novo no quadro: o RenovaBio entra em vigor em 2020”, apontam em relatório.

De acordo com o documento, o banco acredita que o programa deve criar uma receita adicional para os produtores ao longo do ano. Porém, ressalva que o valor ainda é incerto e está vinculado à conclusão do processo de certificação das unidades junto à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A posição é reforçada pelo estrategista do setor de açúcar e etanol do Rabobank, Andy Duff. Em podcast lançado pela própria instituição, ele afirma que há muitas indefinições em relação ao programa. Ainda assim, ele dá como certa a geração de créditos de descarbonização (CBios) por parte das usinas e sua compra pelas distribuidoras.

“Acho que a pergunta de um bilhão de dólares é qual vai ser o valor do CBio e qual será a receita adicional que sua venda vai trazer para o produtor de etanol”, afirma e pontua: “Isso, até agora, continua sem definição. Vai trazer um adicional, mas definir de quanto ele será é muito difícil. Provavelmente, não vai ser um valor que vai mudar o mundo para as empresas, mas qualquer receita adicional, obviamente, é bem-vinda”.

No texto completo, saiba quais são as perspectivas do banco para as safras brasileiras de cana-de-açúcar e milho, o preço do açúcar, a competitividade do etanol – para as usinas e para os consumidores –, o preço internacional do petróleo, as possíveis mudanças no mercado nacional de combustíveis e o impacto do etanol de milho.

Preços firmes para o petróleo, câmbio relativamente fraco e preço internacional do açúcar apoiado pela visão de um mercado em transição, entre um excedente em 2018/19 e o déficit previsto até 2020/21. Ao olhar para as expectativas em relação ao ano passado, os analistas do banco holandês Rabobank não estão exatamente animados. “A tão esperada virada do mercado ainda não chegou e as esperanças foram postergadas. Mas, na verdade, há pelo menos um elemento novo no quadro: o RenovaBio entra em vigor em 2020”, apontam em relatório.

De acordo com o documento, o banco acredita que o programa deve criar uma receita adicional para os produtores ao longo do ano. Porém, ressalva que o valor ainda é incerto e está vinculado à conclusão do processo de certificação das unidades junto à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A posição é reforçada pelo estrategista do setor de açúcar e etanol do Rabobank, Andy Duff. Em podcast lançado pela própria instituição, ele afirma que há muitas indefinições em relação ao programa. Ainda assim, ele dá como certa a geração de créditos de descarbonização (CBios) por parte das usinas e sua compra pelas distribuidoras.

“Acho que a pergunta de um bilhão de dólares é qual vai ser o valor do CBio e qual será a receita adicional que sua venda vai trazer para o produtor de etanol”, afirma e pontua: “Isso, até agora, continua sem definição. Vai trazer um adicional, mas definir de quanto ele será é muito difícil. Provavelmente, não vai ser um valor que vai mudar o mundo para as empresas, mas qualquer receita adicional, obviamente, é bem-vinda”.

Safra brasileira em questão

No campo, o Rabobank não espera que a moagem da safra 2020/21 seja muito diferente da atual temporada, com uma projeção entre 580 milhões e 590 milhões de toneladas. Até a segunda quinzena de fevereiro, de acordo com a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), a moagem de 2019/20 chegou a 579,9 milhões de toneladas.

“A redução na área de cana em algumas regiões é fato, mas, em compensação, há mais canavial sendo disponibilizado para colheita devido ao encolhimento da área de mudas associado ao plantio via meiosi”, observa em relatório.

Andy Duff reforça que o setor ainda está na entressafra. É neste período que as usinas desenvolvem suas estratégias de comercialização para a temporada, determinando a parcela da matéria-prima que será destinada para cada produto.

Ele acredita que os preços do açúcar em Nova York e o câmbio “relativamente fraco” para o real faz com que as projeções para 2020 e 2021 tragam projeções “bem interessantes” para a fixação de preços do açúcar. Esta perspectiva, aliás, é bastante semelhante à do Itaú BBA, que já fala em preços pressionados para 2022/23.

“Acho que a possibilidade de os preços subirem poderia engatilhar uma discussão no setor. As usinas podem, basicamente, mudar a chave e planejar produzir um pouco mais de açúcar e um pouco menos de etanol do que foi o caso na safra passada”, afirma Duff.

Atenção ao preço do açúcar

A expectativa do banco, a princípio, é de uma “recuperação leve” nos preços internacionais do açúcar ao longo do ano. “O quadro fundamental parece promissor”, assegura o relatório.

Andy Duff, por sua vez, argumenta que as perspectivas para o mercado internacional de açúcar “estão melhorando”. Ele exemplifica citando o dia 10 de janeiro, quando os futuros de Nova York bateram 14 centavos por libra-peso, depois de passar mais ou menos dois anos abaixo deste nível. “Em julho do ano passado, esse mesmo contrato de futuros para março de 2020 estava em 11,6 centavos por libra-peso. É um aumento de preço na ordem de 20%”, observa.

Conforme relatório, o Rabobank acredita em um déficit entre a produção e o consumo globais de quase 7 milhões de toneladas na temporada 2019/20 (outubro a setembro). Porém, o banco pondera que os estoques globais ainda estão muito elevados, de modo que a relação deles com o consumo deve ficar em linha com a média de longo prazo.

“Estima-se que as exportações indianas fiquem viáveis com o preço Nova York ao redor dos 13 centavos de dólar por libra-peso. Então, se o mundo precisar de mais açúcar do que a Índia pode disponibilizar em 2020, o preço teria que ser o suficiente para convencer as usinas brasileiras a trocarem etanol para açúcar”, aponta.

Assim, com a possibilidade de melhores preços no açúcar, o direcionamento da matéria-prima das usinas brasileiras se torna ainda mais relevante. De acordo com o relatório, o mix de produção das usinas será uma “variável-chave” para a safra 2020/21.

Etanol gera mais receita para as usinas

Segundo Andy Duff, a vantagem do etanol hidratado sobre o açúcar ficou em torno de 1,2 centavos de dólar por libra-peso ao longo da temporada 2019/20. Isso aconteceu porque o preço médio da commodity foi de 12,3 centavos por libra-peso. “Se a gente pega o preço médio de hidratado ao longo do ano e fazemos a conversão para um equivalente, em termos de Nova York, esse preço de hidratado fica em 13,5 centavos por libra-peso”, afirma.

Para o anidro, por sua vez, a diferença é ainda maior. De acordo com Duff, o preço equivalente seria de 14,2 centavos de dólar por libra-peso – ou seja, 1,9 centavo acima do preço do açúcar. “O etanol realmente entregou um desempenho que, eu diria, salvou o ano”.

rabobank 2020 precos 280220

Entre os principais fatores que favorecem a produção de etanol está o preço da gasolina. Para 2020, as projeções do Rabobank para o mercado de petróleo preveem o preço internacional (Brent) levemente acima de US$ 70/barril – o valor foi estimado antes do início da “guerra do petróleo”, que derrubou os preços. Além disso, considerando um câmbio em torno de R$ 4,00/US$, a expectativa da instituição era de que a gasolina tivesse “preços firmes” no mercado interno.

“Isso é positivo para o etanol e deixa bastante espaço para que o preço chegue a níveis interessantes”, assegurava Duff. “Os fundos estão olhando para estratégias de trading que, basicamente, significam que eles vão aumentar a posição comprada. Ou seja, os fundos vão atuar para apoiar os preços”.

rabobank 2020 etanol 280220

Entretanto, o analista observa que o preço dos combustíveis pode ser um “assunto sensível” no Brasil. Segundo ele, uma combinação de preço alto de petróleo e câmbio fraco podem “provocar discussões em Brasília”; ainda que não deixe claro, ele provavelmente se refere às declarações do presidente Jair Bolsonaro sobre mudanças tributárias no setor de combustíveis e venda direta de etanol.

“É importante olhar se, de maneira direta ou indireta, o que eu chamaria de ‘benefícios para o setor’ não poderia sofrer algum tipo de interferência ao longo do ano”, complementa Duff.

De acordo com os cálculos feitos pelo banco, ao menos durante a atual entressafra, a relação entre os preços do etanol e da gasolina não precisará superar os 70% – limite em que o renovável é considerado comercialmente competitivo – para que o setor termine 2019/20 com estoques iguais aos do começo da safra.

“Isso é importante, pois a entressafra passada mostrou que a manutenção da competitividade do etanol na bomba durante o primeiro trimestre ajudou a turbinar as vendas, tanto na entressafra quanto no início da safra seguinte”, pontua.

Neste caso, a única ameaça significativa para o biocombustível ao longo de 2020 seria uma desvalorização do preço de petróleo para valores abaixo de US$ 60/barril. Conforme o relatório, isso poderia incentivar um aumento significativo na produção de açúcar.

Etanol de milho

Em relação ao milho, a expectativa é que a demanda interna pela indústria de proteína animal e o etanol deem suporte às cotações do grão no país. “A safra 2018/19 de milho marcou uma série de novos recordes alcançados pelo Brasil”, traz o relatório, que completa: “A produção no país superou, pela primeira vez na história, a marca de 100 milhões de toneladas, volume puxado principalmente pela forte expansão de área da segunda safra e pelos bons níveis de produtividade”.

Assim, mesmo em um cenário dependente de muitas variáveis locais e internacionais, a perspectiva do banco é que a área destinada apresente novo incremento. O Rabobank estima que a área de milho (verão mais segunda safra) atinja 18,4 milhões de hectares na safra 2019/20, 5% superior à observada na temporada 2018/19.

“Um dos sinais dessa expansão de área do milho segunda safra em 2020 pode ser avaliada pelo ritmo de comercialização”, afirma. Entre os fatores que levam a isso, o relatório cita o caso específico de Mato Grosso, onde houve um aumento da busca por grãos com garantia de originação graças à indústria de etanol.

Além disso, o relatório cita a possibilidade de um aumento de 1 bilhão de litros na produção de etanol de milho em 2020. “A demanda adicional somente dessa indústria seria equivalente à aproximadamente 2,5 milhões de toneladas do cereal”, destaca; ainda assim, o valor é equivalente a 2,5% da produção projetada.

Ouça o podcast completo

Renata Bossle – NovaCana

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