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Primeiras apostas para safra 2018/19 no Centro-Sul indicam cenários opostos

cana energia comparacao granbio D 290715"Se formos avaliar, há um ano estávamos em uma euforia, em uma situação bastante específica. Como estaremos daqui um ano? Qual vai ser a realidade desse nosso mercado?", Tarcilo Rodrigues

NovaCana 8 min de leitura

“Temos duas posições que são uma diferença entre o céu e o inferno. Acho interessante essa visão e cana é isso mesmo. Se formos avaliar, há um ano estávamos em uma euforia, em uma situação bastante específica. Como estaremos daqui um ano? Qual vai ser a realidade desse nosso mercado? É essa dinâmica que nos traz para esse debate”.

Com essa fala, o diretor da Bioagência, Tarcilo Rodrigues, resumiu a tônica do debate do painel “Safra 2017/18 e 2018/19: perspectivas e desafios”, realizado durante o NovaCana Ethanol Conference 2017.

Rodrigues, que moderou a discussão, ressaltou especialmente a diferença entre os cenários previstos pelo Banco Pine, de 560 milhões de toneladas de cana moída, e pela Agroconsult, de 625 milhões, como “duas posições que são uma diferença entre o céu e o inferno”. A FCStone, que ainda não lançou suas projeções oficiais, sugere um cenário mais moderado, próximo do que se espera para a atual temporada, em 584,3 milhões de toneladas.

Faltando cerca de cinco meses para o início da temporada 2018/19, as primeiras estimativas para a produção sucroalcooleira do Centro-Sul do país sinalizam para uma falta de consenso entre as consultorias. No ano passado, quando isso aconteceu, o resultado acabou convergindo para um meio termo.

As consultorias debateram as visões opostas durante o NovaCana Ethanol Conference, realizado na semana passada. O resultado das discussões desse painel você confere a seguir.

Saiba mais:

- Estimativas para a safra 2018/19: moagem, açúcar e etanol
- O papel da renovação dos canaviais e perspectivas de produtividade agrícola
- Mudanças no mix de produção
- Os detalhes do debate na conferência sobre as estimativas

“Temos duas posições que são uma diferença entre o céu e o inferno. Acho interessante essa visão e cana é isso mesmo. Se formos avaliar, há um ano estávamos em uma euforia, em uma situação bastante específica. Como estaremos daqui um ano? Qual vai ser a realidade desse nosso mercado? É essa dinâmica que nos traz para esse debate”.

Com essa fala o diretor da Bioagência, Tarcilo Rodrigues, resumiu a tônica do debate do painel “Safra 2017/18 e 2018/19: perspectivas e desafios”, realizado durante o NovaCana Ethanol Conference 2017.

Rodrigues, que moderou a discussão, ressaltou especialmente a diferença entre os cenários previstos pelo Banco Pine, de 560 milhões de toneladas de cana moída, e pela Agroconsult, de 625 milhões, como “duas posições que são uma diferença entre o céu e o inferno”. A FCStone, que ainda não lançou suas projeções oficiais, sugere um cenário mais moderado, próximo do que se espera para a atual temporada, em 584,3 milhões de toneladas.

Faltando cerca de cinco meses para o início da temporada 2018/19, as primeiras estimativas para a produção sucroalcooleira do Centro-Sul do país já demonstram uma falta de consenso entre as consultorias.

Apesar de fundamentadas em argumentos semelhantes, as projeções iniciais para 2018/19 têm como principal diferença a leitura das consultorias sobre os efeitos dos investimentos nas lavouras realizados nesta temporada e às imagens de satélite dos canaviais. A diferença entre as duas projeções alcançou 65 milhões de toneladas de cana moída.

Para efeito comparativo, em dezembro do ano passado, a diferença entre a maior e a menor projeção para 2017/18 era de 28 milhões de toneladas. Em fevereiro, com a presença de um número maior de consultorias, o contraste foi de 45 milhões de toneladas. A última safra com uma elasticidade tão expressiva foi a 2016/17, quando a diferença das estimativas formava um intervalo de 64 milhões de toneladas de cana moída.

20171004 Painel Safra elasticidade

Tudo depende dos canaviais

De acordo com o economista do Banco Pine, Lucas Brunetti, ainda que o plantio de cana em novas áreas e a renovação dos canaviais esteja em alta, o esforço não deverá ser suficiente para alterar a tendência geral de envelhecimento das plantações de cana-de-açúcar do Centro-Sul.

20171004 Painel Safra Pine 1 renovação

Brunetti trabalha com um panorama em que a idade média dos canaviais do Centro-Sul aumentará de 3,52 anos para 3,6 anos. Dessa maneira, a moagem de cana na próxima safra alcançaria os 560 milhões de toneladas, menos que o estimado para 2017/18, atualmente em 590 milhões. “Tendo a olhar o problema da idade do canavial como grande driver da próxima safra”, disse.

20171004 Painel Safra Pine 2 produtividade

20171004 Painel Safra Pine 3 estimativa

“A grande diferença [entre a visão do Banco Pine e da Agroconsult] é perceber a renovação como um grande diferenciador para a produtividade final. Apesar de ter, realmente, uma renovação maior, o movimento não chegará a reverter a tendência de aumento da idade média do canavial. Se tivesse mais renovação, reverteria”, Lucas Brunetti (Banco Pine)

O sócio da Agroconsult, Fabio Meneghin, apesar de ter no radar as limitações da idade dos canaviais, acredita que a renovação é um grande diferenciador para a produtividade final. De acordo com ele, a produtividade das lavouras deverá subir de 74 para 77 toneladas por hectare. Com isso, o consultor projeta aumento da moagem no Centro-Sul, que irá de 590 milhões de toneladas em 2017/18 para 625 milhões no próximo ciclo.

20171004 Painel Safra Agroconsult 1 produtividade

Segundo ele, há um horizonte de recuperação dos investimentos na área agrícola que começou na safra passada, reforçado nesta e que tende a se estender para 2018/19. Meneguin relata que as entregas de fertilizantes para a cultura confirmam a expectativa de melhora, embora a adubação ainda esteja abaixo do recorde da safra 2008/09, quando foram utilizados 600 quilos por hectare nos canaviais. “Ainda estamos cerca de 20% abaixo desse número, mas já estivemos cerca de 50% abaixo”, falou durante sua palestra.

“O que diferencia as estimativas é a área plantada, que é uma caixa-preta no setor. Cada um segue, por imagem de satélite ou por outros meios de pesquisa, seus próprios números”, Fabio Meneghin, Agroconsult

Meneghin pondera, no entanto, que o número de 625 milhões de toneladas é o potencial enxergado para a atual safra. Ele relembra que para o atual ciclo a consultoria estimava uma moagem em torno de 620 milhões de toneladas no início do ano – uma projeção que não se concretizou em função dos problemas climáticos que aconteceram ao longo do ano, principalmente, a forte estiagem.

20171004 Painel Safra Agroconsult 2 moagem

“Nós enxergamos que [a moagem do Centro-Sul] pode chegar nesse patamar. Seria, basicamente, a safra que não foi possível nos últimos dois anos. Se olharmos para três anos atrás, teve uma safra que chegou perto dos 620”, acrescentou. Ele se refere à safra 2015/16 quando o Centro-Sul moeu 617,7 milhões de toneladas.

“Nos últimos anos, com a capacidade de moagem e de área estagnadas, passou a ser determinante a situação atual dos canaviais e o clima”, João Paulo Botelho (FCStone)

A FCStone, por sua vez, considera que o clima seco – esperado até dezembro – deve pesar negativamente sobre a produtividade das lavouras. “Isso, claro, pode ser totalmente revertido no primeiro trimestre do ano que vem, se o índice das chuvas for positivo, mas ainda é preciso considerar a previsão de um La Niña”, explica João Paulo Botelho, analista sênior de inteligência de mercado da consultoria.

20171004 Painel Safra FCStone 1 clima

Ele pondera que realmente houve um aumento da renovação dos canaviais este ano, mas não enxerga um efeito forte para os resultados da safra. “Enquanto o Lucas [Brunetti, do Banco Pine] fala em queda do rendimento agrícola e o Fabio [Meneghin, da Agroconsult] fala em alta, falarei de estabilidade”, frisou o analista, justificando porque a FCStone acredita em uma manutenção do patamar atual, com apenas um ligeiro aumento de moagem para a próxima safra.

20171004 Painel Safra FCStone 2 estimativa

Rumo a um mix menos açucareiro

As diferentes visões para a moagem de cana em 2018/19, consequentemente, trazem estimativas distintas para a produção de açúcar e etanol. Com relação ao mix de produção, contudo, parece haver consenso de que o açúcar deixará de ser tão priorizado pelas usinas.

O Banco Pine projeta uma redução de 9,86% na produção do adoçante pelas usinas do Centro-Sul ante 2017/18, indo para 32,9 milhões de toneladas (de 36,5 milhões de toneladas). Na visão do banco, a produção e etanol variaria menos (1,61%), chegando a 24,4 bilhões de litros.

Já a Agroconsult prevê crescimento de 2,88% produção de açúcar, variando de 34,7 milhões de toneladas no ciclo 2017/18 para 35,7 milhões de toneladas. A produção de etanol também cresceria, nesse caso 7,9%, de 25,2 bilhões de litros para 27,2 bilhões. “Em 2018/19, o mix de etanol deve ganhar 1 ponto percentual em relação a atual safra, atingindo 55%”, completa Fabio Meneghin.

A aposta na mudança do mix de produção também está presente nas perspectivas da FCStone para o curto prazo. De acordo com Botelho, a queda nas cotações internacionais do açúcar e a valorização do dólar reduziram em 40% a remuneração média dos produtores de São Paulo com a venda do adoçante nos últimos 12 meses. No mesmo período, a remuneração do etanol teria caído em média 10%. Ou seja, em uma análise comparativa entre os dois produtos, o etanol melhorará substancialmente sua vantagem relativa.

Marina Gallucci – NovaCana

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