Os destaques sobre o preço dos combustíveis na semana de 10 a 16 de julho:

Os preços do etanol e da gasolina caíram em todos os estados brasileiros
O consumo de etanol é considerado economicamente vantajoso em São Paulo e Mato Grosso
O valor do hidratado aumentou nas usinas paulistas e goianas e reduziu nas mato-grossenses
Levantamento de preços da ANP foi realizado em 441 municípios, seis a mais do que na semana anterior
Os preços do etanol e da gasolina seguiram em queda na média nacional na última semana. Esta é a décima primeira baixa consecutiva para o renovável e a terceira redução do combustível fóssil após uma semana de alta.
Entre 10 e 16 de julho, o biocombustível passou de R$ 4,52 por litro para R$ 4,41/L, queda de 2,43%. Já a gasolina foi de R$ 6,49/L para R$ 6,07/L – menor valor para o combustível desde o período de 5 a 11 de setembro de 2021 –, com diminuição de 6,47%.
Os valores correspondem ao levantamento semanal realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Como houve uma queda mais acentuada para a gasolina do que para o etanol, o biocombustível deixou de ser economicamente competitivo na média nacional. Ou seja, o preço do renovável ficou acima de 70% do valor da gasolina, ultrapassando a faixa em que é tido como economicamente vantajoso para os consumidores.
De acordo com a ANP, a relação entre o preço do biocombustível e o de seu concorrente fóssil nos postos foi de 72,7%, acima do resultado do período anterior, de 69,6%. Este é o terceiro aumento consecutivo no indicador após oito reduções.

Nas usinas paulistas, o etanol hidratado saiu de R$ 2,9013/L para R$ 2,93/L, aumento de 0,99%, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP. Além disso, houve queda de 0,07% nas produtoras mato-grossenses e incremento de 0,67% nas goianas.
A queda da gasolina segue relacionada principalmente à desoneração tributária aprovada pelo governo no Congresso.
Ainda assim, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Biocombustíveis, ou PEC 15/2022, foi aprovada na Câmara na última quarta-feira, 13. Ele acrescenta um trecho ao artigo 225 da Constituição Federal, estabelecendo que os biocombustíveis terão tributação inferior de PIS/Cofins e, também, de ICMS em relação ao diesel e à gasolina.
Segundo estimativas do Ministério de Minas e Energia (MME), a queda do preço médio da gasolina deve sair de 17,6%, após a lei complementar, para 14,9% com a PEC. Já a redução no etanol hidratado deve subir de 6,2% para 10,7%. As comparações se referem aos preços médios nos postos na semana de 19 a 25 de junho.
Além disso, conforme a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a gasolina no Brasil voltou a ficar mais cara do que no mercado internacional, já que a desvalorização do real mitigou o impacto da queda do preço do petróleo.
Segundo a ANP, de 10 a 16 de julho, os preços do etanol e da gasolina caíram em todas as unidades da federação.
Entretanto, as comparações de valores nos postos não são exatamente precisas, já que o levantamento dos preços de combustíveis ainda não está sendo realizado em todas as cidades brasileiras e o número de localidades pesquisadas muda. Na semana analisada, foram obtidos dados de 441 municípios, seis a mais do que no período anterior.

Em São Paulo, maior produtor e consumidor de etanol do país, o biocombustível teve um decréscimo de 2,14%, custando R$ 4,12/L em média; já a gasolina foi vendida a R$ 5,89/L, redução de 3,44%. Com isso, a relação entre os preços ficou em 69,9%, acima do índice de uma semana antes, de 69%, e bem próximo do limite economicamente favorável ao etanol. A pesquisa foi feita em 108 cidades paulistas, uma a mais do que no último levantamento.
Em Goiás, o etanol foi comercializado a R$ 4,20/L na média da semana analisada, retração de 1,41%. Enquanto isso, a gasolina caiu 3,8%, para R$ 5,83/L. Assim, a relação entre os preços dos combustíveis ficou em 72%, com o etanol desfavorável no estado e um índice superior ao visto anteriormente, de 70,3%. Segundo a ANP, 17 cidades goianas foram consideradas no levantamento, uma a mais do que na semana anterior.
Por sua vez, Minas Gerais registrou um decréscimo de 2,56% no preço médio do etanol, que foi comercializado a R$ 4,56/L. A gasolina passou por uma retração de 10,35% e foi negociada a R$ 5,89/L, em média. Desta forma, o renovável custou o equivalente a 77,4% do preço do combustível fóssil, superior aos 71,2% vistos na semana anterior, com o etanol permanecendo não competitivo na média do estado. No total, 56 municípios mineiros participaram da pesquisa, um a menos do que uma semana antes.
Em Mato Grosso, o preço médio do etanol teve uma baixa de 2,98%, indo para R$ 3,91/L, o menor valor dentre todas as unidades da federação e o único abaixo de R$ 4. Na semana, a gasolina teve uma redução de 5,76%, passando a custar R$ 6,05/L. Com isso, a relação entre os preços ficou em 64,6%, superior aos 62,8% de uma semana antes, mas ainda economicamente vantajosa ao consumidor. Além disso, esta é a menor relação de preços entre os combustíveis dentre todos os estados. A ANP fez a pesquisa em sete municípios mato-grossenses, um a mais do total registrado no último levantamento.
Já em Mato Grosso do Sul, o etanol caiu 2,95%, ficando em R$ 4,61/L. A gasolina, por sua vez, teve uma baixa de 10,72%, para R$ 5,58/L. Assim, o biocombustível custou o equivalente a 82,6% do preço de seu concorrente fóssil, acima dos 76% de uma semana antes e a mais alta relação dentre os seis principais estados produtores de etanol do país. Sete cidades participaram do levantamento.
Por fim, no Paraná, o biocombustível custou o equivalente a 81,2% do preço da gasolina. No período, o renovável teve uma queda de 1,45%, sendo vendido por R$ 4,76/L na média estadual, o valor mais alto entre os maiores produtores do biocombustível. Já a gasolina baixou 5,64%, indo para R$ 5,86/L. No total, 29 cidades foram pesquisadas no estado, mesma quantia do que o visto uma semana antes.

Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.
Após mais de dois meses em pausa, o levantamento de preços nos postos voltou a ser realizado semanalmente no final de outubro de 2020. Ainda assim, as comparações entre as análises não são precisas, já que o número de municípios pesquisados vem mudando semanalmente, conforme já era previsto pela ANP.
Entre 10 a 16 de julho, 441 cidades foram pesquisadas, seis a mais do que no período anterior. O levantamento inclui todas as capitais dos estados brasileiros. Algumas localidades deixaram de participar no comparativo semanal, mudando o número de municípios de alguns estados.
Apesar da progressão no número de cidades, o total está abaixo do objetivo divulgado pela ANP: 459. A agência vem demonstrando dificuldades em cumprir com o esperado em relação ao levantamento desde a pausa, quando tinha uma expectativa de data de retomada que não foi atingida e atrasou mais de um mês.
Com este retorno gradual, os números seguem não correspondendo à média dos postos dos estados como ocorria antes da pausa. A comparação semanal também deve ser observada com cautela, já que a amostra pode aumentar ou diminuir semanalmente.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana