Os destaques sobre o preço dos combustíveis na semana de 3 a 9 de julho:

O preço do etanol caiu em quase todos os estados e no Distrito Federal, mantendo-se apenas no Amapá
Após aplicação do teto do ICMS pelos estados, valor da gasolina teve queda em todas as unidades da federação
O consumo de etanol é considerado economicamente vantajoso em São Paulo e Mato Grosso
O valor do hidratado reduziu nas usinas paulistas, goianas e mato-grossenses
Levantamento de preços da ANP foi realizado em 435 municípios, cinco a menos do que na semana anterior
Os preços do etanol e da gasolina seguiram em queda na média nacional na última semana. Esta é a décima baixa consecutiva para o renovável e a segunda redução do combustível fóssil após uma semana de alta.
Entre 3 e 9 de julho, o biocombustível passou de R$ 4,723 por litro para R$ 4,52/L, queda de 4,3%. Já a gasolina foi de R$ 7,127/L para R$ 6,49/L, diminuição de 8,94%, queda especialmente relacionada a desoneração tributária aprovada pelo governo no Congresso. Além disso, esse é o menor valor para o combustível desde o período de 17 a 23 de outubro de 2021.
Os valores correspondem ao levantamento semanal realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
De acordo com cálculos do Ministério de Minas e Energia (MME), a desoneração pode gerar quedas entre R$ 1,30/L e R$ 1,94/L no preço da gasolina, a depender do estado. Já para o etanol, a redução deve ser de entre R$ 0,24/L e R$ 1,03/L.
Nas usinas paulistas, o etanol hidratado saiu de R$ 2,9634/L para R$ 2,9013/L, retração de 2,1%, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP. Além disso, houve queda de 3,79% nas produtoras mato-grossenses e de 0,17% nas goianas.
Segundo o consultor de agronegócio José Luís Coelho, em entrevista ao G1, com a queda do valor da gasolina e o andamento da safra de cana-de-açúcar, o etanol tende a acompanhar a redução nas bombas. “Tudo o que o etanol se beneficiou com o aumento dos combustíveis fósseis, agora vai ter o ônus de baixar junto com os combustíveis fósseis. É isso que está acontecendo”, completou.
Ainda assim, na semana, houve uma queda mais acentuada para a gasolina do que para o etanol – o biocombustível segue economicamente competitivo na média nacional, mas está próximo do limite. Ou seja, o preço do renovável segue abaixo de 70% do valor da gasolina, faixa em que é tido como economicamente vantajoso para os consumidores.
De acordo com a ANP, a relação entre o preço do biocombustível e o de seu concorrente fóssil nos postos foi de 69,6%, acima do resultado do período anterior, de 66,3%. Este é o segundo aumento consecutivo no indicador após oito reduções.

Segundo a ANP, de 3 a 9 de julho, o preço do etanol caiu em praticamente todos os estados e no Distrito Federal, ficando estável apenas no Amapá. A gasolina, por sua vez, teve queda em todas as unidades da federação.
Entretanto, as comparações de valores nos postos não são exatamente precisas, já que o levantamento dos preços de combustíveis realizado pela ANP ainda não está sendo realizado em todas as cidades brasileiras e o número de localidades pesquisadas muda. Na semana analisada, foram levantados os dados de 435 municípios, cinco a menos do que no período anterior.

Em São Paulo, maior produtor e consumidor de etanol do país, o biocombustível teve um decréscimo de 4,14%, custando R$ 4,210/L em média; já a gasolina foi vendida a R$ 6,1/L, redução de 8,91%. Com isso, a relação entre os preços ficou em 69%, acima do índice de uma semana antes, de 65,6%, mas ainda economicamente favorável ao etanol. A pesquisa foi feita em 107 cidades paulistas, uma a menos do que no último levantamento.
Em Goiás, o etanol foi comercializado a R$ 4,260/L na média da semana analisada, retração de 7,69%. Enquanto isso, a gasolina caiu 14,38%, para R$ 6,06/L. Assim, a relação entre os preços dos combustíveis ficou em 70,3%, com o etanol deixando de ser favorável no estado. Segundo a ANP, 16 cidades goianas foram consideradas no levantamento, mesma quantidade da semana anterior.
Por sua vez, Minas Gerais registrou um decréscimo de 3,53% no preço médio do etanol, que foi comercializado a R$ 4,680/L. A gasolina passou por uma retração de 11,04% e foi negociada a R$ 6,570/L, em média. Desta forma, o renovável custou o equivalente a 71,2% do preço do combustível fóssil, superior aos 65,7% vistos na semana anterior, com o etanol também deixando de ser competitivo na média do estado. No total, 57 municípios mineiros participaram da pesquisa, um a mais do que uma semana antes.
Em Mato Grosso, o preço médio do etanol teve uma baixa de 4,32%, indo para R$ 4,030/L, o menor valor dentre todas as unidades da federação. Na semana, a gasolina teve uma redução de 7,2%, passando a custar R$ 6,420/L. Com isso, a relação entre os preços ficou em 62,8%, superior aos 60,9% de uma semana antes, mas ainda economicamente vantajosa ao consumidor. Além disso, esta é a menor relação de preços entre os combustíveis dentre todos os estados. A ANP fez a pesquisa em seis municípios mato-grossenses, um a menos do total registrado no último levantamento.
Já em Mato Grosso do Sul, o etanol caiu 2,98%, ficando em R$ 4,750/L. A gasolina, por sua vez, teve uma baixa de 8,21%, para R$ 6,250/L. Assim, o biocombustível custou o equivalente a 76% do preço de seu concorrente fóssil, acima dos 71,9% de uma semana antes. Sete cidades participaram do levantamento.
Por fim, no Paraná, o biocombustível custou o equivalente a 77,8% do preço da gasolina, a mais alta relação dentre os seis principais estados produtores de etanol do país. No período, o renovável teve uma queda de 3,48%, sendo vendido por R$ 4,830/L na média estadual, o valor mais alto entre os maiores produtores do biocombustível. Já a gasolina baixou 9,24%, indo para R$ 6,210/L. No total, 29 cidades foram pesquisadas no estado, duas a menos do que o visto uma semana antes.

Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.
Após mais de dois meses em pausa, o levantamento de preços nos postos voltou a ser realizado semanalmente no final de outubro de 2020. Ainda assim, as comparações entre as análises não são precisas, já que o número de municípios pesquisados vem mudando semanalmente, conforme já era previsto pela ANP.
Entre 3 a 9 de julho, 435 cidades foram pesquisadas, cinco a menos do que no período anterior. O levantamento inclui todas as capitais dos estados brasileiros. Algumas localidades deixaram de participar no comparativo semanal, mudando o número de municípios de alguns estados.
Apesar da progressão no número de cidades, o total está abaixo do objetivo divulgado pela ANP: 459. A agência vem demonstrando dificuldades em cumprir com o esperado em relação ao levantamento desde a pausa, quando tinha uma expectativa de data de retomada que não foi atingida e atrasou mais de um mês.
Com este retorno gradual, os números seguem não correspondendo à média dos postos dos estados como ocorria antes da pausa. A comparação semanal também deve ser observada com cautela, já que a amostra pode aumentar ou diminuir semanalmente.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana