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Preço do etanol hidratado ultrapassa R$ 4 por litro nas usinas do Centro-Sul

Relação entre o preço do biocombustível e o da gasolina chega a 76,5% e consumidores dão preferência à opção fóssil

NovaCana 5 min de leitura

Por Phillip Herring*

O preço do etanol hidratado ultrapassou a marca de R$ 4 por litro na região de Ribeirão Preto (SP). Entre os fatores que levaram ao aumento estão a alta demanda, a expectativa de elevação no preço da gasolina e os estoques apertados.

Em 5 de outubro, a S&P Global Platts avaliou o biocombustível em R$ 4,01/L (incluindo ICMS e PIS/Cofins). O valor representa um aumento de 62%, ou R$ 1,535/L, ao longo de 2021.

Nas mesmas condições, o anidro foi calculado em R$ 3,995/L, registrando um aumento de 57,6%, ou R$ 1,460/L, no ano. Ambos os valores foram considerados recordes pela Platts.

preco etanol platts 061021

“Os preços do etanol subiram no Centro-Sul no dia 5 de outubro devido a necessidade de reabastecimento das distribuidoras para o feriado nacional do dia 12; além disso, há uma alta expectativa de aumento do preço da gasolina nas refinarias”, disse um trader de São Paulo.

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Por Phillip Herring*

O preço do etanol hidratado ultrapassou a marca de R$ 4 por litro na região de Ribeirão Preto (SP). Entre os fatores que levaram ao aumento estão a alta demanda, a expectativa de elevação no preço da gasolina e os estoques apertados.

Em 5 de outubro, a S&P Global Platts avaliou o biocombustível em R$ 4,01/L (incluindo ICMS e PIS/Cofins). O valor representa um aumento de 62%, ou R$ 1,535/L, ao longo de 2021.

Nas mesmas condições, o anidro foi calculado em R$ 3,995/L, registrando um aumento de 57,6%, ou R$ 1,460/L, no ano. Ambos os valores foram considerados recordes pela Platts.

preco etanol platts 061021

“Os preços do etanol subiram no Centro-Sul no dia 5 de outubro devido a necessidade de reabastecimento das distribuidoras para o feriado nacional do dia 12; além disso, há uma alta expectativa de aumento do preço da gasolina nas refinarias”, disse um trader de São Paulo.

Embora a Petrobras tenha subido o preço do diesel em 8,9% no final de setembro, o valor da gasolina vendida nas refinarias não teve ajustes. Isso aumenta a expectativa de que uma elevação no preço do combustível fóssil poderá ocorrer em breve.

Em geral, participantes do mercado usam as oscilações no preço da gasolina como um mecanismo de desconto para o etanol. Afinal, quando os consumidores sentem a diferença do preço nas bombas, o valor do biocombustível é pressionado.

Os consumidores tendem a preferir o etanol apenas quando ele custa menos de 70% do valor total de seu concorrente fóssil, devido ao seu menor teor energético. O consumo também é estimulado quando a diferença entre o preço gasolina e o do hidratado fica acima da marca de R$ 1/L.

Além disso, o estado de São Paulo está começando a relaxar as regras de isolamento impostas devido à pandemia de coronavírus. A previsão é que o toque de recolher, as limitações de ocupação e as restrição de horário sejam revogados em 1º de novembro.

Com essa flexibilização, está previsto um aumento no uso de veículos leves, aumentando a demanda por etanol. Isso pode fazer com que as distribuidoras precisem fazer compras adicionais de hidratado.

Preferência para a gasolina

De acordo com dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), na semana entre 26 de setembro e 2 de outubro, a diferença de preço entre o etanol e a gasolina nos postos do Centro-Sul chegou a R$ 1,42/L.

“Embora o preço médio da gasolina acima de R$ 6/L esteja fazendo com que os consumidores do Sudeste repensem sua escolha de combustível, um diferencial menor que R$ 1,5/L fará com que eles prefiram a gasolina em relação ao etanol hidratado”, afirma um segundo trader de São Paulo.

No Sudeste, a relação entre o preço do etanol hidratado e da gasolina alcançou 76,59% – seis pontos percentuais acima do limite em que o biocombustível é considerado economicamente vantajoso ao consumidor. A demanda pelo biocombustível, dessa forma, é desestimulada.

No período, o preço médio do etanol hidratado na região foi de R$ 4,646/L, contra R$ 6,066/L da gasolina.

Na segunda metade de setembro, a diferença entre os valores dos combustíveis foi, em média, de R$ 1,4335/L. Este resultado é um pouco menor que o visto na primeira metade do mês, com R$ 1,4595/L.

O volume de hidratado vendido no mercado interno em setembro foi de 654,9 milhões de litros, queda anual de 22,6%, de acordo com dados da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica). No mesmo período foram negociados 483,08 milhões de litros de etanol anidro, aumento de 29,9% ante o ano passado, um reflexo da alta demanda por gasolina.

Ainda que os preços do etanol no Centro-Sul estejam em patamares recordes, o repasse do aumento pelos postos tem um atraso de cinco a 15 dias, dependendo da velocidade e da extensão da mudança nos valores dos produtores.

* Phillip Herring é especialista de preços da S&P Global Platts

Com tradução NovaCana

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