Etanol: Preços

Preços nos postos: Etanol tem pior nível de competitividade desde janeiro de 2017

Relação entre os valores dos combustíveis atingiu 77,7% após aumento de 0,45% para o biocombustível na média nacional


NovaCana - 04 out 2021 - 11:15

Os destaques sobre o preço dos combustíveis na semana de 26 de setembro a 2 de outubro:

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  1. O preço médio da gasolina se manteve nas cidades pesquisadas, enquanto o do etanol aumentou 0,45%

  2. O consumo de etanol é considerado economicamente desvantajoso em todos os estados do país

  3. O valor do hidratado teve queda nas principais usinas mato-grossenses e paulistas e aumento nas goianas

  4. Levantamento de preços da ANP foi realizado em 344 municípios, dois a menos do que na semana anterior


Após dois meses consecutivos de aumentos nos preços dos combustíveis na média nacional, a gasolina ficou estável em R$ 6,092 por litro na última semana. Por outro lado, entre os dias 26 de setembro e 2 de outubro, o etanol teve um acréscimo de 0,45% na média nacional, passando de R$ 4,715/L para R$ 4,736/L.

Os valores correspondem ao levantamento semanal realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Isso fez com que, no período analisado, o biocombustível custasse o equivalente a 77,7% do preço de seu correspondente fóssil, superior ao índice de 77,4% visto uma semana antes. Este também foi o resultado mais elevado desde o período de 22 a 28 de janeiro de 2017, quando chegou a 77,8%.

Com isso, o etanol segue distante do limite comercialmente estabelecido de 70% do custo da gasolina, faixa em que é considerado vantajoso para os consumidores.

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É importante reiterar que as comparações de valores nos postos não são exatamente precisas, já que o levantamento dos preços de combustíveis ainda não está sendo realizado em todas as cidades brasileiras.

Na semana analisada, foram levantados os dados de postos de 344 municípios, dois a menos do que na anterior. Desta forma, a comparação semanal segue comprometida, uma vez que o número de localidades pesquisadas muda a cada análise.

Usinas

De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP, o etanol passou por aumentos de 0,15% nas usinas goianas.

Em contrapartida, nas unidades paulistas, o preço do hidratado sofreu redução de 0,23%, passando de R$ 3,2999/L para R$ 3,2922/L. Enquanto isso, nas produtoras mato-grossenses a redução foi de 0,11%.

Conforme a pesquisadora do Cepea, Ivelise Rasera Bragato Calcidoni, a combinação de quebra de safra com aumento da demanda vem fazendo os preços do etanol crescerem no ciclo 2021/22.

Os últimos acontecimentos

Durante a semana, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse que conversou com o ministro do Ministério de Minas e Energia (MME), Bento Albuquerque para discutir formas de redução dos preços dos combustíveis.

Entretanto, logo em seguida, a Petrobras sinalizou aumentos de preços dos combustíveis a fim de corrigir a defasagem com os valores internacionais. Por enquanto, o reajuste realizado foi apenas no diesel, de 8,9%.

Na tarde de hoje, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) tentará buscar entendimento entre líderes de partidos para poder votar, ainda nessa semana, projetos relacionados ao preço dos combustíveis, como o que cria um fundo de estabilização para amortecer as altas dos preços.

Variações nos estados

Segundo a ANP, de 26 de setembro a 2 de outubro, o preço do etanol subiu na média de 15 estados e no Distrito Federal, caiu em dez e não foi analisado no Amapá. A gasolina, por sua vez, teve aumento em 14 unidades da federação.

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Em São Paulo, o maior estado produtor e consumidor de etanol do país, o biocombustível teve um aumento de 0,49%, custando R$ 4,538/L na média semanal. Já a gasolina foi vendida a R$ 5,792/L, crescimento de 0,29%.

A maior elevação para o renovável ocasionou uma piora na relação entre os preços, que ficou em 78,3%, ante os 78,2% do período anterior. Com isso, o índice fica ainda mais distante da marca de 70%, limite da faixa em que o etanol é considerado economicamente favorável ao consumidor. A pesquisa foi feita em 103 cidades, duas a mais do que na semana anterior.

Já em Goiás, o etanol foi vendido a R$ 4,824/L na média da semana analisada. No período, houve um aumento de 1,28% no preço do biocombustível. Já a gasolina sofreu um acréscimo de 1,94%, sendo vendida a R$ 6,504/L.

Assim, com o aumento mais significativo para o combustível fóssil, a relação entre os preços dos combustíveis ficou em 74,2% no estado, abaixo dos 74,7% de uma semana antes; ainda assim, o etanol segue não sendo considerado competitivo. Segundo a ANP, 13 cidades goianas foram consideradas no levantamento, mesma quantidade do período anterior.

Por sua vez, Minas Gerais teve um aumento de 0,42% no preço médio do etanol, que foi comercializado a R$ 4,780/L. A gasolina também passou por um acréscimo, de 0,02%, e foi negociada a R$ 6,316/L, em média. Com isso, o renovável custou o equivalente a 75,7% do preço do combustível fóssil, índice pouco superior ao da semana anterior, quando era de 75,4%. No total, 43 municípios mineiros participaram da pesquisa, mesma quantia da semana anterior.

Em Mato Grosso, o etanol teve uma redução de 0,9%, a única dentre os estados que mais produzem o biocombustível, e foi vendido a R$ 4,511/L – o preço médio mais baixo dentre todas as unidades da federação. Já a gasolina teve uma retração de 0,33%, passando a custar R$ 6,123/L. Desta forma, a relação entre os preços foi de 73,7%, inferior à da semana anterior, de 74,1%, e também a melhor relação dentre todos os estados. A ANP fez a pesquisa em sete municípios mato-grossenses, mantendo a quantia do período anterior.

Em Mato Grosso do Sul, o valor do etanol cresceu 0,73%, para R$ 4,804/L. A gasolina, por sua vez, teve redução de 0,27%, ficando em R$ 5,987/L. Assim, o biocombustível seguiu passou a custar o equivalente a 80,2% do preço de seu concorrente fóssil, superior ao índice de 79,4% de uma semana antes. Somente Campo Grande, Corumbá, Dourados, Ponta Porã e Três Lagoas participaram do levantamento.

Por fim, o Paraná segue apresentando a mais alta relação entre os preços dentre os seis principais estados produtores de etanol do país, com o produto custando o equivalente a 82% do preço da gasolina.

No período, o renovável teve um incremento de 0,54%, sendo vendido por R$ 4,874/L na média estadual, também o maior valor dentre os seis grandes produtores. Já a gasolina teve um aumento de 0,19%, ficando em R$ 5,947/L. No total, 20 cidades foram pesquisadas no estado, mesma quantidade do que uma semana antes.

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Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.

Comparação comprometida

Após mais de dois meses em pausa, o levantamento de preços nos postos voltou a ser realizado semanalmente no final de outubro de 2020. Ainda assim, as comparações entre as análises não são precisas, já que o número de municípios pesquisados vem mudando semanalmente, conforme já era previsto pela ANP.

Entre 26 de setembro e 02 de outubro, 344 cidades foram pesquisadas, duas a menos do que no período anterior. O levantamento inclui todas as capitais dos estados brasileiros. Algumas localidades deixaram de participar no comparativo semanal, mudando o número de municípios de alguns estados.

Apesar da progressão no número de cidades, o total está abaixo do objetivo divulgado pela ANP: 459. A agência vem demonstrando dificuldades em cumprir com o esperado em relação ao levantamento desde a pausa, quando tinha uma expectativa de data de retomada que não foi atingida e atrasou mais de um mês.

Com este retorno gradual, os números seguem não correspondendo à média dos postos dos estados como ocorria antes da pausa. A comparação semanal também deve ser observada com cautela, já que a amostra pode aumentar ou diminuir semanalmente.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana