Os preços do petróleo fecharam acima de US$ 100 nesta quinta-feira, 23, pela primeira vez desde maio, depois que os houthis do Iêmen afirmaram ter atacado dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho, causando novas interrupções no abastecimento global após a interrupção quase total do tráfego pelo Estreito de Ormuz.
Os contratos futuros do Brent fecharam com alta de US$ 6,62, ou 7%, a US$ 100,69 o barril, marcando seu maior fechamento desde 22 de maio. Os preços da referência global do petróleo estão agora quase 40% mais altos do que quando a guerra com o Irã começou, em fevereiro, com quase todos os ganhos ocorrendo neste mês.
O petróleo West Texas Intermediate (WTI) dos Estados Unidos fechou com alta de US$ 5,36, ou 6,2%, a US$ 92,19 por barril, o maior fechamento desde 4 de junho.
“Com a possibilidade de uma guerra terrestre aparentemente aumentando a cada dia e o tráfego de petroleiros restrito em dois dos pontos de estrangulamento mais movimentados do mundo, o petróleo está repentinamente se posicionando a um passo da máxima de quatro anos, de US$ 126,41, enquanto a economia global se esgota tão rapidamente que acabará ficando sem combustível”, disse o diretor de futuros de energia do Mizuho, Bob Yawger.
Os houthis do Iêmen abriram uma nova frente na guerra contra o Irã ao atacar navios que transportavam petróleo saudita no Estreito de Bab el-Mandeb, após declararem que imporiam um bloqueio naval aos embarques provenientes da Arábia Saudita.
A milícia houthi atacou dois petroleiros da Arábia Saudita em uma operação militar, informou o grupo nesta quinta-feira, com a agência de notícias estatal saudita, SPA, confirmando posteriormente que uma das duas embarcações estava em chamas após um ataque enquanto navegava no Mar Vermelho. A SPA não informou quem atacou a embarcação.
“A escalada agrava a paralisação quase total do tráfego em Ormuz e a redução acentuada nas exportações iranianas, intensificando as preocupações com a disponibilidade global no curto prazo”, escreveu a Gelber and Associates em uma nota.
Analistas estimam que o Estreito de Ormuz e o Estreito de Bab el-Mandeb transportam o equivalente a cerca de um quarto do abastecimento mundial de petróleo.
Ainda assim, após os ataques, dois superpetroleiros chineses transportando, juntos, 4 milhões de barris de petróleo da Arábia Saudita conseguiram sair do Mar Vermelho pelo Estreito de Bab el-Mandeb nesta quinta-feira, segundo dados de transporte marítimo.
O Goldman Sachs afirmou que o Brent pode ultrapassar US$ 120 por barril no quarto trimestre e atingir uma média de US$ 100 no próximo ano se o estreito permanecer bloqueado até 2027, com potencial de alta adicional caso o Estreito de Bab el-Mandeb e o Canal de Suez também sofram interrupções persistentes.
Siddharth Cavale
Com reportagem de Enes Tunagur, Trixie Yap, Florence Tan, Anushree Mukherjee e Scott DiSavino