Combustível está no maior nível desde 1994 e pode encarecer fretes, alimentos e transporte
A alta do preço do diesel está no radar dos investidores, diante do aprofundamento dos impactos sobre a inflação global.
O apresentador do Resenha do Dinheiro, Bernardo Pascowitch, explica que a movimentação dos títulos públicos americanos também está relacionada às preocupações com o petróleo e com a inflação nos Estados Unidos, que permanece resistente.
“O diesel merece atenção pelo papel que desempenha na economia mundial. Ele é a artéria do mundo, tudo passa pelo diesel”, afirma.
Além disso, recentemente o governo norte-americano citou a possibilidade de reduzir as exportações de diesel.
Pascowitch avalia que “uma eventual restrição poderia pressionar ainda mais os preços do combustível, justamente em um momento em que a inflação americana continua sendo acompanhada de perto pelo mercado”.
Por conta disso, a sócia-fundadora da Nord Investimentos, Marilia Fontes, pondera que essa proibição de Trump teria como objetivo aumentar a oferta de combustível no mercado interno americano.
“Porém, são aquelas soluções paliativas que não resolvem o problema de longo prazo. A alta do petróleo e as tensões relacionadas ao Estreito de Ormuz também mostram como choques na oferta podem se espalhar pela economia”, ressalta Fontes.
No Brasil, Bernardo Pascowitch destaca que o repasse do diesel ocorre de maneira diferente e tende a ser mais demorado.
Segundo a Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom), o preço doméstico do combustível está cerca de 80% abaixo das referências internacionais em razão da atuação do governo e dos subsídios, o que reduz parte do impacto imediato sobre os consumidores.
“A gasolina vemos no dia a dia. Já o diesel demora mais para chegar ao consumidor, porque o impacto começa no atacado e atinge primeiro produtores e outros setores da cadeia”, observa.
Mariana Suzuki