As análises para 2022/23 concordam com boas produções nos principais produtores da commodity, mas ainda divergem entre um déficit ou superávit global
A média das estimativas de 15 consultorias questionadas pelo NovaCana é de que um superávit de 1,35 milhão de toneladas marcará a temporada global de açúcar 2022/23. Os valores oscilam entre um déficit de 3,69 milhões de toneladas estimado pelo Bureau Australiano de Ciências e Economia Agrícola e de Recursos (Abares) e 4,1 milhões de toneladas superavitárias, previstas pela StoneX.
A visão da StoneX é sustentada pelas produções de Índia, Brasil, Tailândia e Paquistão em detrimento de quedas em outras nações das Américas e Europa. “Os custos relacionados à produção, em especial aqueles com insumos agrícolas, devem continuar como ponto de atenção em diversas localidades”, acrescenta a consultoria em relatório lançado em maio. Se concretizado, este será o maior superávit global desde o ciclo 2017/18. Porém, o número é um ponto fora da curva em comparação com outras empresas.
Ainda no lado das consultorias que estimam superávit para o próximo ciclo, a que vê o menor deles é a Green Pool, com 1,4 milhão de toneladas. O número apresenta uma inversão das expectativas anteriores da empresa, que eram de déficit. A mudança se deu por conta de visões de produções significativamente maiores do que o previsto no sul da Ásia (Índia e Paquistão), conforme release divulgado pela entidade no final de abril.
Expectativa semelhante tem a Tropical Research Services (TRS), com um superávit de 1,46 milhão de toneladas. De acordo com o relatório divulgado em junho, este é um excedente “gerenciável” e que deve causar pouco impacto no índice de estoque-uso mundial.
Já a MB Agro visualiza a produção acima do consumo em 2,6 milhões de toneladas. A entidade espera aumento na oferta de açúcar vinda do Centro-Sul brasileiro, já considerando o calendário de outubro a setembro, além de uma recuperação tailandesa e de um crescimento indiano – ainda que limitado pelo mandato de etanol.
A International Sugar Organization (ISO), em suas visões preliminares, estima uma produção acima da demanda semelhante, de 2,77 milhões de toneladas.
Dentre as quatro empresas consultadas que visualizam um ciclo deficitário está a Czarnikow, que espera um saldo negativo, de 1,4 milhão de toneladas para o próximo ciclo global, de acordo com relatório lançado em junho. A consultoria reduziu a estimativa de produção global devido às chuvas no Brasil, que afetaram os rendimentos dos canaviais, ao aumento de consumo em alguns países e às perspectivas negativas para a safra cubana.
Além dela, o BTG Pactual vê a produção abaixo do consumo em 2,2 milhões de toneladas. Em relatório lançado em abril, o banco comentou que, mesmo com o aumento da produção brasileira, a temporada seria deficitária devido à maior demanda.
Na reportagem completa e restrita aos assinantes do NovaCana, confira gráficos comparativos das projeções, evolução das médias, expectativas de preços e análises do mercado global de açúcar com dados e análises das seguintes empresas:
- Abares
- BP Bunge
- BTG Pactual
- Czarnikow
- Datagro
- Green Pool
- ISO
- Itaú BBA
- MB Agro
- Pecege
- Platts
- Rabobank
- StoneX
- TRS
- USDA
A média das estimativas de 15 consultorias questionadas pelo NovaCana é de que um superávit de 1,35 milhão de toneladas marcará a temporada global de açúcar 2022/23. Os valores oscilam entre um déficit de 3,69 milhões de toneladas estimado pelo Bureau Australiano de Ciências e Economia Agrícola e de Recursos (Abares) e 4,1 milhões de toneladas superavitárias, previstas pela StoneX.
A visão da StoneX é sustentada pelas produções de Índia, Brasil, Tailândia e Paquistão em detrimento de quedas em outras nações das Américas e Europa. “Os custos relacionados à produção, em especial aqueles com insumos agrícolas, devem continuar como ponto de atenção em diversas localidades”, acrescenta a consultoria em relatório lançado em maio. Se concretizado, este será o maior superávit global desde o ciclo 2017/18. Porém, o número é um ponto fora da curva em comparação com outras empresas.

Ainda no lado das consultorias que estimam superávit para o próximo ciclo, a que vê o menor deles é a Green Pool, com 1,4 milhão de toneladas. O número apresenta uma inversão das expectativas anteriores da empresa, que eram de déficit. A mudança se deu por conta de visões de produções significativamente maiores do que o previsto no sul da Ásia (Índia e Paquistão), conforme release divulgado pela entidade no final de abril.
Expectativa semelhante tem a Tropical Research Services (TRS), com um superávit de 1,46 milhão de toneladas. De acordo com o relatório divulgado em junho, este é um excedente “gerenciável” e que deve causar pouco impacto no índice de estoque-uso mundial.
Já a MB Agro visualiza a produção acima do consumo em 2,6 milhões de toneladas. A entidade espera aumento na oferta de açúcar vinda do Centro-Sul brasileiro, já considerando o calendário de outubro a setembro, além de uma recuperação tailandesa e de um crescimento indiano – ainda que limitado pelo mandato de etanol.
A International Sugar Organization (ISO), em suas visões preliminares, estima uma produção acima da demanda semelhante, de 2,77 milhões de toneladas.

Dentre as quatro empresas consultadas que visualizam um ciclo deficitário está a Czarnikow, que espera um saldo negativo, de 1,4 milhão de toneladas para o próximo ciclo global, de acordo com relatório lançado em junho. A consultoria reduziu a estimativa de produção global devido às chuvas no Brasil, que afetaram os rendimentos dos canaviais, ao aumento de consumo em alguns países e às perspectivas negativas para a safra cubana.
Além dela, o BTG Pactual vê a produção abaixo do consumo em 2,2 milhões de toneladas. Em relatório lançado em abril, o banco comentou que, mesmo com o aumento da produção brasileira, a temporada seria deficitária devido à maior demanda.
Recuperação brasileira

No ciclo 2022/23 (outubro a setembro) brasileiro, o mix produtivo seguirá mais direcionado para o etanol, de acordo com a StoneX, devido à atratividade e à liquidez do mercado do biocombustível – ambas justificadas pelo superávit açucareiro estimado no cenário global. Por isso, a consultoria crê que serão produzidas 32,1 milhões de toneladas, avanço anual de 7,3%.
No Centro-Sul, a StoneX acredita que haverá um aumento produtivo ante o ciclo vigente uma vez que as condições climáticas são favoráveis. Já na região Norte-Nordeste, as visões para 2022/23 (outubro a setembro) ainda são iniciais. Mesmo assim, a StoneX aponta que as chuvas de início de ano podem ter melhorado as condições hídricas dos canaviais e, se o cenário permanecer assim até o período de pico de chuvas (entre maio e julho), o açúcar total recuperável (ATR) médio pode melhorar na próxima safra.
Com isso, a consultoria espera uma produção de 3,1 milhões de toneladas de adoçante na região, aumento de 3,4%. Além disso, vê pouca margem para alteração do mix produtivo, mantendo maior direcionamento da matéria-prima para o etanol e níveis de moagem semelhantes aos do ano anterior.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA na sigla em inglês) vê, por outro lado, uma fabricação da commodity superior no país, atingindo 36,4 milhões de toneladas, uma vez que o clima favorável deve levar a maiores rendimentos da cana-de-açúcar, resultando em matéria-prima adicional disponível para moagem. “A área colhida é reduzida à medida que as áreas marginais de cana-de-açúcar mudam para soja e milho”, pondera.
De qualquer modo, a entidade enxerga que o mix açucareiro seguirá inalterado em relação ao ciclo anterior. Além disso, o USDA não espera por impactos significativos para a safra atual de cana-de-açúcar, já que a compra e o uso de fertilizantes ocorreram antecipadamente. Por sua vez, o consumo deve ficar inalterado e os estoques podem cair, enquanto as exportações devem crescer.
Já a TRS aponta que as tentativas de mudanças nas políticas internas e de impostos no mercado de combustível podem ter impacto direto na produção nacional de açúcar. Com isso, ainda que espere 29,7 milhões de toneladas do produto para a temporada 2022/23 do Centro-Sul, a redução do ICMS da gasolina para 17% a 18% deve gerar um impacto de incremento na produção entre 1,2 e 1,4 milhão de toneladas.
Por sua vez, como o governo zerou os impostos federais do etanol hidratado e da gasolina, isso pode incrementar o mercado da commodity em 900 mil toneladas. E a proposta de emenda à Constituição (PEC) que visa garantir vantagens tributárias aos biocombustíveis deve reduzir a produção do adoçante em 1,2 a 1,4 milhão de toneladas. Com isso, o saldo pode ser de 30,6 milhões de toneladas produzidas no Centro-Sul.
Avanço indiano
A produção de açúcar asiática deve crescer em torno de 5,1%, segundo a StoneX. “Além de preços mais atrativos e incentivos governamentais, a produção na Ásia deve também ser beneficiada pelo clima”, destaca a consultoria em relatório lançado em maio.
Especificamente na Índia, a perspectiva da entidade é que sejam produzidas 36,5 milhões de toneladas da commodity, aumento anual de 2,8%.
As chuvas de monções deverão ser favoráveis ao desenvolvimento dos canaviais no país, com o Departamento de Meteorologia do país (IMD, na sigla em inglês) prevendo que as precipitações atinjam de 98% a 99% da média de longo prazo. A faixa considerada normal para o fenômeno é de 96% a 104%.
O período que antecede as monções, de março a maio, é marcado por variações da umidade acumulada nas principais regiões produtoras do país. Neste caso, enquanto os estados de Uttar Pradesh e Maharashtra tiveram déficits significativos, Karnataka tem registrado precipitações acima da normalidade, segundo a StoneX, ficando 75% acima do usual entre 1º de março e 6 de maio.
Em Maharashtra, por outro lado, as chuvas no acumulado desde março ficaram 68% abaixo da média histórica, ainda segundo dados do IMD compilados pela consultoria. Em Uttar Pradesh, o cenário é ainda mais negativo, com precipitações 74% inferiores ao usual.
Apesar disso, as perspectivas climáticas são positivas, segundo a StoneX, e não há competitividade com outras culturas.
Já o USDA visualiza uma queda de 3% na produção indiana, para 35,8 milhões de toneladas, uma vez que menos cana deve ser processada para o açúcar. Já o consumo deve bater um recorde de alta, enquanto as importações permanecem inalteradas. As exportações, por sua vez, devem cair mais de 40%.
A MB Agro também visualiza crescimento produtivo para o país devido ao clima favorável e à ampliação da área produtiva, prevendo 34 milhões de toneladas de açúcar, um valor abaixo das expectativas da StoneX e do USDA. De 4 a 5 milhões de toneladas que seriam de açúcar devem ser desviadas para conversão em etanol a fim de atender o mandato vigente no país de mistura do biocombustível na gasolina.
Recuperação na Tailândia
Na Tailândia, o cenário climático também é benéfico. A StoneX estima que o país produza 11,5 milhões de toneladas de açúcar em 2022/23, representando um aumento de 13,9% ano a ano, a maior taxa de incremento entre os países asiáticos; caso isso se efetive, poderá ultrapassar a produção da China.
A Green Pool visualiza uma produção um pouco superior, de 12 milhões de toneladas, especialmente por conta dos preços mais altos da cana.
A StoneX ainda aponta que, embora haja forte concorrência por área de plantio com o arroz e com a mandioca, a elevação dos preços dos insumos afetou todas as culturas o que faz com que a cana siga mais atrativa.
Em terras tailandesas, as chuvas ganharam ritmo nos últimos meses e fortaleceram os canaviais, conforme a StoneX e o Departamento Meteorológico do país (TMD, na sigla em inglês), Nos meses de junho e julho, as precipitações devem ficar próximas à média histórica.
Quem também visualiza uma recuperação na produção tailandesa em função da melhoria do clima é a MB Agro, detalhando que o cenário é inverso ao visto em ciclos anteriores. Assim, o incremento ocorre mesmo sem aumento de área produtiva.
Com visão inferior, o USDA espera que sejam produzidas 10,5 milhões de toneladas de açúcar no país. “Em média, nos últimos dez anos, a Tailândia foi o quarto maior produtor de açúcar, atrás do Brasil, Índia e União Europeia e ligeiramente acima da China”, complementa o departamento estadunidense.
Já as exportações devem aumentar para 11 milhões de toneladas, um incremento de 10% em relação a 2022. “A Tailândia foi o segundo maior exportador em nove dos últimos dez anos atrás do Brasil, mas caiu para o terceiro lugar em 2020/21 devido à seca, redução na produção e atrasos no envio causados pela escassez de contêineres”, relembra o relatório. Além disso, o departamento espera que os estoques caiam acentuadamente após a forte demanda de exportação.
China também cresce
Para a China, a StoneX enxerga um avanço de 4%, passando para 10,3 milhões de toneladas de açúcar em 2022/23. O principal motivo do incremento é o aumento de área. Ainda assim, a consultoria completa que a ampliação de casos de covid-19 no país causa preocupação, desde em relação à demanda até à oferta, já que as medidas de isolamento também impactam os trabalhos no campo.
O USDA vê um volume semelhante de produção da commodity, 10 milhões de toneladas, com aumento da produção de açúcar tanto de cana quanto de beterraba. “Isso pressupõe um clima favorável e que os incentivos das usinas de beterraba sejam bem-sucedidos em manter os agricultores plantando o tubérculo”, completa o relatório. Do lado da demanda, é esperado aumento, supondo que as restrições relacionadas à covid-19 sejam amenizadas.
Já a TRS acredita que uma redução produtiva no país no ciclo atual não deve impactar na temporada 2022/23; enquanto o consumo deve cair.
Queda europeia
Para a Czarnikow, a produção europeia deve atingir 15,5 milhões de toneladas em 2022/23, representando uma desaceleração motivada pelo aumento dos custos dos insumos agrícolas e do processamento da matéria-prima. A Green Pool, por sua vez, estima 15,9 milhões de toneladas para Europa e Reino Unido.
Já a StoneX espera uma redução de área destinada à beterraba no continente europeu, retraindo a produção de açúcar em 5% no ciclo 2022/23 em relação ao estimado para a temporada corrente. Com isso, seriam fabricadas 16,3 milhões de toneladas.
Dentre os destaques baixistas, a consultoria destaca a migração de área de cultivo para trigo ou canola, clima desfavorável, relato de infestações de pulgões – transmissores do vírus amarelo – e a continuidade de medidas legais que proíbem o uso de neonicotinoides para controle desta praga.
Quem visualiza uma produção ligeiramente superior, de 17 milhões de toneladas, é a MB Agro. Contudo, a consultoria também considera uma área pouco menor devido à competição com grãos.
Outro fator limitante é o climático. Temperaturas mais baixas no início de abril em grande parte da França, da Alemanha e da Inglaterra impactaram, ainda que limitadamente, a parte da produção de beterraba ainda em estágios iniciais de desenvolvimento, segundo a StoneX. “Contudo, grande parte do plantio avançou de forma consistente sob condições ótimas ao final do mês de março e na segunda metade do mês de abril, o que limitou as perdas”, completa a empresa.
Ela ainda pontua que a umidade do solo também está abaixo do ideal, com modelos meteorológicos apontando para um clima mais seco em boa parte da França e chuvas dentro da normalidade na Alemanha em junho.
Já no Leste Europeu, palco de conflitos entre Rússia e Ucrânia, o plantio de beterraba sacarina segue avançando com expectativas de crescimento, de acordo com a StoneX. Na Rússia, a produção de açúcar deve atingir 6,6 milhões de toneladas em 2022/23, ampliação anual de 20%. Na Ucrânia, ainda que a guerra siga, a consultoria destaca que o Ministério do Desenvolvimento Econômico detalhou que 167 mil hectares já haviam sido semeados no país, volume equivalente a cerca de 98% da área nacional estimada para o cultivo. Por outro lado, a fabricação de açúcar deve ter um recuo considerável, de 22%, para 1,1 milhão de toneladas.
Com uma previsão de 16,3 milhões de toneladas na União Europeia, o USDA expressa que o consumo e as exportações devem permanecer inalterados. Já as importações podem cair, pois a indústria alimentar do continente trabalha para reduzir o teor de açúcar nos produtos alimentares, segundo o departamento.
Declínio norte-americano
Nos Estados Unidos, a produção de açúcar deve atingir 8,3 milhões de toneladas, baixa anual de 2%. Por lá, de acordo com a StoneX, o ritmo de plantio segue lento – os dados disponibilizados pelo USDA demonstram que apenas 18% da área prevista havia sido semeada até 1º de maio. No mesmo período do ano passado, 76% da área já havia sido plantada; mas a média histórica dos últimos cinco anos é de 46%. A baixa umidade é outro fator que deve impactar a lavoura.
Para o USDA, a produção deve ser levemente menor no país, de 8,2 milhões de toneladas. Além disso, a entidade destaca que as importações caíram 13% no país para 2,7 milhões de toneladas, com base em programas de cotas projetados fixados em níveis mínimos, conforme a Organização Mundial do Comércio (OMC), o Acordo de Livre Comércio e as importações projetadas do México.
No país vizinho, por sua vez, a fabricação do adoçante é estimada em 6 milhões de toneladas, também representando retração anual de 3,2%, de acordo com a StoneX. No México, o principal impacto deve ser a oferta de insumos agrícolas, em especial de fertilizantes.
O USDA visualiza uma fabricação de adoçante um pouco maior em terras mexicanas, de 6,4 milhões de toneladas. O departamento acredita que os estoques devem permanecer inalterados no país e as exportações devem aumentar.
Retomada do consumo
A produção mundial de açúcar estimada pela StoneX é de 194,6 milhões de toneladas, representando avanço anual de 2,8% em relação à estimativa da safra atual. Quanto à demanda, a perspectiva da consultoria é de recuperação, com retomada do crescimento do consumo por conta de expectativas de retorno do incremento na economia global, ainda que surtos localizados de covid-19 ainda possam gerar empecilhos.
Com isso, a StoneX espera que sejam consumidas 190,5 milhões de toneladas. Já os estoques finais devem crescer 5,4% para 79,5 milhões de toneladas, com relação estoque-uso de 41,6% (+1,6 ponto percentual).
Uma visão semelhante tem a Green Pool, que estima 191,66 milhões de toneladas produzidas e 189,25 milhões de toneladas consumidas em 2022/23. Já os estoques globais foram reduzidos, mas devem permanecer “adequados”. “Seria necessário mais desgaste de estoque ou uma potencial quebra de safra em um grande produtor para considerarmos os estoques apertados”, relata. Com isso, a relação estoque-uso deve ser de 47,8%.
Já o USDA estima uma produção de 182,9 milhões de toneladas em 2022/23, uma vez que a produção em países como Brasil, China e Rússia deve mais do que compensar os declínios na Índia e na Ucrânia. Além disso, a entidade crê que o consumo deve atingir um novo recorde devido ao crescimento dos mercados de China, Índia, Indonésia e Rússia. Além das exportações, os estoques também foram projetados para baixo já que o consumo deve exceder a produção.

A Czarnikow, por outro lado, estima produção e consumo inferiores. Segundo a consultoria, devem ser fabricadas 175,6 milhões de toneladas de açúcar; um dos fatores relevantes é a perspectiva de a Índia não atingir uma safra recorde em 2022/23. Já a demanda deve chegar a 177,1 milhões de toneladas, demonstrando aumento em relação ao ciclo vigente, especialmente por conta de mais economias retomarem o patamar de consumo anterior à pandemia e, também, por conta do aumento populacional.
A expectativa é parecida com a da ISO, que estima de 177,37 milhões de toneladas produzidas e 174,6 milhões de toneladas consumidas na próxima temporada.
Preços firmes
O BTG Pactual vê fundamentos favoráveis ao preço do açúcar em sua análise lançada em abril. Com a temporada brasileira de cana se recuperando do ciclo anterior, a moagem deve atingir entre 560 e 670 milhões de toneladas, conforme o banco. Ainda que estime que a produção de açúcar deva crescer 9% no ano, a empresa completa: “Vemos o mercado global funcionando com déficit com base em uma melhoria de 1% ao ano na demanda”.

O banco ainda acrescenta que outras empresas de consultoria estão apontando para um pequeno superávit em 2022/23, o que pode ter impacto limitado nos preços. Por outro lado, a relação entre oferta e demanda ainda pode se mostrar muito mais apertada, segundo o BTG.
A justificativa seria de que os preços do etanol hidratado no Brasil estão atualmente com um prêmio de 9% em relação ao açúcar, o que significa que o mix de produção pode ser menor para o adoçante do que o esperado. “Isso não deve funcionar apenas como um piso para os preços do açúcar, mas pode até elevá-los, com o Brasil ostentando a flexibilidade de remover mais de 8 milhões de toneladas de açúcar do mercado”, complementa o relatório.
Para 2021/22, a ISO tem expectativas de preço que vão de neutras a baixas. “Os fundamentos mostram um pequeno superávit, enquanto as estimativas de comércio revelam um excedente significativo, principalmente no açúcar bruto, nos demais meses da temporada 2021/22”, destaca a entidade em relatório.
Ciclo vigente com leve superávit
Considerando os 15 números levantados pelo NovaCana, a diferença entre produção e consumo ficou em um superávit de 720 mil toneladas de açúcar, considerando o saldo global para 2021/22. A TRS foi responsável pela expectativa mais baixista, considerando um déficit de 2,91 milhões de toneladas, e o Pecege o mais altista, com 5,69 milhões de toneladas de superávit.
O cenário se inverte ante as 1,52 milhão de toneladas deficitárias estimadas no levantamento anterior, realizado pelo NovaCana em novembro do ano passado. Em março daquele ano, por sua vez, as expectativas eram de superávit de 1,35 milhão de toneladas.
Embora a ISO tenha visão de um superávit para o ciclo global vigente, ele deve ser de somente 237 mil toneladas, conforme relatório publicado em maio deste ano – ainda assim, o valor é uma reversão do déficit estimado em relatório anterior.
Já para a StoneX, também com visão de superávit, o excedente deve ser menor que o previsto para o ciclo 2022/23, atingindo 900 mil toneladas positivas. A Green Pool, por sua vez, espera um superávit ainda maior, de 2,29 milhões de toneladas de açúcar.
Para o ciclo vigente, a StoneX destaca a produção dos estados indianos de Maharashtra e Karnataka. Conforme dados da Associação Indiana de Usinas de Açúcar (Isma, na sigla em inglês), até o final de abril, a Índia já havia produzido cerca de 34,2 milhões de toneladas de açúcar, 13,7% acima do ano anterior. O fato elevou a estimativa produtiva da StoneX para o país para 35,5 milhões de toneladas.
A ISO, por sua vez, estima 35,5 milhões de toneladas sendo produzidas pelo país indiano em 2021/22 e complementa: “Um aumento substancial nas exportações indianas para 8,75 milhões de toneladas é fundamental para explicar a dinâmica recente e impulsionar as perspectivas para o restante de 2021/22”.

Outro aspecto levado em consideração pelas empresas é a restrição à exportação de açúcar na Índia, que colocou um limite de 10 milhões de toneladas. Essa foi a primeira restrição em seis anos.
A Green Pool, por exemplo, espera 35,4 milhões de toneladas para a Índia, considerando melhores resultados da colheita do que o esperado e um aumento relevante no oeste de Maharashtra.
A entidade também destaca a produção paquistanesa, com resultado “inesperadamente bom” para o ciclo 2021/22, estimando 7,5 milhões de toneladas de açúcar. “Embora o governo tenha proibido recentemente as exportações, esperamos que o Paquistão exporte um estoque considerável antes do início da nova safra em 22 de novembro”, destaca o release divulgado em abril.

Já na Tailândia, a StoneX espera a produção de 10,1 milhões de toneladas de açúcar, a partir de uma moagem de 92 milhões de toneladas de cana. O valor apresenta recuperação ante o ciclo 2020/21, momento em que a produção de açúcar foi a menor desde 2009/10 devido à seca. Já a visão da consultoria para a China é de uma produção de 9,9 milhões de toneladas de açúcar, demonstrando queda.
Esta também é a análise da Green Pool, que espera 9,56 milhões de toneladas vindas do país asiático. “Uma redução maior do que o esperado na área de beterraba sacarina, clima ruim e covid-19 nas áreas de cana do Sul do país reduziram a produção prevista da China”, destaca.
Para o Brasil, as expectativas da StoneX são mistas. A entidade espera que sejam fabricadas 29,9 milhões de toneladas de açúcar no Centro-Sul brasileiro. O último trimestre de 2021 e o primeiro de 2022 tiveram impactos de uma safra prejudicada por intempéries climáticas durante o desenvolvimento dos canaviais, o que refletiu em uma redução da moagem e, consequentemente, na produção de açúcar.
Por outro lado, a partir de maio deste ano, as usinas passaram a intensificar a moagem devido às boas chuvas e visões de aumento do rendimento médio dos canaviais. Esse cenário compensaria a contribuição brasileira no saldo global de açúcar 2021/22.
Além da maior moagem, o volume já com preços fixados em Nova York deve favorecer a fabricação de açúcar, ainda que o mix produtivo beneficie a fabricação de etanol.
Já nos Estados Unidos, a produção da commodity deve chegar a 8,4 milhões de toneladas, uma redução ante a estimativa anterior da StoneX, uma vez que a produção de beterraba no estado de Michigan ficou abaixo do esperado, além de um ciclo prolongado na região entre Dakota do Norte e Minnesota.
No México, por sua vez, a consultoria espera que sejam produzidas 6,2 milhões de toneladas do adoçante. A perspectiva positiva para o país se dá por um aumento na taxa de extração de açúcar, com produção mais elevada ante o mesmo período do ano passado considerando o período até 30 de abril.
Produção versus consumo no ciclo atual
Conforme a StoneX, é esperada uma produção de 189,3 milhões de toneladas de açúcar globalmente em 2021/22 – crescimento anual de 3% –, considerando aumentos expressivos na produção de Índia e Tailândia, mas resultados menores nas Américas.
Já do lado da demanda, a entidade estima que sejam consumidas 188,4 milhões de toneladas. Mesmo que o aumento dos casos de covid-19 na China seja um ponto de alerta, há expectativas de retomada do crescimento global e manutenção do controle da pandemia.
“Além disso, vale destacar que o prêmio do açúcar branco, utilizado como balizador da margem de refino, vem se posicionando acima de US$ 100/t desde o começo de março de 2022, o que tende a indicar maior apetite de compra por parte de polos de refino”, destaca o relatório.
A Green Pool, por sua vez, espera que sejam fabricadas 190,14 milhões de toneladas da commodity contra um consumo de 186,86 milhões de toneladas.
Já a previsão da ISO é uma produção mundial de 174,03 milhões de toneladas de açúcar, representando um aumento substancial em relação a fevereiro. O consumo, por sua vez, seria de 173,79 milhões de toneladas.
A entidade destaca mudanças significativas de variáveis macroeconômicas, impulsionadas pelas consequências da pandemia, tensões geopolíticas entre a Rússia e a Ucrânia e o recente aumento do custo de vida. Estes fatores elevaram os preços e resultaram em um alto nível de incertezas.

Além disso, a StoneX espera que os estoques fiquem posicionados em 79,3 milhões de toneladas, com crescimento anual de 5,5% e uma relação estoque-uso de 39,9%. Já a ISO estima estoques de 95,53 milhões de toneladas no ciclo vigente e uma relação estoque-uso de 54,97%
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana