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Pellets de cana ainda não aqueceram e Cosan Biomassa registra novo prejuízo

pellets-biomassaCompanhia não confirmou se resultados já representam operação em escala comercial

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Em seu segundo ano de operação, a fabricante de pellets Cosan Biomassa terminou 2016 com um prejuízo líquido de R$ 30,36 milhões. O resultado representa um aumento de mais de 145% em relação ao prejuízo registrado um ano antes.

Em 2015, o balanço da empresa até 31 de dezembro refletia o estágio de investimentos e ajustes na produção da companhia, que só começaria a operar em escala comercial em 2016.

O NovaCana entrou em contato com a Cosan Biomassa para confirmar se o balanço divulgado representaria os resultados de seu primeiro ano de operação em larga escala. Por meio de sua assessoria de imprensa, a empresa afirmou que não se posicionaria sobre a questão.

Em 2016, a Cosan Biomassa viu um crescimento significativo dos seus custos, mas suas receitas foram pouco expressivas. Além disso, a companhia também viu um crescimento de suas dívidas de curto-prazo com empréstimos e financiamentos.

A atenção assim se volta para a produção da empresa, que, pelo números apresentados, ainda precisa refletir o potencial. Veja na reportagem a seguir os detalhes.

Em seu segundo ano de operação, a fabricante de pellets Cosan Biomassa terminou 2016 com um prejuízo líquido de R$ 30,36 milhões. O resultado representa um aumento de mais de 145% no prejuízo registrado um ano antes. Em 2015, a companhia terminou o ano com prejuízo de R$ 12,36 milhões.

Em 2015, o balanço da empresa até 31 de dezembro refletia o estágio de investimentos e ajustes na produção da companhia, que só começaria a operar em escala comercial em 2016. O NovaCana entrou em contato com a Cosan Biomassa para confirmar se o balanço divulgado representaria os resultados de seu primeiro ano de operação em larga escala. Por meio de sua assessoria de imprensa, a empresa afirmou que não se posicionaria sobre a questão.

Em relação aos resultados, o custo dos produtos vendidos cresceu de maneira significativa, passando de um pouco mais de R$ 2,8 milhões em 2015 para R$ 13,7 milhões em 2016 – um aumento de mais de 380%.

O resultado ficou pior pois a ampliação dos custos não foi acompanhada na mesma proporção pela receita da empresa. Apesar de ter praticamente dobrado, passando R$ 440 mil para R$ 875 mil na comparação anual, o indicador permanece baixo quando comparado com os indicadores de custos. Em 2015, por exemplo, cada R$ 1 de receita líquida era acompanhado por custos operacionais de R$ 6,38. Em 2016, esse valor passou para R$ 15,62.

Endividamento

O endividamento total da Cosan Biomassa ao final de 2016 ficou praticamente estável em relação à posição observada em 31 de dezembro de 2015, com um total de R$ 151,6 milhões de dívidas com empréstimos e financiamentos – queda de 0,3% na comparação anual. Entretanto, o perfil dessa dívida mudou.

Do total, 53,5% das dívidas são de longo prazo, somando mais de R$ 81 milhões. O passivo dessa categoria, no entanto, caiu 25% em relação ao ano passado.

Já as dívidas de curto prazo, com vencimento em até 12 meses, cresceram 63% na comparação entre 2015 e 2016, passando a somar R$ 70,5 milhões e a representar 46,5% do total – ante participação de 28,4% ao final de 2015.

Histórico da Cosan Biomassa

Criada em 2010, a Cosan Biomassa nasceu com o propósito de desenvolver um mercado de longo prazo para o bagaço e a palha da cana-de-açúcar por meio da produção de pellets da biomassa. Após anos de pesquisa tecnológica, uma planta comercial na região de Jaú (SP) entrou em operação em 2015.

Pouco depois, em fevereiro de 2016, foi anunciado que a Cosan Biomassa entraria no seu primeiro ano de escala comercial com uma sócia de peso: a Sumitomo Corporation, que passaria a ter 20% de participação na companhia. Na época da formação da joint venture, a empresa afirmou que já contava com contrato de longo prazo de aquisição de bagaço e negociava o primeiro contrato de venda do produto final no mercado internacional.

Ainda assim, em dezembro, executivos da Sumitomo pediram ao governo brasileiro que solicitasse ao governo japonês uma maneira de facilitar a exportação de pellets produzidos a partir de resíduos da cana. O pedido foi justificado com o argumento de que, embora o Japão incentive a importação de biomassa, esse tipo de produto tem ingressado no país como resíduo. Para tornar o comércio dos pellets mais favorável, assim, seria necessário mudar a classificação do produto no país.

Segundo informações da Cosan Biomassa, a unidade tem capacidade para produzir 175 mil toneladas de pellets por ano. O objetivo seria expandir a produção para 2 milhões de toneladas até 2025 e para 8 milhões de toneladas no futuro. Além disso, a estimativa é de que o Japão deverá importar entre dez e 20 milhões de toneladas de biomassa peletizada até 2030.

Marina Gallucci – NovaCana

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