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Pecege projeta preços para 2021/22: açúcar, etanol, energia, ATR e CBios

Segundo o instituto, ainda que o biocombustível tenha crescido em rentabilidade, adoçante segue tendo papel principal na temporada

NovaCana 18 min de leitura

Preços muito vantajosos para a exportação de açúcar VHP e, também, para vendas do cristal, comercializado no mercado doméstico. Valor do etanol em recuperação, especialmente impulsionado pelo anidro. Comercialização de energia vantajosa devido à redução da produção nas hidrelétricas. Mercado estável para os CBios.

Esse é um panorama do que o Instituto de Pesquisa e Educação Continuada em Economia e Gestão (Pecege) visualiza, relacionando históricos e projeções, para a temporada 2021/22.

Anteriormente, o NovaCana já havia destacado as expectativas do instituto para o clima e suas estimativas de produção para a temporada. Agora, o portal traz em maiores detalhes o que o instituto enxerga para o ciclo, incluindo perspectivas para comercialização de açúcar nos mercados interno e externo, vendas de etanol, preços do açúcar total recuperável (ATR), mercado de CBios e energia.

As informações foram divulgadas em evento on-line promovido pelo Pecege no último dia 26.

Preços muito vantajosos para a exportação de açúcar VHP e, também, para vendas do cristal, comercializado no mercado doméstico. Valor do etanol em recuperação, especialmente impulsionado pelo anidro. Comercialização de energia vantajosa devido à redução da produção nas hidrelétricas. Mercado estável para os CBios.

Esse é um panorama do que o Instituto de Pesquisa e Educação Continuada em Economia e Gestão (Pecege) visualiza, relacionando históricos e projeções, para a temporada 2021/22.

Anteriormente, o NovaCana já havia destacado as expectativas do instituto para o clima e suas estimativas de produção para a temporada. Agora, o portal traz em maiores detalhes o que o instituto enxerga para o ciclo, incluindo perspectivas para comercialização de açúcar nos mercados interno e externo, vendas de etanol, preços do açúcar total recuperável (ATR), mercado de CBios e energia.

As informações foram divulgadas em evento on-line promovido pelo Pecege no último dia 26.

Rentabilidade com o açúcar

A princípio, o instituto possui uma visão otimista para os preços do açúcar em 2021/22, levando em conta o cenário de retração na oferta do produto brasileiro. “A curva dos contratos futuros sugere que o preço deve permanecer próximo dos 17,25 centavos de dólar por libra-peso ao longo dos próximos meses”, detalha o economista do Pecege, Haroldo Torres.

Em maio, o preço médio do produto negociado nas bolsas internacionais foi de cU$ 17,20/lb, registrando um aumento de 6,2% ante o registrado no mês anterior e de 17,3% no acumulado desde o início do ano, de acordo com o apresentado pelo Pecege.

Ainda segundo os pesquisadores, os fundos especulativos seguem uma forte posição comprada no mercado desde abril de 2020, demonstrando tendência de valorização. Há, também, uma apreciação a partir da última semana de maio pelo cenário brasileiro recente de um maior direcionamento da matéria-prima para o etanol anidro.

pecege fundos especulativos 290621

“A posição líquida dos fundos especulativos sugere consenso do mercado em favor da manutenção de um patamar altista nos preços do produto”, detalha Torres.

Outra variável que compõe os preços são os estoques: eles vêm caindo e, na medida que isso ocorre, há pressão sobre os preços.

Com uma projeção estável de câmbio, o Pecege estima um preço FOB (free-on-board) na exportação variando de R$ 1.900 a R$ 2.000 por tonelada ao longo desta safra. “Isso é impulsionado especialmente pelos movimentos cambiais, ficando ligeiramente abaixo do patamar histórico dos preços nominais atingido em fevereiro”, completa Torres.

pecege açúcar preço 290621

Além disso, conforme o Pecege, a maximização da produção de açúcar para o mercado internacional reduz a oferta doméstica. Torres acredita que as usinas que produzem açúcar refinado e cristal vão ser beneficiadas. “Enquanto o preço de exportação deve permanecer flat [estável], a visão para o cristal é de uma ligeira valorização ao longo do ano. O produto no mercado interno já acumula 60% de aumento nos últimos 12 meses”, afirma o economista.

Com isso, o Pecege projeta para 2021/22 uma elevação gradual no valor do adoçante, que deve ser negociado a um preço médio de R$ 111,15 por saca de 50 quilos, um avanço de 31,49% sobre o registrado em 2020/21.

pecege cristal preço 290621

Exportação tende a se estabilizar

Em 2021, as exportações de açúcar tiveram uma elevação intensa logo no começo do ano em relação ao ano anterior. Somente no período de entressafra, por exemplo, a ampliação foi de 34,8%.

pecege export acucar 290621

Torres detalha que o movimento deste ano se deu principalmente para o cumprimento de contratos firmados pelas usinas e que venceram em março, uma vez que as produtoras tinham um volume considerável já negociado com preço travado. A situação, obviamente, levou ao aumento da produção em 2020/21.

“Porém, daqui em diante, as exportações não devem superar as do ano passado, principalmente por conta da redução de quase 4 milhões de toneladas produzidas [pelo Brasil] e de um ligeiro direcionamento para o etanol”, completa o economista.

Ainda assim, a virada para um mix mais alcooleiro, focado no etanol anidro, tem suas limitações, pois as usinas já têm a maior parte da produção de açúcar negociado e com preços fixados.

De todo modo, o Brasil bateu recorde nas exportações de açúcar em 2020, com volume quase 79% superior à média das safras anteriores. “No ano passado, a mudança de chave para o açúcar ocorreu no início da safra, no auge da pandemia e com o preço do etanol desabando”, considera Torres. “A intensa desvalorização do real, que se iniciou em maio de 2020, refletiu diretamente nas exportações de açúcar”.

Grandes produtores compensam queda brasileira

Para 2021/22, o cenário projetado de produção global de açúcar é de 186 milhões de toneladas, conforme dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apresentados pelo Pecege. O aumento anual é de pouco mais de 3% frente às 180 milhões de toneladas da commodity fabricadas na safra anterior.

Com o Brasil reduzindo sua produção, os principais crescimentos devem vir da Tailândia (+40%), da União Europeia (+7,48%) e da Índia (+2,78%), detalha Torres.

No mesmo comparativo, o consumo deve crescer 1,2%, de 172 milhões de toneladas para 174 milhões, com destaque para a ampliação da demanda na China e na Índia com a maior liberação das atividades econômicas.

Em relação aos estoques, Torres expressa que eles podem apresentar uma redução marginal se a Tailândia decidir diminuir o seu armazenamento para aproveitar o bom momento para exportações do produto.

Entretanto, o economista alerta que a safra tailandesa começa somente em dezembro e que o país está enfrentando, atualmente, uma retração na produção do adoçante. “Por isso, ainda que com um superávit esperado para 2021/22, a queda na produção brasileira pode pressionar a disponibilidade do produto no mercado internacional durante o segundo semestre”, completa.

Anidro puxa etanol

Para a atual safra, a previsão do Pecege para o preço líquido médio do etanol anidro na condição PVU (Posto, Veículo, Usina), sem impostos e sem frete, é de R$ 2,84 por litro, um aumento de 35,6% sobre 2020/21. O preço do anidro é dado pelo preço do hidratado somado a um prêmio de remuneração.

Já o preço do hidratado deve ficar, na média, em R$ 2,60/L, aumento anual de 38,84%. “São preços muito atraentes, assim como os do açúcar, o que mostra que esta safra terá uma dualidade entre açúcar e etanol”, completa Torres.

pecege preco etanol 290621

Ele lembra que, em abril do ano passado, o setor passou pelo momento de maior atenção e crise, com os preços “batendo no fundo do poço”. Ainda assim, a situação posterior foi de “franca recuperação”, tanto para o hidratado quanto para o anidro.

“Em 2019/20, o etanol foi o rei, foi o ativo que brilhou no setor sucroenergético”, rememora Torres. E, nessa temporada, o produto tem superado as expectativas iniciais, com a comercialização do anidro seguindo o mesmo nível de venda de 2019/20. Já no comparativo com a temporada anterior, a 2020/21, as vendas de anidro cresceram 32,1% no acumulado até a segunda quinzena de maio.

Enquanto isso, o hidratado avançou, no mesmo comparativo, 7,72%. O produto está com comercializações acima do ano passado, mas mais estável. De acordo com o economista do Pecege, o cenário demonstra que a recuperação do biocombustível vem mais forte para o lado do anidro.

pecege venda etanol 290621

Entre os motivos para isso está a baixa competividade do renovável em detrimento da gasolina, destaca Torres. Ele completa que, em maio, todos os estados registraram um preço para o etanol acima de 70% do custo do correspondente fóssil, ultrapassando assim o limite considerado economicamente vantajoso ao renovável.

Até o período 26 de junho, o preço do etanol seguia não sendo vantajoso na média de todos os estados brasileiros. “Nesse cenário, há uma migração do consumo de combustível para a gasolina com a redução de competitividade do etanol com a curva da relação de preços aumentando”, completa Torres.

O economista ainda afirma que, dentre os motivos para este crescimento, estão o atraso no início da safra 2021/22 e a preferência das usinas pela fabricação do açúcar para exportação. “Houve uma sugestão de algumas distribuidoras de reduzir a mistura de anidro de 27% para 18% alegando que não havia disponibilidade do produto no mercado doméstico, o que é uma falácia”, explica Torres, garantindo que há produto suficiente.

De acordo com ele, a diminuição das vendas durante a safra 2020/21 refletiu diretamente em um aumento do estoque do biocombustível. Em abril, os tanques de armazenamento das usinas estavam com volume acima do visto no ciclo 2019/20, mas abaixo de 2020/21.

“Agora, os estoques voltam a se recompor com o início da safra”, completa Torres. Ainda assim, em 16 de junho, o volume físico armazenado de etanol estava 26,8% abaixo do registrado no mesmo período de 2020/21.

pecege estoque etanol 290621

Exportação do renovável

As exportações de etanol também têm sido um bom negócio para as usinas. De acordo com Torres, desde junho do ano passado, as exportações líquidas do produto (ou seja, a diferença entre o volume exportado e o importado) estão “muito maiores” do que em anos anteriores, com o setor se beneficiando do câmbio.

No acumulado de 2020, as exportações líquidas avançaram 33,4% comparativamente com 2019. O destaque foi para o último trimestre do ano, que acumulou um aumento relativo de 124,2%.

“O movimento persistiu no início deste ano. Fevereiro, março e até mesmo maio são meses em que tivemos um aumento na exportação no comparativo com anos anteriores. Em função da taxa de câmbio, o etanol brasileiro passa a ganhar competividade no mercado internacional”, explica o economista do Pecege.

Etanol leva breve vantagem sobre açúcar

De acordo com Torres, no ano passado, a relação de preço entre o etanol e o açúcar favoreceu fortemente o segundo. Entretanto, em maio deste ano, houve uma virada momentânea na chave a favor do etanol. Neste período, o retorno do biocombustível foi de R$ 1,75 por quilo de ATR destinado a sua produção, enquanto o do açúcar foi de R$ 1,67.

“O [petróleo] brendt no mercado internacional atingiu quase 75 dólares o barril, um fator que foi somado ao câmbio desvalorizado e ao consumo reagindo”, aponta Torres como as principais motivações da mudança.

Ainda assim, o Pecege estima uma manutenção da relação favorável à fabricação do açúcar já a partir do segundo semestre. “Não houve uma migração tão drástica para o etanol e, além disso, uma parcela da produção de açúcar já tem preços travados”, justifica Torres.

Custos elevados do ATR

O Pecege projeta que a safra 2021/22 terá um preço de ATR, com base no Consecana-SP, de R$ 1,0238 por quilo. O valor significa um aumento anual de 31,5%, uma vez que a temporada 2020/21 fechou em R$ 0,7783/kg.

“Teremos um arrendamento puxado, com um aumento de mais de 30% no preço do ATR nesta safra e a ampliação das toneladas praticadas no arrendamento. Pela primeira vez ao longo dos últimos dez anos do setor sucroenergético, teremos um custo-caixa da cana de terceiros superior ao custo-caixa da cana própria”, detalha Torres.

Ele complementa que as indústrias a serem beneficiadas pelo movimento são as com menor pressão vinda de matéria-prima de fornecedores, ainda que haja impactos vindos dos custos com arrendamentos.

pecege preco ATR 290621

O instituto também aponta que o custo do ATR desta safra é o maior das últimas cinco quando são considerados os preços reais do quilo do ATR, descontando os efeitos da inflação. Considerando um aumento esperado de 5,6% no índice de preços entre maio de 2021 e março de 2022, o valor do ATR para a temporada 2021/22 deve ser próximo de R$ 0,9664/kg, um ganho 17,5% acima da inflação.

O Pecege também realizou uma projeção de cenários para os preços do ATR levando em conta as variáveis de valor dos açúcares exportado e cristal, petróleo, e etanóis anidro e hidratado, além de taxa de câmbio. Em caso de queda de preços, o ATR ficaria em R$ 0,9745/kg; já em um cenário de alta, o valor subiria para R$ 1,0732/kg.

pecege ATR cenarios 290621

Migração para soja e milho

Um fator que pode pressionar a produção e os preços no setor sucroenergético é a troca de plantio entre a cana-de-açúcar e os grãos, temporariamente mais rentáveis.

No segundo semestre de 2020, de acordo com Torres, os preços do milho e da soja dispararam no mercado internacional, com máximas próximas às observadas nos últimos 15 anos. “Inclusive, houve um aumento mais recentemente do milho em função de um contexto brasileiro com estoques reduzidos e problemas climáticos com o milho safrinha”, aponta o economista.

Enquanto a soja acumulou um avanço de 20,8% em seu índice de preço entre os meses de janeiro e junho de 2021, o milho subiu 41,1%. Já o açúcar, no mesmo comparativo, cresceu 13,4% e o trigo somente 6,7%.

Torres completa que, analisando friamente a rentabilidade dos produtos em 2020 e 2021, mesmo com os preços amplamente vantajosos do açúcar, os grãos superaram a rentabilidade obtida com a cana em algumas regiões. “O primeiro efeito é que os fornecedores, em sua área de reforma, acabaram migrando para os grãos e se beneficiando do movimento de valorização dos preços. Porém, o maior retorno está associado ao maior nível de risco”, pondera Torres.

pecege commodities 290621

Além disso, o dono da terra de plantio tende a exigir uma revisão dos valores de arrendamento das áreas com cultivo de cana-de-açúcar em função dos valores praticados pelo setor de grãos. “Em 2021, várias regiões estão sofrendo uma pressão exigindo remuneração incremental ou revisão dos contratos de arrendamento em função do que tem sido pago nos contratos de grãos”, detalha o economista do Pecege.

Ainda assim, a migração da produção para grãos pode ser temporária, com o produtor voltando para a cana já na próxima safra.

Bioeletricidade pode ser vantagem

Outro ativo relevante para as usinas é a energia, especialmente para as unidades com maior eficiência energética e potencial para exportar uma quantidade substancial de bioeletricidade.

Torres destaca que, neste ano, há uma característica adicional: a forte seca que prejudicou o plantio deve ajudar na recuperação de preço da bioeletricidade com a redução de produção das hidrelétricas.

“Analisando os níveis dos reservatórios hidrológicos do Centro-Oeste e Sudeste, estamos em um nível muito abaixo em relação aos quatro anos anteriores, em praticamente 28% do potencial desses reservatórios, e já estamos entrando nos meses secos de inverno, quando o nível de armazenamento tende a cair ainda mais”, explica Torres.

Para as sucroenergéticas, isso se torna um vetor positivo com a elevação do preço de liquidação das diferenças (PLD), que é praticado no mercado à vista de energia. A projeção do Pecege é que ele atinja R$ 584 por megawatt-hora na média simples no mês de julho. Em maio de 2020, ele era de R$ 218/MWh. “No ano passado, o PLD foi muito baixo por conta da redução do consumo de energia pelo setor industrial, então teremos uma valorização este ano”, afirma.

Segundo Torres, esta melhoria no preço do mercado de energia retoma a discussão do recolhimento parcial da palha para dentro da indústria. “Tem usinas que levam 13% [da palha], reduzindo densidade de carga e o custo de CTT [corte, transbordo e transporte]. Passando a levar mais palha, elas aproveitam os preços de energia no pico da safra, o que vai coincidir com o pico do PLD”, completa.

Além disso, algumas produtoras devem adquirir bagaço de unidades que não têm cogeração ou até negociar a compra de cavaco de madeira ou outras biomassas.

O Pecege destaca que grande parte da comercialização de energia feita pelas sucroenergéticas ainda se restringe ao mercado regulado de longo prazo. Com isso, os ganhos com bioeletricidade não variam de forma tão significativa quanto a oscilação do PLD.

O PLD é um valor de referência usado na formação de contratos em mercado livre, precificando eventuais sobras na energia solicitada. Ele é calculado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) por meio de um modelo feito para definir o preço em diferentes regiões do país. De acordo com o Pecege, quanto maior a sobreposição da quantidade de energia demandada sobre a ofertada, maior é o indicador a fim de incentivar a economia de energia.

Estabilidade para os CBios

A visão do Pecege é que haja uma estabilidade de preço dos créditos de descarbonização (CBios), na faixa dos R$ 30, durante a safra.

De janeiro para cá, o volume financeiro movimentado pelos títulos criados pelo programa RenovaBio vem sendo estável, com as distribuidoras fazendo compras de forma mais linear e homogênea, ressalta Torres. O preço de janeiro até março também ficou praticamente estável.

O economista ressalva que, em 2021, até a segunda semana de junho, o volume financeiro acumulado nas negociações foi de R$ 491,2 milhões.

No terceiro mês desse ano, houve um aumento desse montante, uma vez que a maior parte das usinas opera no regime de ano-safra e não de ano civil. “Em março, muitas usinas aproveitaram para vender CBios para aumentar a geração de caixa, o que provocou uma redução no preço médio. A partir de abril, há uma retomada e, agora, volta a cair”, detalha Torres.

pecege preco CBIO 290621

Este cenário estável nos preços se dá especialmente porque, até a primeira quinzena de junho, mais de 69% da quantidade necessária de CBios para o cumprimento da meta já estava emitida. Com os 3,9 milhões de CBios não aposentados em 2020, 17,3 milhões de créditos estavam no mercado.

“Estamos carregando um volume de estoque do ano passado, o que pressiona a oferta; não teremos problema de oferta de CBios” expressa Torres.

Ele completa que há um excesso de créditos em relação à demanda. Além disso, o preço atrativo do petróleo no mercado internacional gera rentabilidade para o etanol e tende a pressionar o valor do CBio. “É o único ativo [comercializado das usinas] que não vamos ter preços muito atrativos; pelo contrário, deve seguir uma trajetória de redução senão de estabilidade”, pontua Torres.

O cenário estável é o oposto do visto no ano passado. Com as negociações iniciadas em junho de 2020 houve diversos picos de preços. O preço médio do ativo foi de R$ 34,48, porém ele chegou a uma máxima de R$ 64,61 em outubro. Em novembro, um recuo levou o custo do crédito para R$ 31,04.

Perspectivas para o câmbio

Torres pontua que, no auge da pandemia, as moedas de países como Índia, África do Sul, Tailândia e México, além do Brasil, tiveram desvalorização em relação ao dólar. Porém, quando a tensão inicial da crise sanitária se dissipou, a maior parte das moedas dos países emergentes foram se valorizando.

Considerando o pico de desvalorização do real, ocorrido em maio de 2020, a moeda nacional apresentou um recuo de 10%, enquanto África do Sul e México tiveram quedas de 25% e 15%, respectivamente. “O real, foi a moeda que mais se desvalorizou em função da pandemia, mantendo a oscilação desde então nos maiores níveis já observados”, afirma o economista.

Ele reitera que, recentemente, há uma trajetória mais acentuada de valorização do real, vinda da recuperação da taxa Selic e da redução dos diferenciais da taxa de juros em relação ao mercado internacional. De acordo com Torres, isso eleva a atratividade dos ativos precificados em reais. Além disso, a própria moeda americana está se desvalorizando após estímulos feitos na economia do país para conter a crise provocada pela pandemia.

O Pecege projeta que o câmbio para a safra 2021/22 deve sair de um patamar de R$ 5,30 para uma estabilidade R$ 5,10, ou pouco abaixo disso, durante o segundo semestre. “À medida que temos o início de 2022 e a aproximação do processo eleitoral, há aumento de risco fiscal e voltamos a uma trajetória de desvalorização”, completa Torres.

Com o câmbio mais valorizado em comparação com a safra passada, as usinas podem esperar por impactos nas receitas – especialmente para futuras fixações de valores –, nos custos de produção e no endividamento precificado em moeda estrangeira.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana

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