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Pecege reduz estimativa de moagem de cana no Centro-Sul para 560 milhões de toneladas

Queda foi motivada especialmente pela seca e pelo atraso no início da safra na região

NovaCana 5 min de leitura

Seca, demora para o início da moagem, menor produtividade e até mesmo a migração da área de cana-de-açúcar para outras culturas: estes são alguns dos fatores que o Instituto de Pesquisa e Educação Continuada em Economia e Gestão (Pecege) enxerga como motivos para redução da produção sucroenergética na temporada 2021/22.

O instituto havia estimado, em fevereiro, que seriam esmagadas 580 milhões de toneladas até o fim do ciclo, representando uma retração anual de 4,21% no comparativo com as 605,46 milhões de toneladas do fechamento de 2020/21. No levantamento mais recente, a visão caiu para 560 milhões de toneladas, uma redução de 7,51%.

Os números foram divulgados durante o evento on-line Expedição Custos Cana, ocorrido na última quinta-feira, 24.

Conforme o Pecege, os primeiros seis meses do ano foram muito mais secos do que a média histórica. Com isso, mesmo com as chuvas recentes em algumas áreas, o cenário de perdas deve ser irreversível. Além disso, a previsão de seca segue colocando em risco a produção, impactando não só variedades precoces e médias como também as mais tardias.

“Se eu sou penalizado de um lado na produtividade, tenho um ganho de outro que é a qualidade da matéria-prima”, explica o economista Haroldo Torres, ao detalhar a perspectiva de aumento de açúcar total recuperável (ATR) no mesmo comparativo.

Outro fator que pode motivar reduções, de acordo com Torres, é a migração de áreas de plantio de cana-de-açúcar para grãos, já que o milho e a soja têm atraído produtores por conta do bom momento de preços para estas culturas.

Confira, na versão completa, as estimativas do Pecege para ATR, produção de açúcar, etanol de cana e de milho, além de uma visão sobre os impactos da seca.

Seca, demora para o início da moagem, menor produtividade e até mesmo a migração da área de cana-de-açúcar para outras culturas: estes são alguns dos fatores que o Instituto de Pesquisa e Educação Continuada em Economia e Gestão (Pecege) enxerga como motivos para redução da produção sucroenergética na temporada 2021/22.

O instituto havia estimado, em fevereiro, que seriam esmagadas 580 milhões de toneladas até o fim do ciclo, representando uma retração anual de 4,21% no comparativo com as 605,46 milhões de toneladas do fechamento de 2020/21. No levantamento mais recente, a visão caiu para 560 milhões de toneladas, uma redução de 7,51%.

Os números foram divulgados durante o evento on-line Expedição Custos Cana, ocorrido na última quinta-feira, 24.

Conforme o Pecege, os primeiros seis meses do ano foram muito mais secos do que a média histórica. Com isso, mesmo com as chuvas recentes em algumas áreas, o cenário de perdas deve ser irreversível. Além disso, a previsão de seca segue colocando em risco a produção, impactando não só variedades precoces e médias como também as mais tardias.

“Se eu sou penalizado de um lado na produtividade, tenho um ganho de outro que é a qualidade da matéria-prima”, explica o economista Haroldo Torres, ao detalhar a perspectiva de aumento de açúcar total recuperável (ATR) no mesmo comparativo.

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Afinal, foi justamente por conta da seca que a previsão da qualidade da matéria-prima aumentou dos 141,22 quilogramas de ATR por tonelada, projetados em fevereiro, para 145,01 kg/t. O valor ainda representa uma ampliação de 0,2% no comparativo com o fechamento de 2020/21, quando o setor atingiu valores recordes no indicador.

“Prova disso é o que vem sendo visto no acumulado da safra até então, muito em linha com o ciclo passado”, completa Torres, referindo-se aos dados da segunda quinzena de maio.

Outro fator que pode motivar reduções, de acordo com o economista Haroldo Torres, é a migração de áreas de plantio de cana-de-açúcar para grãos, já que o milho e a soja têm atraído produtores por conta do bom momento de preços para estas culturas.

Quanto aos produtos, o Pecege estima que haverá queda na fabricação total, tanto para etanol vindo da cana quanto para o açúcar.

O adoçante deve encerrar a temporada 2021/22 com 34,93 milhões de toneladas, redução anual de 9,2%. Já em relação ao etanol, devem ser fabricados 28,3 bilhões de litros, uma retração de 6,82% ante um ano antes.

Por sua vez, a estimativa do Pecege quanto ao renovável proveniente do milho se manteve a mesma desde fevereiro, 3,09 bilhões de litros, representando aumento de 20,23% no comparativo anual.

Seca não é homogênea

O fato de que a ausência de chuva vem impactando os canaviais desde o ano passado está longe de ser uma novidade. Porém Torres alerta que a seca não é um fenômeno homogêneo: “Ela não vai prejudicar todas a usinas da região do Centro-Sul. Ao sul de Mato Grosso do Sul há clima muito positivo, inclusive”.

O economista chegou a esta conclusão a partir de dados que comparam a precipitação no Centro-Sul durante o primeiro trimestre de 2021 e a média histórica.

Segundo ele, o sul de Goiás, o triângulo mineiro e o norte do estado de São Paulo (especialmente Frutal, Orindiúva, São José do Rio Preto e Catanduva) são áreas fortemente impactadas pela seca, onde haverá as principais quedas de produtividade. Inclusive, tanto no norte de São Paulo quanto no extremo oeste do triângulo mineiro, há uma diferença hídrica superior a 270 milímetros de chuvas em relação ao usual para a região.

Além disso, excetuando a região norte de Minas Gerais e Goiás, todos os estados apresentam déficit hídrico superior a 100 milímetros em relação aos anos anteriores na maior parte do seu território, expressa o Pecege.

De acordo com dados de saúde vegetal recentes, disponibilizados ao Pecege pela Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), os estados de São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná apresentam condições de umidade e temperatura desfavoráveis para o crescimento vegetativo, fator que reforça as preocupações com produtividade.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana

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