Distribuidoras

Fecombustíveis pede redução na mistura de etanol anidro à gasolina para 18%

De acordo com representante das distribuidoras, sucessivos aumentos no preço do biocombustível e baixa oferta estariam prejudicando o comércio do combustível fóssil


NovaCana - 13 mai 2021 - 14:25

Em documento enviado ao Ministério de Minas e Energia (MME) ontem, 12, a Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis) sugeriu a intervenção do governo a fim de reduzir, temporariamente, o percentual da mistura de etanol anidro à gasolina para 18%.

A iniciativa tem apoio do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo (Sincopetro) e do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do ABCDMRR (Regran), e foi assinada pelo presidente da Fecombustíveis, Paulo Miranda.

A argumentação, que se baseia na lei nº 8.723/9, aponta que esta flexibilidade é possível, já que a variação da mistura pode ficar entre 18% e 27,5% – esta última é a porcentagem atual. “Cabe ao governo monitorar as questões que envolvem oferta e demanda, principalmente nos períodos de entressafra, para proteger o consumidor final que paga pelo produto”, afirma o documento, que também se apoia na lei nº 9.478 de 1997.

A justificativa para o pedido é o impacto da baixa oferta de ambos os etanóis e da elevação do custo do anidro na composição de preços da gasolina. O documento ainda afirma que, conforme relatos de distribuidoras regionais e vários revendedores, a escassez de anidro já estaria dificultando o fornecimento do combustível fóssil, o que gerou racionamento na entrega para os postos.

O contexto de aumentos nos custos dos combustíveis é explicado por meio de dados acumulados. No caso da gasolina, o acréscimo foi de 40,33% entre o início do ano e o dia 12 de maio. A política de preços da Petrobras, afirma o documento, relaciona as variações dos valores nas refinarias ao câmbio e à cotação internacional de petróleo.

Já o etanol, conforme dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) até o dia 7 de maio de 2021, teve aumento de 42,97% no caso do hidratado – que também estaria em falta em algumas distribuidoras – e de 37,54% no do anidro.

“Se considerarmos a comparação desde 30 de dezembro de 2019, o aumento do anidro é de 50,22%, o que vem impactando fortemente a composição de preços da gasolina”, complementa o documento. Estes aumentos nas usinas são repassados para as distribuidoras e, delas, para os postos.

Na opinião da Fecombustíveis, mesmo que a aplicação dos preços seja livre na “ponta final da cadeia”, dificilmente os postos conseguirão absorver novos aumentos, considerando a crise econômica que o país passa como um todo.

“O consumidor brasileiro está muito penalizado com as elevações de preços dos combustíveis. O custo de vida tem aumentado, o que vem causando perda da renda per capita, que se reflete na dificuldade da retomada de crescimento das vendas dos combustíveis”, Paulo Miranda (Fecombustíveis)

Com a sugestão da redução do percentual da mistura para 18% ou 22% – embasada por meio de tabelas comparativas –, a Fecomércio acredita que haverá uma ampliação da oferta e que, com isso, a tendência é a queda do preço para ambos os tipos de etanol.

Além disso, o documento reforça que esta redução não impactaria em aumento no custo do combustível fóssil. “A nossa preocupação de fato é com o racionamento nas entregas de gasolina, que já estão ocorrendo”, conclui.

A Fecombustíveis, que reúne 34 sindicatos patronais e a Abragás, representante de cerca de 41 mil postos de combustíveis, o segmento de transportadores, revendedores retalhistas (TRRs) e revendedores de GLP, relata que espera a consideração do ministro Bento Albuquerque sobre o pedido.

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Rafaella Coury – NovaCana

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