Etanol: Mercado

Momento de virada: Distribuidoras possuem mais CBios que usinas

Enquanto as produtoras detêm 7,99 milhões dos créditos disponíveis no mercado, as empresas com metas a cumprir têm 8,45 milhões


NovaCana - 17 jun 2021 - 14:30

Pela primeira vez desde dezembro do ano passado, as distribuidoras de combustíveis fósseis passaram a deter mais créditos de descarbonização (CBios) que as usinas. Os dados correspondem ao acompanhamento diário realizado pela B3, única entidade a atuar como registradora do RenovaBio.

Na posição referente a ontem, 16, as empresas com metas a cumprir possuíam 8,45 milhões de títulos, enquanto as produtoras de biocombustíveis tinham 7,89 milhões. Por sua vez, os investidores sem metas dispunham de 34,9 mil créditos. No total, 16,37 milhões de CBios estão em circulação, podendo ser negociados livremente.

O resultado demonstra que as companhias mantiveram a tendência de compras constantes observada nos últimos meses. Em comparação com o encerramento da quinzena anterior, o estoque de CBios das distribuidoras cresceu 9,8%. Já as usinas tiveram uma variação positiva de 0,7%, ao passo que os investidores desobrigados com o RenovaBio registraram uma queda de 0,8%.

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Além das vendas, o processo de aposentadoria – que retira os créditos de circulação – também está em alta. Na quinzena, 190,67 mil títulos saíram do mercado, devendo ser computados para o cumprimento das metas anuais das distribuidoras. Ao longo de 2021, 902,25 mil CBios já foram aposentados.

Apesar do aquecimento, o volume ainda é pequeno em relação à meta, representando 3,6% do objetivo anual de 24,86 milhões de CBios; na quinzena anterior, este índice era de 2,9%.

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Conforme regulamentação aprovada pela Agência Nacional do Petróleo Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) no final de maio, os CBios que forem aposentados por investidores sem metas a cumprir agora poderão ser abatidos das obrigações das distribuidoras. A redução, entretanto, só deve ser contabilizada para dos objetivos de 2022.

Negociações e preços

Na primeira metade de junho, a B3 contabilizou 630 negociações de CBios, movimentando 1,59 milhão de créditos. “Os números refletem todas as operações de compra e venda envolvidas em um ciclo de negociação. Assim, no caso de intermediações realizadas por corretoras ou outras instituições, primeiro é realizada uma operação de compra das quantidades e, depois, uma operação de venda para o investidor final”, explica a B3.

Ainda segundo a registradora, os preços dos créditos atingiram um valor médio de R$ 29,18 por título no período, mantendo a tendência de queda observada desde a segunda quinzena de abril. O valor ficou 4,5% abaixo da média de 2021 (R$ 30,57) e 24,4% aquém da histórica (R$ 38,62). Por fim, o preço também representa uma redução de 4,3% ante os R$ 30,49 registrados na segunda quinzena do maio.

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O valor mais alto registrado na quinzena ocorreu em 2 de junho, R$ 30,40; já o mais baixo foi observado no dia 11, R$ 28,30 – renovando a mínima do ano. Apesar de terem ocorrido flutuações ao longo do período, os preços médios tiveram quedas praticamente diárias, encerrando o mês a R$ 28,42.

Ainda assim, os preços estão de acordo com uma projeção feita em março pelo Santander. Conforme o banco, os CBios devem seguir em torno de R$ 30 a unidade ao longo do ano, uma vez que produtores de etanol e biodiesel não teriam tanto interesse em vender abaixo deste patamar.

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Desde o início da comercialização dos créditos, em junho do ano passado, seu valor oscilou entre R$ 15 e R$ 72. Em 2021, a variação foi menos ampla, indo de R$ 28,30 a R$ 35,70.

Escrituração

O número de CBios escriturados pelas produtoras de biocombustíveis em 2021 já soma 13,39 milhões de títulos. Somente na primeira metade de junho, a geração de crédito chegou a 1 milhão de unidades.

O montante representa uma queda de 34,4% ante o 1,53 milhão de créditos vistos na segunda quinzena de maio, mas está em linha com os desempenhos registrados nas quinzenas iniciais de meses anteriores.

Por enquanto, não é possível saber ao certo se há uma disparidade entre a geração de lastros e a escrituração dos títulos. Este acompanhamento específico, realizado pela ANP, deve ser atualizado apenas com a posição consolidada do mês.

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Considerando também o saldo de CBios deixado ao final de 2020, o volume total de títulos disponibilizados ao mercado chega a 17,27 milhões. Esta quantia é suficiente para atender a 69,5% da meta estipulada pelo RenovaBio para este ano.

Ao longo de toda a história do programa, as produtoras de combustíveis já emitiram 31,88 milhões de créditos.

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Atualmente, de acordo com a ANP, 277 unidades participam do RenovaBio; destas, duas fabricam biometano e 27, biodiesel. Dentre as 248 usinas de etanol certificadas, 240 utilizam apenas a cana-de-açúcar; cinco processam milho e cana; duas, apenas milho; e uma produz biocombustível de primeira e de segunda geração de forma integrada.

Renata Bossle – NovaCana


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