Na safra anterior, sucroenergética havia registrado o pior resultado da década, com perdas de R$ 56,08 milhões
Após um tímido lucro líquido de R$ 2,13 milhões em 2010, a usina Ester registrou perdas durante nove anos, acumulando um prejuízo de R$ 247,16 milhões. A sequência de resultados negativos, porém, chegou ao fim na safra 2020/21.
Como demonstra o balanço financeiro publicado no Diário Oficial de São Paulo, a companhia localizada em Cosmópolis (SP) teve um lucro líquido de R$ 42,01 milhões no período, o primeiro em dez anos. No ciclo anterior, a perda de R$ 56,08 milhões foi a maior da década.
Além disso, a receita operacional líquida registrada foi de R$ 554,59 milhões, o que representa um avanço de 48,7% quando comparada a 2019/20, quando o resultado foi de R$ 352,77 milhões.
De acordo com a companhia, a usina processa mais de dois milhões de toneladas de cana por safra, produzindo em torno de 100 milhões de litros de etanol, 100 mil toneladas de açúcar e 110 GWh de energia.
Confira na reportagem completa, exclusiva para assinantes:
- Resultados líquidos anuais da Usina Ester
- Relação entre receitas e custos
- Lucro bruto dos últimos anos
- Dívida atual da usina
Após um tímido lucro líquido de R$ 2,13 milhões em 2010, a usina Ester registrou perdas durante nove anos, acumulando um prejuízo de R$ 247,16 milhões. A sequência de resultados negativos, porém, chegou ao fim na safra 2020/21.
Como demonstra o balanço financeiro publicado no Diário Oficial de São Paulo, a companhia localizada em Cosmópolis (SP) teve um lucro líquido de R$ 42,01 milhões no período, o primeiro em dez anos. No ciclo anterior, a perda de R$ 56,08 milhões foi a maior da década.
De acordo com a companhia, a usina processa mais de dois milhões de toneladas de cana por safra, produzindo em torno de 100 milhões de litros de etanol, 100 mil toneladas de açúcar e 110 GWh de energia.

Desempenho operacional
Pelo segundo ano consecutivo, a Ester contabilizou um crescimento no seu lucro bruto. Em 2020/21, entretanto, a diferença foi considerável, com alta de 178,1% ante a safra anterior, passando de R$ R$ 66,23 milhões para R$ 184,17 milhões.

No período, a receita operacional líquida registrada foi de R$ 554,59 milhões, o que representa um avanço de 48,7% quando comparada a 2019/20, quando o resultado foi de R$ 352,77 milhões. Já os custos com produtos também aumentaram, mas em uma taxa menor, tendo uma variação de 7,6% e saindo dos R$ 317,20 milhões do ano anterior para R$ 341,32 milhões.
Com isso, a relação entre custos e receitas teve uma melhora, caindo de 89,9% para 65,1% – neste indicador quanto mais baixo o valor, melhor é o desemprenho da sucroenergética. O resultado da safra anterior, aliás, foi o pior resultado da série histórica iniciada em 2009.

Além do melhor resultado bruto e do crescimento na receita, outros fatores levaram ao melhor resultado final, como a diminuição nos custos administrativos, que passaram de R$ 40,19 milhões em 2019/20 para R$ 25,67 milhões na safra passada, uma queda de 36,1%.
Resultado financeiro e perfil da dívida
Apesar da melhora na fase operacional, o resultado financeiro da Ester segue prejudicando os números da empresa. Em 2020/21, a companhia teve despesas de R$ 77,4 milhões neste quesito – formadas, em grande parte, pelos gastos com pagamentos de juros. Em comparação com a safra anterior, o aumento foi de 40,4%.
Ao mesmo tempo, o impacto da variação cambial foi 24,5% menor, saindo de perdas de R$ 30,39 milhões em 2019/20 para R$ 22,93 milhões na temporada mais recente. A última vez que o câmbio gerou receita para a companhia foi em 2016/17, com R$ 9,18 milhões.

Ainda de acordo com o balanço financeiro divulgado, no final da safra 2020/21, a usina Ester possuía uma dívida bruta de R$ 414,55 milhões com empréstimos e financiamentos. O valor representa um crescimento de 18,4% em relação ao visto um ano antes, de R$ 350,21 milhões.
Segundo a companhia, R$ 142,52 milhões são correspondentes a débitos com vencimento em curto prazo, ou seja, ao longo da safra 2021/22. Neste caso, a posição teve queda de 0,7% quando comparada ao valor do ano anterior, de R$ 143,51 milhões.

Por sua vez, o valor dos financiamentos e empréstimos com vencimento em médio e longo prazo teve um aumento de 31,6%, indo de R$ 206,70 milhões para R$ 272,04 milhões em 31 de março de 2021.
Lucas Vasconcelos – NovaCana