Agência de classificação de risco elevou nota do grupo sucroenergético por conta do bom momento dos preços de açúcar e etanol e do ganho de capacidade
Quase quatro anos após vencer o leilão da usina Triálcool, a Companhia Mineira de Açúcar e Álcool (CMAA) subiu mais um degrau na classificação de crédito da S&P Global Ratings, indo de AA- para AA. Entre outros motivos, a mudança foi justificada pelo aumento de capacidade trazido com a incorporação da unidade que agora se chama Canápolis, em homenagem ao município mineiro homônimo.
Segundo relatório da agência de classificação de risco, o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da sucroenergética deve ser impulsionado pela maior moagem e pelos preços recordes do açúcar e do etanol. Ainda assim, o documento considera que a seca e a geada tiveram impactos negativos na produção das outras duas usinas do grupo, localizadas em Uberaba (MG) e Limeira do Oeste (MG).
Ainda de acordo com a S&P, uma das principais métricas analisadas foi a alavancagem bruta da companhia, que deve ficar abaixo de 2,5 vezes ao final da safra 2021/22. Para completar, a geração de fluxo de caixa operacional livre (FOCF, na sigla em inglês) foi projetada acima de R$ 250 milhões.
Com isso, além da maior nota, a CMAA também recebeu perspectiva positiva, indicando que pode ocorrer mais uma progressão em uma avaliação futura.
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Quase quatro anos após vencer o leilão da usina Triálcool, a Companhia Mineira de Açúcar e Álcool (CMAA) subiu mais um degrau na classificação de crédito da S&P Global Ratings, indo de AA- para AA. Entre outros motivos, a mudança foi justificada pelo aumento de capacidade trazido com a incorporação da unidade que agora se chama Canápolis, em homenagem ao município mineiro homônimo.
Segundo relatório da agência de classificação de risco, o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da sucroenergética deve ser impulsionado pela maior moagem e pelos preços recordes do açúcar e do etanol. Ainda assim, o documento considera que a seca e a geada tiveram impactos negativos na produção das outras duas usinas do grupo, localizadas em Uberaba (MG) e Limeira do Oeste (MG).
Ainda de acordo com a S&P, uma das principais métricas analisadas foi a alavancagem bruta da companhia, que deve ficar abaixo de 2,5 vezes ao final da safra 2021/22. Para completar, a geração de fluxo de caixa operacional livre (FOCF, na sigla em inglês) foi projetada acima de R$ 250 milhões.
Com isso, além da maior nota, a CMAA também recebeu perspectiva positiva, indicando que pode ocorrer mais uma progressão em uma avaliação futura.

Incorporação da usina Canápolis
Em seu relatório, a S&P aponta que a maior escala trazida pela usina Canápolis deve ser suficiente para cobrir os efeitos climáticos negativos registrados na atual temporada. Considerando as três usinas, a capacidade de moagem do grupo é de quase 10 milhões de toneladas de cana por safra.
“O aumento da moagem desta última [Canápolis], que passou de cerca de 800 mil toneladas na safra 2020/21 para cerca de 1,5 milhão de toneladas na safra corrente, mais que compensa a queda na moagem nas usinas Vale do Tijuco e Vale do Pontal, que sofrem os efeitos da seca e geadas em seus canaviais”, detalha o documento.
A S&P projeta um processamento de quase 8 milhões de toneladas na atual temporada, que ficará acima das 7,6 milhões de toneladas vistas em 2020/21. Além disso, a perspectiva para 2022/23 é de crescimento, chegando a 8,7 milhões de toneladas.
“A maior escala, caso a empresa mantenha um custo-caixa entre os melhores pares avaliados do setor, pode nos levar a elevar o perfil de risco de negócios para ‘regular’ nos próximos 12 a 18 meses”, detalha. Atualmente, este critério é classificado como “fraco”.
Alavancagem e liquidez
De acordo com o relatório, a CMAA deve apresentar redução de alavancagem mesmo em meio a um crescimento. Isso seria justificado pelo baixo custo-caixa de produção da sucroenergética e pelos preços recordes de açúcar e etanol, além de “certa redução” nos investimentos em expansão.
Conforme a S&P, a perspectiva é que o índice de dívida bruta sobre Ebitda fique abaixo de 2,5 vezes em 2021/22, enquanto a geração interna de caixa (FFO, na sigla em inglês) sobre a dívida bruta ficará acima de 30%. Além disso, ambos os índices devem permanecer nestes níveis nas safras subsequentes.
“Com isso, poderemos alterar o perfil de risco financeiro da CMAA para ‘significativo’ também nos próximos 12 a 18 meses”, completa. No momento, este índice é “agressivo”.
Outra perspectiva é relacionada ao “fortalecimento” da liquidez da companhia. Segundo o relatório, a CMAA tem buscado o mercado de capitais local para estender o prazo médio de sua dívida e reduzir seu custo, operando com uma posição de caixa “um pouco mais robusta” nos últimos meses e com um “perfil de amortização suave”.
“A empresa, entretanto, ainda não logrou manter folga de mais de 20% nas fontes de caixa sobre seus usos para os próximos 12 meses, o que poderia acontecer caso haja a emissão de um novo Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) ainda na safra corrente, assumindo investimentos (capex) em pouco mais de R$ 400 milhões e dividendos em torno de 25% do lucro líquido”, avalia.
Por conta disso, a S&P afirma que continua avaliando a liquidez da empresa como “menos que adequada”. Segundo o documento a relação entre as fontes de recursos sobre os usos de caixa para os próximos 12 meses está pouco abaixo de 1,2 vezes.
“[O índice está] refletindo os altos investimentos intrínsecos à indústria e relacionados sobretudo à manutenção das operações, incluindo tratos culturais, e a dívida de curto prazo, relacionada principalmente ao financiamento do capital de giro e ao carrego de estoques para venda na entressafra”, detalha.
A S&P reforça que os principais usos da liquidez da CMAA nos próximos 12 meses se referem à dívida de curto prazo – calculada em R$ 268,8 milhões em 30 de junho de 2021 –, além de saídas de capital de giro e capital de giro sazonal de cerca de R$ 90 milhões; investimentos projetados de aproximadamente R$ 420 milhões; e distribuição de dividendos de 25% do lucro líquido.
Possibilidade de elevação
Por ter recebido uma perspectiva positiva, a CMAA tem a possibilidade de receber uma nova elevação na próxima revisão da S&P.
Segundo a agência, isso deve acontecer se a sucroenergética registrar uma desalavancagem, com a dívida bruta sobre o Ebitda ficando ligeiramente abaixo de 2,5 vezes nas próximas duas safras. Além disso, a empresa também precisaria fortalecer sua liquidez gradualmente, mantendo fontes de caixa para os próximos 12 meses que sejam mais que suficientes para cobrir seus usos.
“Uma ação de rating positiva nos próximos 12 a 18 meses pode decorrer de volumes de moagem se aproximando da capacidade de quase 10 milhões de toneladas de cana por safra, enquanto a CMAA mantém seu baixo custo de produção”, observa.
Entretanto, esta maior moagem precisaria ser acompanhada de preços altos para o açúcar e para o etanol e por uma estratégia conservadora de investimento e remuneração aos acionistas. Nesse cenário, a S&P acredita que as fontes de caixa da empresa para os próximos 12 meses excederiam seus usos em mais de 20%, mesmo durante os períodos com maior exigência de capital de giro.
Ao mesmo tempo, ainda que esta não seja a possibilidade mais provável, a CMAA também corre o risco de ter sua nota rebaixada. Segundo a S&P, isso aconteceria no caso de uma queda acentuada nos preços do etanol decorrentes de preços mais baixos do petróleo ou de novas restrições relacionadas à covid-19, em meio aos efeitos da seca.
“Isso resultaria em FOCF negativo e pressão sobre a liquidez da empresa, com um déficit material nas fontes sobre os usos de caixa para os próximos 12 meses”, afirma e completa: “Nesse cenário, o índice de dívida bruta sobre o Ebitda se aproximaria de 4 vezes e o FFO sobre a dívida bruta de 12%, em uma base consistente”.
Perspectivas para o futuro
Em sua análise sobre a CMAA, a S&P Global Ratings adotou algumas premissas relacionadas ao cenário econômico e de preços. Entre elas, a agência considerou uma taxa de câmbio de R$ 5,30 por dólar em 2021 e de R$ 5,35/US$ em 2022.
Além disso, já observando a posição fixada da empresa, o preço do açúcar foi estabelecido como sendo de R$ 1.450 por tonelada em 2021/22 e de R$ 1.550/t em 2022/23. Já os valores médios do etanol anidro e do hidratado foram projetados em R$ 3,07 por litro e R$ 2,95/L, respectivamente, na safra 2021/22.
Com isso, a S&P também estima receitas em torno de R$ 1,8 bilhão em 2021/22 e de R$ 2 bilhões na safra seguinte – ambos os valores representam crescimento ante os R$ 1,4 bilhão da temporada passada.
Por sua vez, o Ebitda ajustado (que mede o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, além de considerar especificidades do negócio) da CMAA deve ser de cerca de R$ 900 milhões e R$ 970 milhões nas próximas duas safras, o que também caracteriza alta ante os R$ 625 milhões de 2020/2021.
Renata Bossle – NovaCana