Movimentos de Dilma serão cruciais para o futuro dos preços do açúcar
Dilma Rousseff, reeleita no mês passado como presidente do Brasil detém, em grande parte, o destino do mercado mundial de açúcar nas mãos, segundo análise de trading londrina. A empresa afirmou que a presidente brasileira poderia promover uma queda nos preços da commodity para cerca de 13 centavos de dólar por libra-peso, caso não mude de rumo.
Segundo a análise, graças à proeminência do Brasil como o maior produtor e exportador de açúcar, os rumos da economia brasileira tem prejudicado também o setor em todo o mundo, reduzindo o valor do adoçante em dólares.
Dilma Rousseff, reeleita no mês passado como presidente do Brasil detém, em grande parte, o destino do mercado mundial de açúcar nas mãos, segundo análise da trading ED&F Man. A empresa especializada em açúcar e café, afirmou na última quinta (6) que a presidente brasileira poderia promover uma queda nos preços da commodity para cerca de 13 centavos de dólar por libra-peso, caso não mude de rumo.
A comerciante de commodities com sede em Londres, cortou sua previsão para o excedente da produção mundial de açúcar em 2014/15, de 3,8 milhões de toneladas de 3,2 milhões de toneladas. Na nota em que informa a atualização, a ED&F Man diz que o primeiro mandato de Dilma deixou o "mercado desconfiando e o setor de açúcar e etanol machucado, ansiando por mudanças na política que injetem otimismo renovado".
Uma das principais queixas do setor estava no preço subsidiado da gasolina, o que limitava os preços de outros combustíveis, incluindo o etanol e, por sua vez, pressionava os valores de açúcar, que na usina disputa a matéria-prima com o biocombustível de cana.
No entanto, a fraqueza do real, reflexo da política econômica do governo Dilma, tem – graças à proeminência do país em açúcar, do qual é o maior produtor e exportador – prejudicado também o setor em todo o mundo, reduzindo o valor do adoçante em dólares.
É preciso entregar a mudança
Para a trading, se no segundo mandato de Dilma Rousseff o real repetir a desvalorização de 51% que alcançou no primeiro mandato, em 2018 a moeda brasileira chegaria a R$ 3,75 por cada US$ 1, um nível não visto desde 2002.
"A última vez que o real estava em R$ 3,75, o açúcar foi a 7 centavos de dólar por libra-peso", disse a ED&F Man, acrescentando que uma previsão mais realista seria o real terminar este ano em R$ 2,50, e enfraquecer ainda mais no próximo ano, “a menos que Dilma ofereça sinais fortes e corajosos de mudança”.
Conforme a análise, um teste fundamental de seu compromisso com a melhoria econômica estará em sua escolha do novo ministro da Fazenda, para substituir Guido Mantega.
No caso de “uma nomeação interna”, que parta de dentro do Partido dos Trabalhadores, “vai dar ao mercado um sinal sombrio de uma continuação do status quo", disse ED&F Man.
"Uma seleção externa apontaria para uma mudança de direção e um afastamento do método intervencionista de Dilma, um sinal positivo ao mercado”.
"Seus primeiros passos foram prometer mudança – agora ela precisa entrega-la”.
A trading acrescentou que na "falta de atividade pelo governo reeleito se poderia ver o mercado de açúcar cair de volta para os pontos baixos do ano".
Os contratos futuros de açúcar bruto em Nova Iorque atingiu uma baixa em 2014, com base em contratos no mercado à vista, de 13,32 centavos de dólar por libra-peso em setembro.
Redução do excedente
A ED&F Man disse que a redução da estimativa de excedente mundial de açúcar em 2014/15 para 3,2 milhões reflete os cortes de projeções para países produtores, incluindo China – que teve a fabricação da commodity rebaixada para 12,8 milhões de toneladas – México e Tailândia.
No entanto, a companhia disse também que sua estimativa para a produção indiana, em 25 milhões de toneladas, foi "conservadora" e "poderá dar alguma vantagem para o excedente global".
A estimativa da ED&F Man para o superávit mundial é maior do que a de muitos outros analistas, incluindo a Organização Internacional do Açúcar, que sinalizou esta semana que pode cortar sua estimativa de superávit para 1,3 milhão de tonelada.
Muitos outros analistas, como Czarnikow, Kingsman e o USDA, veem um déficit.
No entanto, os dados muitas vezes são compilados em bases diferentes, o que significa que as comparações devem ser feitas com prudência.
Estimativas da ED&F Man são feitas a partir da compilação de dados em uma base de ano-safra local, enquanto a ISO, por exemplo, adere estritamente ao ano-safra mundial, de outubro a setembro.
Agrimoney
Tradução e adaptação NovaCana