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Moagem, renovação dos canaviais e produtividade: Banco Pine traça quadro estratégico

banco-pine-310816Instituição faz análise sobre a taxa de renovação dos canaviais e sobre as principais tendências para a indústria sucroalcooleira vista a necessidade de maior produtividade

NovaCana 8 min de leitura

A bola já vinha cantada. O Banco Pine estimava que a safra 2017/18 de cana na região Centro-Sul deveria atingir uma moagem 575 milhões de toneladas, mas já havia sugerido que, com novos indicadores, mais positivos, elevaria as projeções.

No final do mês passado, a instituição divulgou um relatório confirmando essa nova perspectiva, com uma elevação da moagem para 580 milhões de toneladas na região no Centro-Sul do Brasil na atual temporada.

Além disso, a instituição traz uma análise detalhada sobre as consequências das taxas de renovação e idade dos canaviais. Esses elementos implicam nos resultados da próxima safra e ditam as principais tendências para a indústria sucroalcooleira e sua necessidade de uma maior produtividade.

A bola já vinha cantada. O Banco Pine estimava que a safra 2017/18 de cana na região Centro-Sul deveria atingir uma moagem 575 milhões de toneladas, mas já havia sugerido que, com novos indicadores, mais positivos, elevaria as projeções.

No final do mês passado, a instituição divulgou um relatório confirmando essa nova perspectiva. A princípio, as projeções do Banco Pine devem ser oficialmente revisadas após uma série de visitas aos produtores para análise da produção in loco, que será realizada durante esse mês.

Ainda assim, a instituição aponta que a disponibilidade de cana-de-açúcar deve ficar perto da casa das 592 milhões de toneladas. A moagem, por sua vez, deve ser algo em torno de 580 milhões de toneladas.

A visão reflete as surpresas positivas em relação aos parâmetros de produtividade do campo, o uso de fertilizantes na manutenção das soqueiras e o clima um pouco melhor do que a instituição previa inicialmente.

Outra influência é a taxa de renovação de cana de 18 meses, que deveria tirar uma área importante para essa safra, mas que não se concretizará da forma imaginada anteriormente. O economista do banco Pine, Lucas Brunetti, pondera que os investimentos da safra 2017/18 na parte agrícola ainda estão sendo feitos e só serão conhecidos ao final de 2017. “No entanto, já passamos pelo período mais intenso de plantio de cana-de-açúcar; a janela da renovação da cana de ano e meio se fechou”, assinala o economista.

Segundo ele, é possível ver que o valor da renovação da cana de ano e meio na safra 2017/18 realmente aumentou frente à temporada passada. “Estimamos um crescimento próximo a 25% ao ano”, destaca. Contudo, apesar de positivos, na visão do economista, os resultados mostram como os canaviais estavam velhos e a cana de ano e de inverno tiveram renovação pior. “A idade média de corte já era a maior dos últimos anos e, do ponto de vista estatístico, partimos de um valor historicamente baixo”, explica.

Assim, o banco revisou para baixo a estimativa das áreas de recuperação. “Em razão do começo do plantio mais fraco e dos preços bem menores, acreditamos que a renovação dos canaviais como um todo deverá ser menor que esperávamos anteriormente. Dessa maneira, projetamos que a área de cana de ano e de inverno somadas deverá ser próxima à da safra passada”, afirma.

Ainda segundo Brunetti, a área de cana de ano e de inverno somadas só não será pior por causa da rigidez do planejamento agrícola. “Dessa forma, a idade média de corte irá aumentar novamente na próxima safra, renovando máximas recentes”.

Menos cana em 2018/19

Com uma visão mais de longo prazo, o economista pondera que a natureza do ciclo da cana-de-açúcar faz com que essas decisões de renovação determinem o potencial da produtividade agrícola da próxima safra e exerçam forte influência nas próximas. “Nossa análise é que a relativa baixa reforma dos canaviais fará com que o potencial da produtividade agrícola já esteja acertado. Porém, a idade média de corte não é a única variável para a determinação da produtividade, mas é uma das mais importantes”, diz e acrescenta: “O potencial da próxima safra já está sendo determinado e indica que não haverá aumento na disponibilidade de cana”.

Segundo ele, com a nova projeção da idade média de corte, deve ocorrer uma queda para 570 milhões de toneladas na disponibilidade de cana para a safra 2018/19. Já a moagem esperada deve ser próxima dos 559 milhões de toneladas, tendo como base clima e quantidade de cana bisada normais.

Brunetti ainda salienta que o clima é uma variável muito importante na produtividade final: um clima benéfico pode se sobrepor ao potencial de uma idade de corte. “Um canavial com menor potencial do que outro pode ter maior produtividade se o clima for mais construtivo para o primeiro do que para o segundo”, explica. Por outro lado, uma idade maior faz com que a cana seja mais suscetível às intempéries climáticas e pragas. Assim, essa informação deve também basear as perspectivas e decisões para a safra 2018/19.

Outro ponto a ser considerado é a diminuição da taxa de reforma na safra 2017/18, que, em última análise, é uma postergação dos investimentos nos canaviais. “Nos próximos anos, os investimentos serão alavancados, pois a área a ser reformada será ainda maior. Em algum momento, todos os campos deverão de ser reformados, caso a indústria continue a trabalhar no patamar da taxa de renovação histórica”, diz.

Brunetti ainda pondera que a taxa de renovação ideal sob a ótica econômica depende da razão entre os preços dos produtos da cana, a produtividade agrícola e o preço da terra. “Assim, para cada cenário de preços formulado pela usina há uma taxa de renovação diferente, não havendo uma resposta única ou definitiva”, afirma, e continua: “Acreditamos que a indústria escolherá entre duas opções diferentes: uma grande reforma nos próximos anos ou trabalhar com uma taxa de renovação menor. Apesar de agronomicamente desejável, a maximização da produtividade nem sempre é a melhor decisão econômica”.

Produtividade: Tendências para os próximos anos

Segundo o economista, a indústria não deverá aceitar uma situação de baixa produtividade porque a maior parte das usinas se encontra em áreas extremamente caras. No entanto, também não devem fazer os vultosos investimentos que são necessários para normalizar a idade média dos canaviais, visto que muitas usinas estão com dívidas elevadas. Com isso, a resposta do setor deverá ser algo entre essas duas possibilidades. “A taxa de reforma dos próximos anos deverá ser menor que nos últimos 10 anos, mas maior que os níveis atuais”, cita o economista.

Tendo esse aspecto em vista, o economista criou duas hipóteses ilustrativas sobre a tendência da indústria para os próximos anos.

Uma das possibilidades é que a indústria esteja migrando para uma taxa de renovação média menor. As implicações disso seriam mistas, com o aumento da idade média de corte, diminuição da produtividade e diminuição da área a ser renovada.

O Banco Pine montou um exercício simplificado para quantificar essas variações: “Uma usina passa a renovação dos seus talhões de a cada seis anos para a cada oito anos, o que se traduz em uma queda da taxa de renovação de 16,7% para 12,5%. Assim, a idade média dos cortes passaria de 3,5 para 4,5 cortes. Enquanto a produtividade média, utilizando as médias do Centro-Sul do Brasil, cairia 5%, de 76,4 para 72,9 toneladas/ha”.

O economista afirma que esses números variam de acordo com os custos e a receitas de cada usina. Porém, ele acredita que, em um cenário pessimista de preços cadentes no longo prazo, a diminuição sistêmica da produtividade agrícola no Centro-Sul do Brasil parece ser sistêmica.

A outra possibilidade seria uma forte retomada na reforma dos canaviais nos próximos anos, algo que havia sido cogitado para 2017. “Claramente, essa hipótese não se concretizou, porém, existem outros motivos para isso, além dos preços. As usinas tem mais opções para as margens maiores e que também são estratégicas. Por exemplo: reduzir dívidas, aumentar o caixa, remunerar os acionistas, entre outras”, argumenta.

Levando em conta o pressuposto de que a taxa de reforma de longo prazo se mantenha estável e de que o setor vive apenas em um momento de pessimismo pontual, o Banco Pine calculou que, para que a média do corte retome a média dos últimos 10 anos (3,35 cortes) na safra 2019/20, a taxa de reforma precisaria subir para 23% na safra 2018/19.

Isso se traduz em um aumento de mais de 600 mil ha sendo reformado em todo o Centro-Sul do Brasil, além da taxa média de renovação. “Apenas para ilustrar, considerando um custo de plantio aproximado de R$5 mil/ha, o investimento adicional seria de R$ 3 bilhões para as usinas”, exemplifica.

Adicionalmente, considerando que 64% da área seja reformada com cana de ano e meio, aproximadamente 380 mil hectares ficariam sem produzir na safra posterior à reforma. “Considerando a nossa produtividade da média do quinto corte ou posterior, isso significa 24 milhões de toneladas de cana a menos na safra 2019/20. Sendo que a produtividade retornaria na safra 2020/21”, explica.

Marina Gallucci – NovaCana

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