Etanol: Mercado

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Com mercado de combustíveis em crise, MME admite “incapacidade de ler projeções”

“Eu não tenho certeza da demanda total de biocombustíveis para este ano. Ninguém tem”, afirma o diretor do departamento de biocombustíveis do ministério, Miguel Ivan Lacerda


NovaCana - Publicado: 08 Abr 2020 - 10:15

Em um cenário marcado por uma pandemia e por desentendimentos entre os maiores produtores de petróleo do mundo, decisões empresariais estratégicas se tornam ainda mais importantes e podem fazer a diferença entre a superação e a bancarrota. Ao mesmo tempo, é preciso ter cautela.

Um exemplo deste dilema está no início do mercado de créditos de descarbonização (CBios), previsto para 27 de abril. Com a queda na demanda por combustíveis, há uma chance de que tanto distribuidoras quanto usinas encontrem dificuldades para atingir as metas estabelecidas pelo RenovaBio. Por isso, o Ministério de Minas e Energia (MME) pediu 90 dias para rever os valores. Este período equivale justamente ao primeiro trimestre da safra 2020/21 de cana-de-açúcar.

 

Em um webinar organizado pela consultoria Datagro, o diretor do departamento de biocombustíveis do MME, Miguel Ivan Lacerda, admitiu uma “incapacidade de ler as projeções futuras” para o mercado de combustíveis, dado o cenário atual de crise. “Eu não tenho certeza da demanda total de biocombustíveis para este ano. Ninguém tem. Eu não tenho certeza da variação do preço do petróleo e o impacto que isso tem”, afirma.

Em relação às metas do RenovaBio, ele observa que o valor atual para 2020 é de 28,7 milhões de CBios, que devem ser adquiridos pelas distribuidoras ao longo do ano e “aposentados” até 31 de dezembro. Em um cenário sem pandemia de coronavírus ou choque no preço do petróleo, o diretor acredita que a meta poderia ser cumprida sem dificuldades.

“Se eu pegasse as empresas certificadas e as que estão em processo de certificação e olhasse os números de produção delas em 2019, teríamos uma oferta um pouco maior que 36 milhões de CBios”, projeta.

Atualmente, segundo Aurélio Amaral – que foi diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) até o final de março –, há em torno de 735 mil pré-CBios já cadastrados, ou seja, que poderão ser disponibilizados para comercialização assim que o processo de registro e escrituração dos títulos estiver em funcionamento. Este volume corresponde a apenas 2,6% da meta originalmente estabelecida para 2020.

Saiba mais sobre o andamento do RebovaBio e o posicionamento de Miguel Ivan Lacerda, Aurélio Amaral e José Mauro Ferreira Coelho, atual secretário de petróleo, gás e biocombustíveis do MME, no texto completo.


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