Desde o início do RenovaBio até a segunda quinzena de julho deste ano, 100,01 milhões de créditos de descarbonização (CBios) foram emitidos pelas usinas certificadas no programa, conforme dados da B3. Com isso, a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) enfatiza que foi minimizada a emissão de mais de 100 milhões de toneladas de CO2 equivalente.
Ainda de acordo com a ANP, 317 unidades participam do RenovaBio atualmente. Destas, três fabricam biometano e outras 32, biodiesel.
Dentre as 282 usinas de etanol certificadas, 271 utilizam apenas a cana-de-açúcar como matéria-prima; seis processam cana e milho; quatro, apenas milho; e uma produz biocombustível de primeira e de segunda geração de forma integrada.

Na segunda quinzena de julho, as usinas registraram um aumento anual de 15,2% nas emissões, com a escrituração de 1,82 milhão de títulos.
Considerando o acumulado de 2023, a geração de títulos soma 19,41 milhões, acréscimo de 10,6% em relação aos 17,65 milhões emitidos de janeiro até a metade de julho de 2022.
Segundo dados da ANP, entre janeiro e julho, as usinas certificadas cadastraram notas fiscais suficientes para a geração de 19,26 milhões de CBios. Sendo assim, as unidades emitiram por volta de 142,54 mil créditos a mais do que o acompanhamento da agência, o que pode representar que havia um excedente de lastros referente ao ano anterior.

Contando os créditos emitidos desde o começo de 2022, por sua vez, já foram colocados em circulação 50,63 milhões de CBios.
Este montante ultrapassa em 40,7% a meta estabelecida para o ano passado, de 35,98 milhões de créditos, e que deverá ser comprovada até setembro de 2023.
As obrigações de 2023, de 37,47 milhões de CBios, deverão ser entregues até março do próximo ano.

O mercado de CBios estará em destaque na sexta edição da Conferência NovaCana por meio de uma palestra da especialista em setor sucroenergético do Santander, Mariangela Grola. Ela já comentou o momento do mercado e o que esperar para o futuro em uma entrevista exclusiva. O evento acontece em São Paulo (SP), nos dias 4 e 5 de setembro, e as inscrições já estão abertas.
Depois de seis quinzenas consecutivas de alta, os preços dos CBios registraram uma retração na segunda metade de julho.
De acordo com cálculos realizados pelo NovaCana a partir dos dados da bolsa de valores B3 – única entidade registradora do programa –, entre 17 e 31 de julho, o preço médio dos CBios foi de R$ 129,55, queda de 10,2% em relação à quinzena anterior.
Apesar disso, o valor ficou 17% acima da média de 2023, de R$ 110,76. Ele também está 57,2% além da média histórica do programa, de R$ 82,42.

Ainda de acordo com a B3, na segunda quinzena de julho, foram comercializados 4,68 milhões de CBios. O número representa uma alta anual de 239% ante os 1,38 milhão vendidos entre os dias 15 e 31 de julho de 2022.
No período, os preços diários dos papéis oscilaram entre R$ 100 e R$ 140,50. Os dois valores foram vistos no dia 28.
Desde a implantação das negociações, em junho de 2020, os CBios foram vendidos entre R$ 15 e R$ 209,50.

“Os números refletem todas as operações de compra e venda envolvidas em um ciclo de negociação. Assim, no caso de intermediações realizadas por corretoras ou outras instituições, primeiro é realizada uma operação de compra das quantidades e, depois, uma operação de venda para o investidor final”, explica a B3.
A registradora afirmou ao NovaCana que as negociações a termo já estão disponíveis em seu sistema. De acordo com a entidade, as operações serão divulgadas na data de registro e, caso não sejam liquidadas, serão retiradas do histórico.
No primeiro dia de agosto, a B3 iniciou a sessão com 30,03 milhões de créditos em circulação. Deste total, 72,7%, ou 21,84 milhões de CBios, estava em posse das distribuidoras que têm metas a cumprir no programa.
Já as usinas certificadas detinham 7,02 milhões de CBios, o equivalente a 23,4% do montante. Por fim, os 1,18 milhão restantes (3,9%) estavam com investidores sem metas.

Entre janeiro e o final de julho, 14,21 milhões de títulos foram aposentados, com 183,87 mil saindo de circulação na última quinzena. Levando em conta o acumulado desde o início de 2022, por sua vez, 31,04 milhões de CBios já foram retirados de circulação.
Desta forma, considerando os CBios aposentados desde janeiro de 2022 e os atualmente em circulação, o total de créditos chega a 61,07 milhões. Este volume seria suficiente para cobrir a meta de 2022 com um excedente de 25,09 milhões de CBios, ou 67% do objetivo de 2023.

Como a B3 não informa quem solicitou a aposentadoria dos créditos, é possível que uma parte deste volume seja referente a investidores que não têm compromissos com o programa. Ainda que esteja previsto que a retirada de títulos feitas pelas chamadas “partes não obrigadas” possa ser deduzida dos objetivos finais do RenovaBio, as aposentadorias do ciclo atual devem ser contabilizadas apenas para o próximo.
Giully Regina – NovaCana
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