Exportações de açúcar por contêiner cresceram em relação ao ano passado, apesar de uma leve queda nos números do terceiro trimestre de 2017
O Brasil é o maior produtor e exportador de açúcar no mundo hoje. E a maior parte do produto é transportada a granel, ensacada nos porões de navios, para refinamento apenas no país de destino - um meio de transporte mais barato e ideal para grandes quantidades.
Porém, esta modalidade de exportação não atende as necessidades de todas as empresas. Em alguns casos, é preciso transportar o produto já refinado, seja porque os compradores não têm estrutura industrial para o refinamento ou precisam de quantidades menores, entre outros motivos. A alternativa, para preservar o produto, é exportá-lo em contêineres, mais seguros para um açúcar mais perecível e de maior valor agregado.
Em 2017, a participação dos contêineres na exportação do açúcar subiu para cerca de 11% – das 21,7 milhões de toneladas embarcadas até setembro de 2017, 2,3 milhões foram em contêineres.
Neste ano, a Copersucar lidera o ranking das empresas que mais exportaram açúcar conteinerizado, com um volume de 277,9 mil toneladas até o terceiro trimestre de 2017.
A seguir:
- As 50 empresas que mais exportaram açúcar via contêineres
- O forte crescimento da Louis Dreyfus do Brasil
- Volume mês a mês das 10 maiores exportadoras
- Principais portos e destinos do açúcar conteinerizado
- Participação de mercado das exportações por contêineres
- Análise da evolução das exportações em 2017

O Brasil é o maior produtor e exportador de açúcar no mundo. E a maior parte do produto é transportada a granel, ensacada nos porões de navios, para refinamento apenas no país de destino – um meio de transporte mais barato e ideal para grandes quantidades.
Porém, essa modalidade de exportação não atende às necessidades de todas as empresas. Em alguns casos, é preciso transportar o produto já refinado, seja porque os compradores não têm estrutura industrial para o refino ou porque precisam de quantidades menores, entre outros motivos. A alternativa, para preservar o produto, é exportá-lo em contêineres, mais seguros para um açúcar mais perecível e de maior valor agregado.
De todo o açúcar exportado pelo Brasil, cerca de 10,6% é transportado em contêineres. Esta tem sido a média de participação desta modalidade desde 2015.
Em 2017, a participação dos contêineres na exportação do açúcar subiu para cerca de 11% – das 21,7 milhões de toneladas embarcadas até setembro de 2017, 2,3 milhões foram em contêineres.
Neste ano, a Copersucar lidera o ranking das empresas que mais exportaram açúcar conteinerizado, com um volume de 277,9 mil toneladas até o terceiro trimestre de 2017.
No ano passado, de janeiro a setembro, a empresa ocupava a segunda colocação, com 223 mil toneladas. A Copersucar fechou 2016 em segundo lugar entre as maiores exportadoras, com 263,7 mil toneladas até dezembro.
Já a VA&E Trading, que era a primeira colocada em 2016, com 274 mil toneladas exportadas até setembro e 355,2 toneladas até dezembro, caiu para a segunda posição em 2017. Neste ano, a empresa exportou 206,1 mil toneladas de açúcar em contêiner até setembro.

Em terceiro lugar em 2017, a Louis Dreyfus do Brasil está na marca de 176,7 mil toneladas até setembro, depois de fechar 2016 em nono lugar, com 101,5 mil toneladas exportadas no total. Até setembro do ano passado, a empresa era a décima colocada, com 58,7 mil toneladas. Foi o maior salto entre as maiores exportadoras deste ano.
Em seguida, na quarta colocação, está a Usina Santa Fé (164,3 mil toneladas), que, no ano passado, era a terceira no ranking, com 206 mil toneladas embarcadas no total.
A Raízen está na quinta colocação considerando o acumulado de 2017, com 118,3 mil toneladas de açúcar embarcadas em contêineres até setembro. A empresa fechou 2016 em quarto lugar, com 161,8 mil toneladas ao todo.

Contêineres em crescimento
Mesmo com as variações usuais mês a mês, no acumulado do ano, a exportação por contêineres cresceu em relação a 2016 e anos anteriores.
Inclusive, a quantidade de açúcar exportado via contêiner de janeiro a setembro de 2017 já foi suficiente para superar o volume total de 2015. Naquele ano, foram exportadas 2,1 milhões de toneladas. Agora, só até setembro, o Brasil já exportou 2,3 milhões de toneladas conteinerizadas.
Em relação a 2016, no acumulado dos três primeiros trimestres, também houve crescimento nas exportações conteinerizadas – de cerca de 4,8%. Até setembro do ano passado, foram 2,2 milhões de toneladas. Considerando também o período de outubro a dezembro, o total registrado em 2016 foi de 2,8 milhões de toneladas.

Especificamente, o terceiro trimestre de 2017 apresentou leve queda no volume em relação ao mesmo período de 2016. Cerca de 971,2 mil toneladas de açúcar foram embarcadas por contêiner no período. No ano anterior, foram 987,6 mil toneladas, o que representa uma queda de 1,7%.

Em relação ao segundo trimestre deste ano, o crescimento é positivo. O aumento foi de cerca de 30% antes as 743,6 mil toneladas registradas abril e junho. Já no primeiro trimestre de 2017 foram exportadas pouco mais de 590 mil toneladas.
Após o auge em setembro, entretanto, a tendência é de queda, com a aproximação da entressafra.

Principais portos de saída e destinos do açúcar conteinerizado
Com 932 mil toneladas, o Porto de Santos foi o que mais embarcou açúcar em contêineres no terceiro trimestre, seguido pelo Porto de Paranaguá (30,2 mil toneladas) e Suape (8,3 mil toneladas), que apresentou um crescimento expressivo em relação ao mesmo período do ano passado (275 toneladas).
No acumulado do ano, Santos lidera o ranking de embarque, com 2,18 milhões de toneladas. Suape aparece em segundo, com 57,1 mil toneladas e Paranaguá em terceiro, com 53,9 mil toneladas embarcadas no mesmo período.

Os principais destinos do açúcar brasileiro refinado no terceiro trimestre foram Iêmen (134 mil toneladas), Angola (84,5 mil toneladas) e África do Sul (80,8 mil toneladas). O total é de 971,1 mil toneladas exportadas apenas no terceiro trimestre.
No acumulado do ano, os principais destinos foram Iêmen (230,9 mil toneladas), Myanmar (197,3 mil toneladas) e Benim (171,8 mil toneladas) – este último superando a marca do ano passado, de 90 mil toneladas.
Participação de mercado do açúcar conteinerizado
Em 2017, os contêineres transportaram quase 11% do açúcar exportado pelo Brasil, índice que representa um crescimento em relação à média do ano passado (9,8%).
Do total de 21,7 milhões de toneladas exportadas até setembro de 2017, 2,3 milhões foram por contêineres.

O índice de participação das exportações por contêineres em relação ao total de exportações de açúcar tem variado entre 7% e 15% em 2017. O mês com maior participação foi março, com 15,12%, enquanto a menor participação foi registrada em janeiro, com 7,64%.


No início do ano, a participação foi mais representativa e acompanhou o volume exportado, com altas entre março e abril e quedas entre maio em junho.
No segundo semestre, o crescimento do volume exportado por mês foi significativo e a participação um pouco menor, com pico de cerca de 12% em julho e agosto, únicos meses em que as exportações superaram a marca das 300 mil toneladas.

Exportações mês a mês
No terceiro trimestre de 2017, apenas no mês de julho houve um crescimento no volume exportado por contêineres em relação ao mesmo período de 2016 – foram 338,2 mil toneladas contra 315,6 mil em julho do ano anterior.

Em agosto e setembro, o volume exportado por contêiner teve leve queda em relação aos mesmos meses de 2016. Em agosto, foram 383 mil toneladas neste ano contra 357 mil no mesmo mês do ano anterior. Em setembro, foram 275,8 mil toneladas neste ano contra 288,8 mil em setembro de 2016.
Em 2017, o maior salto nas exportações por contêineres aconteceu de janeiro para fevereiro, período de fim da entressafra, quando a quantidade aumentou 106% – 168,9 mil toneladas ante 349,6 mil toneladas.

Nos dois meses seguintes, também houve crescimento expressivos, de 69% entre fevereiro e março (591,1 mil toneladas), e de 39% entre março e abril (824,3 mil toneladas).
Nos meses seguintes, o crescimento ficou mais estável – em 24%, em média. Há um histórico de quedas nos volumes exportados por contêineres entre novembro e fevereiro, porém, a tendência é que o resultado deste ano, mesmo com números menos expressivos no quarto trimestre, fique superior ao de 2016.
Mariana Ohde – NovaCana