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Menos cana em 2017/18: Banco Pine prevê moagem de 575 milhões de toneladas

bagaco cana 260117Banco Pine revisou suas projeções para a safra 2017/18 no Centro-Sul. A instituição reduziu em 10 milhões de toneladas sua expectativa de cana moída

NovaCana 8 min de leitura

O Banco Pine revisou suas projeções para a safra 2017/18 no Centro-Sul, principal região produtora de cana-de-açúcar do país. A instituição reduziu em 10 milhões de toneladas sua expectativa de cana moída – dessa forma, a previsão é que as usinas da região esmaguem 575 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na próxima temporada.

A nova previsão reforça a dicotomia entre as empresas especializadas, que projetam os resultados no setor. “Por causa do regime de chuvas observado até janeiro, alguns participantes do mercado concluíram que parte do risco associado com a próxima safra se dissipou e algumas projeções foram revisadas com otimismo”, destaca o economista do Banco Pine, Lucas Brunetti.

Brunetti ainda indica os fatores que não levam a instituição a compartilhar do desse recém-adquirido otimismo em relação à safra.

Confira a seguir mais detalhes sobre as análises e projeções do Banco Pine:

- Comparativo entre as estimativas de novembro de 2016 e fevereiro 2017
- Estimativas para as safras 2016/17 e 2017/18
- Moagem
- Mix de produção
- Produção de Açúcar
- Produção de Etanol Total, Hidratado e Anidro
- ATR por tonelada de cana
- Idade média dos canaviais e produtividade por corte
- Capacidade de cristalização e preços relativos: etanol X açúcar

O Banco Pine revisou suas projeções para a safra 2017/18 no Centro-Sul, principal região produtora de cana-de-açúcar do país. A instituição reduziu em 10 milhões de toneladas sua expectativa de cana moída – dessa forma, a previsão é que as usinas da região esmaguem 575 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na próxima temporada.

Quando lançou, em novembro do ano passado, as impressões preliminares para a temporada que tem início no próximo mês de abril, o banco trabalhava com dois cenários extremos: um de quebra de safra, com uma disponibilidade de cana para moagem de 545 milhões de toneladas; e outro otimista, com uma projeção de até 635 milhões de toneladas de cana esmagada.

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A análise do Banco destacava, no entanto, o cenário mais pessimista, uma vez que a probabilidade de a disponibilidade de cana ser menor na próxima safra do que a atual era superior a 65%.

Com a nova previsão, o cenário de menor disponibilidade de cana ganhou ainda mais força na visão do banco. Além disso, o número reforça a dicotomia em que se encontram as empresas especializadas do setor que já projetaram os números para a próxima safra.

Ameaças do clima

O economista do Banco Pine, Lucas Brunetti, destaca que “por causa do regime de chuvas observado até janeiro, alguns participantes do mercado concluíram que parte do risco associado com a próxima safra se dissipou e algumas projeções foram revisadas com otimismo”.

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O levantamento das estimativas de safra realizado pelo NovaCana identificou esse ânimo significativo nas projeções de algumas consultorias. As análises apresentadas mostram que muitas empresas não consideram as chuvas em janeiro como um indicativo determinante para o resultado da temporada. Em grande parte, essa leitura se devia ao fato de que, no caso de seca nos meses posteriores a janeiro, o desenvolvimento dos canaviais poderia decepcionar.

E é para esse fator que o economista do Banco Pine chama atenção. Brunetti explica que os meses em que as chuvas são mais importantes para o desenvolvimento dos canaviais, em geral, são os três primeiros do ano. De acordo com os dados do banco, as chuvas de janeiro estiveram dentro da média – já fevereiro está apresentando um desempenho de chuvas pior que a média histórica.

“Até agora foram 120 milímetros de chuvas contra a média mensal de 230. Nos sete dias da segunda quinzena de fevereiro foram apenas 13 milímetros em média e a previsão segue sem chuvas”, complementa. Para ele, seria preciso que no mês de março ocorressem chuvas adicionais para garantir a produtividade.

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O economista ainda acrescenta que há ainda dois outros fatores que fazem a instituição não compartilhar do otimismo do setor, ambos relacionados ao clima: a primavera gelada e a volta do El Niño.

Outra variável importante para essa análise, segundo Brunetti, é a renovação dos canaviais. Ele explica que o mercado já esperava um plantio reduzido em relação à necessidade. Esse fator não apenas se concretizou, como foi ainda menor do que o esperado. “As usinas ainda se esforçaram e aumentaram a renovação da cana de ano, porém, não foi suficiente para reverter o quadro de baixa renovação. Dessa forma, a idade média dos canaviais acabou se elevando consideravelmente, o que já era esperado”, afirma. Segundo os cálculos do Pine, a idade média do canavial passará de 3,4 na safra 2016/17 para 3,6 na 2017/18.

Desenvolvimento do canavial prejudicado

O economista discorre que um dos fatos mais marcantes do final do ano passado foram as relativamente baixas temperaturas que afetaram Paraná, partes do Mato Grosso do Sul e algumas regiões de São Paulo. Até praticamente dezembro, as temperaturas ficaram abaixo de 20°C em média em uma importante área produtora de cana-de-açúcar do Centro-Sul do Brasil, afirma Brunetti.

Citando um estudo da Embrapa, ele relata que no brotamento e no crescimento vegetativo as temperaturas médias deveriam ficar de 32 a 38°C e de 22 a 30°C, respectivamente. Nesses casos, temperaturas médias abaixo dos 20°C prejudicam e retardam o desenvolvimento. “Ou seja, temos motivos para acreditar que o desenvolvimento dos canaviais foi retardado nessas regiões e que será necessário um período maior até a maturação da planta”, observa.

Ele acrescenta que o efeito da colheita da cana-de-açúcar prematura foi observado na safra passada, quando a moagem de cana com menos de 12 meses resultou em diminuição da produtividade agrícola e industrial.

A volta do El Niño

Além disso, volta a pairar sobre o setor a ameaça do El Niño, com agências climáticas indicando que o efeito meteorológico pode retornar no segundo semestre desse ano. Esse é um fator novo e importante para a tomada de decisão das usinas. “Ainda está viva na memória do setor a extremamente chuvosa safra 2009/10. Apesar de que no último episódio de El Niño, as chuvas ficaram muito próximas da média histórica”, pondera.

Para o economista a informação que pode influenciar as usinas a adiantarem seus trabalhos nessa safra. “No entanto, iniciar a safra de forma precoce está fora de cogitação, pois não há tempo hábil para isso, no máximo ocorrerá um esforço adicional para a moagem atingir seu ápice algumas quinzenas mais cedo que estava planejado”, acrescenta.

O efeito de um inverno chuvoso acaba diminuindo os dias operacionais de moagem (resultando em um excedente de cana que acaba sendo bisada) e na diminuição da concentração de açúcar na cana, pela falta do estresse hídrico necessário.

Perspectiva positiva para o etanol

Outro destaque da análise do Banco Pine é a perspectiva positiva para o etanol. As melhoras relativas das expectativas para o biocombustível vieram em função dos aumentos de preços e também da valorização do real. Quando a moeda nacional se aprecia, os produtos destinados para o mercado interno também se valorizam frente aos destinados ao mercado externo.

Brunetti frisa que a valorização relativa do etanol não é suficiente para reverter o quadro em que as usinas irão maximizar a produção de açúcar e estrear os investimentos recentes feitos na expansão fábricas de açúcar. “Porém, não estamos mais naquele cenário de meados de 2016, no qual as usinas se esforçavam ao máximo para aproveitar cada gota de sacarose para produzir açúcar, chegando a reduzir voluntariamente a própria moagem de cana para dar tempo para entrar mais produtos nas máquinas de cristalização”, explica.

Além disso, mesmo com a melhora de preços do açúcar e do etanol na última safra, muitas usinas ainda têm uma situação de elevado endividamento e de falta de caixa. Nesse cenário, a produção de etanol é favorável para a geração de caixa da usina, já que o pagamento é na entrega do produto, contra o pagamento com prazo para a entrega do açúcar.

“Apesar de mostrarmos pontos favoráveis para o aumento da produção de etanol, eles não modificam o jogo e a safra 2017/18 será açucareira. Nossos pontos apenas ilustram que há motivos para o aumento marginal da produção de etanol, ou seja, em alguns momentos da safra a produção de açúcar não será maximizada”, argumenta.

Projeções

Conforme o Pine, as usinas e destilarias da região produzirão 35,1 milhões de toneladas de açúcar em 2017/18, um valor ligeiramente abaixo das 35,5 milhões de toneladas previstas anteriormente.

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No caso do etanol, a expectativa é de para 23,8 bilhões de litros, dos quais 11,5 bilhões de litros de anidro e 12,3 bilhões de litros de hidratado.

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As previsões levam em conta um mix de 47,7% da oferta de matéria-prima para açúcar e de 52,3% para etanol, além de uma quantidade de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) de 134 kg por tonelada de cana.

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De acordo com o Pine, também devem ser fabricados 26 milhões de litros de etanol de milho na temporada, um número maior do que o previsto anteriormente (18 milhões de litros).

Marina Gallucci – NovaCana

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