A mecanização da colheita da Cana-de-açúcar no País tem garantido a expansão da fronteira canavieira na Região Centro-Oeste, que avançou 10% na última safra, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Enquanto em São Paulo as usinas e fornecedores correm para garantir a mecanização da colheita antes do início do ano que vem, quando entra em vigor o protocolo que proíbe a queima da palha da cana no Estado, no Centro-Oeste a produção só tem crescido por causa da introdução das novas máquinas, segundo Ênio Fernandes, fornecedor e presidente da Associação dos Produtores de Matérias-Primas para as Indústrias de Bioenergia de Goiás (APMP). O estado possui quase metade (49%) da área plantada com cana da região, com 818 mil hectares, enquanto Mato Grosso (MT) possui 224 mil hectares e Mato Grosso do Sul (MS), 624 mil hectares, segundo a Conab.
"O Centro-Oeste já iniciou o plantio de cana [com colheita] mecanizada. A nova fronteira já começou com planejamento para ser tudo mecanizado", afirma Fernandes, que ressalta que "a região já é caracterizada pela forte mecanização nos grãos" .
Ele próprio já está implementando um plano de ampliação da área com cana no próximo ano. Após colher 477 hectares nó último ano-safra, Fernandes já aumentou a área em 45 hectares e pretende chegar em 700 hectares em março de 2014.
Segundo o produtor, uma máquina consegue colher o mesmo volume de cana que 85 trabalhadores braçais. "Se fosse para ter corte manual, teríamos que importar trabalhadores braçais, já que onde estamos localizados não é região tradicional de cana. A disponibilidade da mão-de-obra não é muito grande", observou.
Fernandes destaca ainda que a topografia do Centro-Oeste, mais plana que São Paulo, favorece a adoção de máquinas.
O Mato Grosso do Sul (MS), que possui o maior índice de mecanização do País, com 611 mil hectares colhidos mecanicamente ante 650 mil hectares (94%), deve zerar a área colhida "no facão" em até duas safras, segundo o presidente da Associação dos Produtores de Bionergia de Mato Grosso do Sul (Biosul), Roberto Landa. "[A mecanização] facilitou a existência de grandes unidades produtivas e permitiu aumentar a escala."
Perdas e ganhos
Apesar de garantir a expansão da produção e da área, a mecanização da colheita na Região Centro-Oeste tem tido um efeito colateral "natural": a proliferação de ervas daninhas e insetos. Como a mecanização deita a palha no solo, forma-se uma camada quente e úmida sobre a terra que cria um ambiente propício para o aumento da infestação de pragas animais e vegetais.
Na região de Dourados (MS), o principal problema é a dispersão da mamona, que foi cultivada há alguns anos com objetivo comercial e depois abandonada. Com folhas largas, a planta cria sombras que impedem que a planta da cana absorva luz para fazer fotossíntese e ainda compete com ela pelos nutrientes e a água do solo. "As sementes que estavam lá quebraram a dormência e estão nascendo no meio da cultura [de cana]", conta Caio Giusti, gerente geral de cana da Arysta LifeScience. Na região de Cuiabá (MT), tem ocorrido situação semelhante com a mucuna.
A situação é mais tênue em São Paulo, onde os produtores já utilizam mais doses de defensivos. "Estamos verificando, com a palha no chão, a incidência de mais fungos de solo e outros insetos. Mas os produtores têm entrado com pulverização costal e com avião", afirma a vice-presidente da Organização de Plantadores de Cana do Centro-Sul (Orplana), Maria Cristina Pacheco.
Segundo o gerente da Arysta, o gasto com herbicidas dentro dos custos de produção gira entre 3% e 4%.
Outros problemas decorrentes da mecanização são compactação do solo, a perda de um corte de cana e a dificuldade do uso de máquinas em áreas com alta declividade, como Piracicaba, onde 35% da área não é mecanizada.
Além disso, o aumento dos custos de produção da Cana-de-açúcar com as próprias Colheitadeiras dificulta a permanência dos pequenos plantadores, que em São Paulo gerem 80% das propriedades canavieiras. "Algumas usinas já não estão querendo renovar contrato com áreas não mecanizáveis", alerta Pacheco.
Por outro lado, o fim do trabalho no corte da cana é visto como um ganho. "O trabalhador hoje é mais qualificado e melhor remunerado", ressalta Landa, que nega que tenha ocorrido desemprego no MS. "O número de vagas passou de 19 mil em 2005 para 30 mil agora", atesta.
Enquanto em São Paulo as usinas e fornecedores correm para garantir a mecanização da colheita antes do início do ano que vem, quando entra em vigor o protocolo que proíbe a queima da palha da cana no Estado, no Centro-Oeste a produção só tem crescido por causa da introdução das novas máquinas, segundo Ênio Fernandes, fornecedor e presidente da Associação dos Produtores de Matérias-Primas para as Indústrias de Bioenergia de Goiás (APMP). O estado possui quase metade (49%) da área plantada com cana da região, com 818 mil hectares, enquanto Mato Grosso (MT) possui 224 mil hectares e Mato Grosso do Sul (MS), 624 mil hectares, segundo a Conab.
"O Centro-Oeste já iniciou o plantio de cana [com colheita] mecanizada. A nova fronteira já começou com planejamento para ser tudo mecanizado", afirma Fernandes, que ressalta que "a região já é caracterizada pela forte mecanização nos grãos" .
Ele próprio já está implementando um plano de ampliação da área com cana no próximo ano. Após colher 477 hectares nó último ano-safra, Fernandes já aumentou a área em 45 hectares e pretende chegar em 700 hectares em março de 2014.
Segundo o produtor, uma máquina consegue colher o mesmo volume de cana que 85 trabalhadores braçais. "Se fosse para ter corte manual, teríamos que importar trabalhadores braçais, já que onde estamos localizados não é região tradicional de cana. A disponibilidade da mão-de-obra não é muito grande", observou.
Fernandes destaca ainda que a topografia do Centro-Oeste, mais plana que São Paulo, favorece a adoção de máquinas.
O Mato Grosso do Sul (MS), que possui o maior índice de mecanização do País, com 611 mil hectares colhidos mecanicamente ante 650 mil hectares (94%), deve zerar a área colhida "no facão" em até duas safras, segundo o presidente da Associação dos Produtores de Bionergia de Mato Grosso do Sul (Biosul), Roberto Landa. "[A mecanização] facilitou a existência de grandes unidades produtivas e permitiu aumentar a escala."
Perdas e ganhos
Apesar de garantir a expansão da produção e da área, a mecanização da colheita na Região Centro-Oeste tem tido um efeito colateral "natural": a proliferação de ervas daninhas e insetos. Como a mecanização deita a palha no solo, forma-se uma camada quente e úmida sobre a terra que cria um ambiente propício para o aumento da infestação de pragas animais e vegetais.
Na região de Dourados (MS), o principal problema é a dispersão da mamona, que foi cultivada há alguns anos com objetivo comercial e depois abandonada. Com folhas largas, a planta cria sombras que impedem que a planta da cana absorva luz para fazer fotossíntese e ainda compete com ela pelos nutrientes e a água do solo. "As sementes que estavam lá quebraram a dormência e estão nascendo no meio da cultura [de cana]", conta Caio Giusti, gerente geral de cana da Arysta LifeScience. Na região de Cuiabá (MT), tem ocorrido situação semelhante com a mucuna.
A situação é mais tênue em São Paulo, onde os produtores já utilizam mais doses de defensivos. "Estamos verificando, com a palha no chão, a incidência de mais fungos de solo e outros insetos. Mas os produtores têm entrado com pulverização costal e com avião", afirma a vice-presidente da Organização de Plantadores de Cana do Centro-Sul (Orplana), Maria Cristina Pacheco.
Segundo o gerente da Arysta, o gasto com herbicidas dentro dos custos de produção gira entre 3% e 4%.
Outros problemas decorrentes da mecanização são compactação do solo, a perda de um corte de cana e a dificuldade do uso de máquinas em áreas com alta declividade, como Piracicaba, onde 35% da área não é mecanizada.
Além disso, o aumento dos custos de produção da Cana-de-açúcar com as próprias Colheitadeiras dificulta a permanência dos pequenos plantadores, que em São Paulo gerem 80% das propriedades canavieiras. "Algumas usinas já não estão querendo renovar contrato com áreas não mecanizáveis", alerta Pacheco.
Por outro lado, o fim do trabalho no corte da cana é visto como um ganho. "O trabalhador hoje é mais qualificado e melhor remunerado", ressalta Landa, que nega que tenha ocorrido desemprego no MS. "O número de vagas passou de 19 mil em 2005 para 30 mil agora", atesta.