Com perspectiva de manutenção na moagem, nove consultorias ouvidas pelo NovaCana acreditam que este ciclo será ainda mais açucareiro
A safra 2023/24 já se encaminha para o final e a expectativa é de uma elevação no processamento de cana-de-açúcar. No mais recente levantamento de estimativas de safra realizado pelo NovaCana, a média de 14 consultorias aponta para uma moagem de 623,1 milhões de toneladas.
Mas, apesar do otimismo visto para o ciclo corrente, as perspectivas para a temporada 2024/25 estão contidas.
A gerente de inteligência de mercado da BP Bunge Bioenergia, Luciana Torrezan, explica que, depois de um clima excepcional e produtividade recorde, a sucroenergética espera uma redução na moagem do Centro-Sul na próxima safra, considerando condições climáticas próximas da normalidade para a região.
Durante a Conferência NovaCana, realizada em setembro deste ano, BP Bunge, FG/A e hEDGEpoint, apontavam para uma moagem média de 620,3 milhões de toneladas na próxima safra. De lá para cá, as perspectivas para a temporada 2024/25 se tornaram mais modestas.
A analista de açúcar e etanol da hEDGEpoint, Lívea Coda, também considera que o verão brasileiro será essencial para ajustar as estimativas, apontando que os números atuais da consultoria são preliminares.
Em relação ao clima, o chefe da área de pesquisa setorial do Rabobank Brasil, Andy Duff, destaca que há previsão de muita chuva em março de 2024, o que poderia comprometer o início efetivo da temporada no mês. Ainda que as condições climáticas não tragam esse impedimento, as precipitações poderão afetar a qualidade da cana no campo, impactando o mix de produção – que poderia se voltar ao etanol.
O analista de safra da EarthDaily Agro, Felippe Reis, explica que o fenômeno climático El Niño deverá perder força entre janeiro e início de fevereiro, mas pode perdurar até abril, segundo sete modelos climáticos diferentes. Ele ainda detalha que a temporada deverá se manter com chuvas acima da média no Sul e com baixa precipitação nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Mesmo assim, é esperado um processamento se mantendo acima das 600 milhões de toneladas em 2024/25. Entre as companhias ouvidas pelo NovaCana, apenas uma considerou uma perspectiva abaixo deste nível, assim, na média, o ciclo 2024/25 deve contabilizar uma moagem de 619,93 milhões de toneladas.
Se concretizado, este volume representaria um aumento de 0,1% em relação às 619,26 milhões de toneladas moídas entre 1º de abril e 1º de dezembro de 2023, segundo dados da União da Indústria de Cana-de-açúcar e Bioenergia (Unica).
Já em comparação com a média das estimativas de safra computadas pelo NovaCana para 2023/24, o número atual apresenta uma retração de 0,5%.
O consenso é que a próxima safra será ainda mais açucareira do que as duas últimas. Coda afirma que os investimentos em aumento de capacidade de cristalização reforçam a possibilidade de que mais da metade da matéria-prima seja direcionada para a fabricação de açúcar. Ela destaca que, caso o clima coopere, serão duas temporadas consecutivas com produção acima de 40 milhões de toneladas.
No texto completo, exclusivo para assinantes NovaCana, você confere gráficos e análises a respeito da moagem, concentração de açúcar total recuperável, e produção de açúcar e etanol.
Empresas participantes:
- Agroconsult
- BP Bunge
- Datagro
- EarthDaily Agro
- hEDGEpoint
- Pecege
- Rabobank
- S&P Global Commodity Insights
- Safras & Mercado
- StoneX
Atualização (14/12, às 16h): A estimativa da BP Bunge para o etanol hidratado de milho foi atualizada. O texto abaixo e os gráficos foram alterados.
A safra 2023/24 já se encaminha para o final e a expectativa é de uma elevação no processamento de cana-de-açúcar. No mais recente levantamento de estimativas de safra realizado pelo NovaCana, a média de 14 consultorias aponta para uma moagem de 623,1 milhões de toneladas.
Mas, apesar do otimismo visto para o ciclo corrente, as perspectivas para a temporada 2024/25 estão contidas.
A gerente de inteligência de mercado da BP Bunge Bioenergia, Luciana Torrezan, explica que, depois de um clima excepcional e produtividade recorde, a sucroenergética espera uma redução na moagem do Centro-Sul na próxima safra, considerando condições climáticas próximas da normalidade para a região.
Durante a Conferência NovaCana, realizada em setembro deste ano, BP Bunge, FG/A e hEDGEpoint, apontavam para uma moagem média de 620,3 milhões de toneladas na próxima safra. De lá para cá, as perspectivas para a temporada 2024/25 se tornaram mais modestas.
A analista de açúcar e etanol da hEDGEpoint, Lívea Coda, também considera que o verão brasileiro será essencial para ajustar as estimativas, apontando que os números atuais da consultoria são preliminares.
Em relação ao clima, o chefe da área de pesquisa setorial do Rabobank Brasil, Andy Duff, destaca que há previsão de muita chuva em março de 2024, o que poderia comprometer o início efetivo da temporada no mês. Ainda que as condições climáticas não tragam esse impedimento, as precipitações poderão afetar a qualidade da cana no campo, impactando o mix de produção – que poderia se voltar ao etanol.
O analista de safra da EarthDaily Agro, Felippe Reis, explica que o fenômeno climático El Niño deverá perder força entre janeiro e início de fevereiro, mas pode perdurar até abril, segundo sete modelos climáticos diferentes. Ele ainda detalha que a temporada deverá se manter com chuvas acima da média no Sul e com baixa precipitação nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Mesmo assim, é esperado um processamento se mantendo acima das 600 milhões de toneladas em 2024/25. Entre as companhias ouvidas pelo NovaCana, apenas uma considerou uma perspectiva abaixo deste nível, assim, na média, o ciclo 2024/25 deve contabilizar uma moagem de 619,93 milhões de toneladas.

Se concretizado, este volume representaria um aumento de 0,1% em relação às 619,26 milhões de toneladas moídas entre 1º de abril e 1º de dezembro de 2023, segundo dados da União da Indústria de Cana-de-açúcar e Bioenergia (Unica).
Já em comparação com a média das estimativas de safra computadas pelo NovaCana para 2023/24, o número atual apresenta uma retração de 0,5%.
O consenso é que a próxima safra será ainda mais açucareira do que as duas últimas. Coda afirma que os investimentos em aumento de capacidade de cristalização reforçam a possibilidade de que mais da metade da matéria-prima seja direcionada para a fabricação de açúcar. Ela destaca que, caso o clima coopere, serão duas temporadas consecutivas com produção acima de 40 milhões de toneladas.
Perspectivas para a moagem
Neste levantamento, a maior perspectiva de moagem foi registrada pela hEDGEpoint, com 645 milhões de toneladas, o que seria um acréscimo de 3,5% ante a média calculada pelo NovaCana na mais recente sondagem para a safra corrente.
A analista complementa que parte da matéria-prima é referente da cana bisada, que deve somar cerca de 10 milhões de toneladas. Se concretizado, o volume representará uma das maiores safras já vistas pelo Centro-Sul.

A StoneX traz a segunda maior visão, com 628,8 milhões de toneladas. O volume previsto pela consultoria resultaria em um acréscimo de 0,9% quando comparado com o mais recente levantamento do NovaCana.
Na outra ponta da lista, a menor visão foi da Safras & Mercado, com 598 milhões de toneladas. Esta é a única estimativa que considera que a próxima temporada ficará abaixo da marca de 600 milhões de toneladas.

Mix de produção voltado para o açúcar
Com o mercado de açúcar ainda em alta e incertezas a respeito das safras de outros grandes países produtores, como Índia e Tailândia, o adoçante deverá ser novamente o protagonista no ciclo 2024/25.
Lívea Coda, da hEDGEpoint, aponta que os recentes investimentos em cristalização feitos pelas usinas reforçam que a safra irá maximizar o açúcar. Ela ainda destaca que há a possibilidade de o mix de produção superar o direcionamento de 50% da matéria-prima para a commodity.
A ideia é corroborada por Luciana Torrezan, da BP Bunge: “Com cenário construtivo para o açúcar e capacidade adicional de cristalização, as usinas deverão maximizar a produção de adoçante”.
Além disso, o relatório da StoneX destaca que, apesar de estar recuperando parte de sua demanda, o mercado de etanol ainda não apresentou um suporte sólido para aumentar seus preços e realmente competir com o açúcar.
Conforme a média das nove consultorias ouvidas pelo NovaCana, 50,4% da matéria-prima disponível deverá ser direcionada a fabricação de açúcar. Em relação às projeções para 2023/24, que estimam um mix 48,8% voltado ao adoçante, há o crescimento de 1,59 ponto percentual.
A porcentagem de matéria-prima voltada para a produção de etanol, por sua vez, ficou em 49,6%, na média.

As maiores perspectivas para o mix açucareiro são da Datagro e da BP Bunge, que indicam que 51,8% da matéria-prima poderá ser destinada a fabricação do adoçante. Em seguida, a StoneX visualiza 51,4%.
Além disso, quatro companhias apontam que pouco menos de 50% do mix deverá ser voltado ao açúcar: S&P Global Commodity Insights; Pecege; Safras & Mercado; e Agroconsult.
Mais uma safra doce
Com um mix ainda mais voltado ao açúcar, a produção da commodity deve chegar a 41,69 milhões de toneladas, segundo a média das nove companhias consultadas pelo NovaCana. O volume representa um aumento de 2,3% em relação à projeção para 2023/24, de 40,74 milhões de toneladas. Este também seria um recorde para a produção do produto no Centro-Sul.

A StoneX tem a maior perspectiva para a produção do adoçante, com 43,2 milhões de toneladas, o que representaria um crescimento de 6% em relação à média das expectativas para a atual safra. Em seguida, a hEDGEpoint indica uma produção de 43,1 milhões de toneladas.
Assim, apenas as duas menores visões para o açúcar em 2024/25 ficaram abaixo da projeção para a atual safra, com as 40,1 milhões de toneladas previstas pela Agroconsult e as 40,67 milhões de toneladas esperadas pelo Pecege.
Etanol praticamente estabilizado
Com o açúcar em destaque na safra 2024/25, o etanol ficou novamente em segundo plano. Atualmente, a expectativa é de uma leve queda na produção do biocombustível.
A média das empresas consultadas chegou a 31,27 bilhões de litros, entre o etanol de cana e o de milho. O volume representaria uma leve queda de 0,12% ante os 31,3 bilhões de litros esperados para a safra corrente.

A possível retração virá do biocombustível de cana-de-açúcar. Na média, as empresas esperam que sejam fabricados 25,06 bilhões de litros de etanol de cana, o que representaria uma queda de 4,2% ante o resultado esperado para a safra atual, de 26,15 bilhões de litros.
Já o renovável feito a partir do grão apresentaria um aumento de 16,5%, saindo de 6,02 bilhões em 2023/24, para 7,01 bilhões de litros na média desta pesquisa.
Considerando os dois tipos de etanol, a produção para o anidro de cana está prevista em 10,33 bilhões de litros na média – retração de 6,7% ante os 11,07 bilhões de litros esperados para 2023/24. A maior projeção, de 11,5 bilhões de litros, foi feita pela Safras & Mercado, enquanto a menor foi a da BP Bunge, com 8,4 bilhões de litros.
A média do hidratado de cana, por sua vez, passaria por uma baixa de 4,2%, saindo de 15,39 bilhões de litros em 2023/24 para 14,75 bilhões de litros na média das empresas ouvidas pelo NovaCana. Neste caso, a maior perspectiva é da BP Bunge, com 16,3 bilhões de litros, e a menor visão é da Safras & Mercado, com 12,5 bilhões de litros.

A fabricação de etanol anidro a partir do milho chegou a uma média de 2,86 bilhões de litros na sondagem, o que representaria um acréscimo de 16,9% em relação aos 2,44 bilhões de litros esperados para a safra 2023/24. A maior perspectiva veio da hEDGEpoint, com 3,1 bilhões de litros, e a menor pela Datagro, com 2,6 bilhões de litros.
A média do etanol hidratado de milho é de 4,16 bilhões de litros, um aumento de 16,3% no comparativo com os 3,57 bilhões de litros projetados para a temporada corrente. Neste caso, a hEDGEpoint segue com a maior perspectiva de produção, com 4,6 bilhões de litros, enquanto 3,7 bilhões de litros foram estimados pela Agroconsult.
Visões para o ATR
De acordo com dados da Unica, até agora, a concentração de açúcares totais recuperáveis (ATR) chegou 140,25 quilos por tonelada de cana. As estimativas das empresas neste levantamento ficaram em linha com o resultado, com 140,54 kg/t.
Nas divulgações individuais, entretanto, apenas a Safras & Mercado acredita em uma elevação do índice, com 148 kg/t. As outras sete companhias indicam leves quedas.

A menor retração entre uma safra e outra, de 0,2%, foi projetada pela StoneX, que aponta um ATR de 140,4 kg/t. Em seu relatório, a consultoria explica que o número poderá ser revisado, caso a ocorrência do El Niño permaneça em evidência durante o outono de 2024. O fenômeno poderia trazer temperaturas e volume de chuvas acima da normalidade.
Já a Datagro prevê um ATR de 139,2 kg/t, o que seria um decréscimo de 1,1% no comparativo com uma média de projeções para a safra atual, na maior discrepância entre os números apresentados.
A quantidade total de ATR – que em alguns casos foi calculada pelo NovaCana com base nos dados de moagem e de ATR por tonelada – atingiu uma média de 87,27 milhões de toneladas. O montante representaria uma queda de 0,5% ante as 87,74 milhões de toneladas esperadas para a safra 2023/24.

A hEDGEpoint trouxe a maior visão da amostra, com 89,1 milhões de toneladas, o que seria um acréscimo de 1,6%.
Já a menor expectativa para o ATR total, de 86,21 milhões de toneladas, veio do Pecege. Neste caso, o valor representaria uma retração de 1,7% ante a média das expectativas para 2023/24.
Giully Regina – NovaCana