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BP Bunge, FG/A e hEDGEpoint veem moagem acima de 600 mi t em 2023/24 e 2024/25

Muita cana deve restar em pé ao final da atual temporada devido à limitação de capacidade de moagem

NovaCana 11 min de leitura

A produção de cana-de-açúcar no Brasil deve terminar o ciclo atual e iniciar o próximo com bons números de produção e produtividade, além de um foco industrial direcionado ao açúcar, produto que segue se mostrando mais vantajoso financeiramente.

Durante a sexta edição da Conferência NovaCana, ocorrida no início de setembro, a visão de três profissionais chegou a estas mesmas conclusões, com expectativas de moagem de cana nas temporadas nacionais 2023/24 e 2024/25 acima das 600 milhões de toneladas.

Para a gerente sênior de inteligência de mercado da BP Bunge Bioenergia, Luciana Torrezan, o clima brasileiro está “excelente”, permitindo que a produtividade agrícola da cana atinja níveis recordes e se mantenha assim. Ela completa: “Geralmente, em julho e agosto, vemos a produtividade caindo; neste ano, isso não está ocorrendo ou está caindo pouco”.

De acordo com ela, parte da motivação destes resultados é a maior quantidade de cana de primeiro corte. Ainda assim, a gerente reforça que, em todos os estágios, a produtividade da cana está “muito boa”.

Por mais que a estimativa da BP Bunge seja de cerca de 650 milhões de toneladas de cana disponíveis na safra 2023/24, Torrezan pontua que não será possível moer todo este volume devido à limitação na utilização de capacidade de moagem.

Desta forma, ela assume que as usinas trabalharão até dezembro, em um cenário semelhante ao do ciclo 2015/16. “Naquela safra, também teve El Niño, uma grande disponibilidade de cana e muita cana bisada”, recorda.

O grupo sucroenergético prevê que 629 milhões de toneladas serão processadas em 2023/24. Com um direcionamento de 48,5% da matéria-prima para o açúcar, a BP Bunge acredita em uma produção de 40,3 milhões de toneladas da commodity, além de 32,3 bilhões de litros de etanol, sendo 5,9 bilhões advindos do milho.

A versão completa desta reportagem (exclusiva para os assinantes do NovaCana) traz análises da BP Bunge, FG/A e hEDGEPoint, com números e argumentos para a atual temporada e para 2024/25.

A produção de cana-de-açúcar no Brasil deve terminar o ciclo atual e iniciar o próximo com bons números de produção e produtividade, além de um foco industrial direcionado ao açúcar, produto que segue se mostrando mais vantajoso financeiramente.

Durante a sexta edição da Conferência NovaCana, ocorrida no início de setembro, a visão de três profissionais chegou a estas mesmas conclusões, com expectativas de moagem de cana nas temporadas nacionais 2023/24 e 2024/25 acima das 600 milhões de toneladas.

Para a gerente sênior de inteligência de mercado da BP Bunge Bioenergia, Luciana Torrezan, o clima brasileiro está “excelente”, permitindo que a produtividade agrícola da cana atinja níveis recordes e se mantenha assim. Ela completa: “Geralmente, em julho e agosto, vemos a produtividade caindo; neste ano, isso não está ocorrendo ou está caindo pouco”.

De acordo com ela, parte da motivação destes resultados é a maior quantidade de cana de primeiro corte. Ainda assim, a gerente reforça que, em todos os estágios, a produtividade da cana está “muito boa”.

Por mais que a estimativa da BP Bunge seja de cerca de 650 milhões de toneladas de cana disponíveis na safra 2023/24, Torrezan pontua que não será possível moer todo este volume devido à limitação na utilização de capacidade de moagem.

Desta forma, ela assume que as usinas trabalharão até dezembro, em um cenário semelhante ao do ciclo 2015/16. “Naquela safra, também teve El Niño, uma grande disponibilidade de cana e muita cana bisada”, recorda.

O grupo sucroenergético prevê que 629 milhões de toneladas serão processadas em 2023/24. Com um direcionamento de 48,5% da matéria-prima para o açúcar, a BP Bunge acredita em uma produção de 40,3 milhões de toneladas da commodity, além de 32,3 bilhões de litros de etanol, sendo 5,9 bilhões advindos do milho.

Um número ainda mais elevado vem da FG/A, que também participou da Conferência NovaCana. “Em fevereiro de 2023, falávamos em 600 milhões de toneladas de moagem e era meio absurdo; em setembro do ano passado, falávamos em 603 milhões de toneladas e era um número fora da perspectiva. Agora, entendemos que teremos 650 milhões de toneladas e que podemos atingir até 670 milhões de toneladas”, expressa o sócio da consultoria, Willian Orzari Hernandes.

Porém, ele também acredita que nem toda essa produção deve ser moída, corroborando com a visão de Torrezan. “A conta é quanto teremos de cana bisada. Vai sobrar cana para o ciclo seguinte, o que é bom”, diz Hernandes.

“Estamos vivendo um momento de ‘super cana’ no Brasil e o preço não cai, segue resistente à oferta. As usinas conseguem estar cheias, com rentabilidade, gerando fluxo de caixa sem queda de preço”, William Hernandes (FG/A)

Portanto, a expectativa de moagem da consultoria é de 625 milhões de toneladas, com uma concentração de açúcar total recuperável (ATR) de 139,61 quilos por tonelada, além de um mix voltado para o açúcar em 48,1% e a produção da commodity atingindo 40 milhões de toneladas. Já a fabricação de etanol de cana pode chegar a 26,57 bilhões de litros; se somado aos 6,15 bilhões de litros de etanol de milho, o montante alcança 32,72 bilhões de litros.

Para o chefe de açúcar para as Américas na hEDGEpoint, Murilo de Mello, a safra brasileira apresenta condições “excepcionais”, com uma projeção de 616,5 milhões de toneladas para 2023/24 – o valor é o mais baixo dentre os três apresentados na Conferência NovaCana.

“Tem mais cana do que isso, mas ela vai sobrar em pé. Podemos ter um pouco de crescimento, com valores substancialmente mais altos, porque o clima está muito seco e isso favorece a moagem do Brasil”, completa Mello.

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O índice de ATR, por sua vez, é estimado pela consultoria em 139,7 quilos de açúcar por tonelada de cana. Com mix de produção altamente açucareiro, em 48,3%, a fabricação do adoçante foi prevista em 39,7 milhões de toneladas em 2023/24.

Desafios na moagem

Para os próximos meses, Hernandes considera que há um cenário mais desafiador devido à chuva, que coloca em xeque a possibilidade do setor moer toda a cana disponível até o final da atual safra.

“No ano passado, tivemos um grande avanço da moagem, atingindo 359 milhões de toneladas até 16 de agosto. Para fechar nas 625 milhões de toneladas, que é o número projetado neste momento, faltaria moer 265 milhões de toneladas, muito acima do ano passado em que não teve El Niño. Traz uma incerteza sobre a capacidade de moagem”, detalha o sócio da FG/A.

Olhando para a safra 2015/16, temporada em que ocorreu o fenômeno climático, os dados históricos mostram que, de 16 de agosto em diante, o Brasil processou 295 milhões de toneladas, 30 milhões a mais que as 265 milhões estimadas. “Isso faz pensar: ‘será que vamos atingir as 650 milhões de toneladas?’ Acho que é muito ousado, mas possível”, complementa Hernandes.

De acordo com a FG/A, a safra fecharia com 14% de aumento de moagem, 13% de incremento no ATR e 5% de alta no mix de açúcar, em um ano que não houve nenhum aumento anunciado de fábrica de açúcar. Hernandes ainda crê que essa é uma tendência que deve continuar em 2024 e 2025.

“Olhando para os dados, até 15 de agosto, é possível confirmar que o aumento de mix é por conta ampliação de capacidade silenciosa. Ninguém fala nada e o produtor está seguindo os incentivos de mercado com uma produção maior de açúcar para maximizar os seus resultados”, argumenta.

Visões para 2024/25

A estimativa inicial da BP Bunge para 2024/25 é de 610 milhões de toneladas de cana moídas, assumindo uma área disponível um pouco menor. “O plantio deste ano foi abaixo do planejado pelas usinas por conta do clima; choveu muito e elas não conseguiram plantar”, detalha Torrezan.

Ela completa: “Levantamos dados de que o plantio foi mais ou menos 18% abaixo do ano anterior. Então, no ano que vem, as usinas tentariam compensar com mais área e teríamos um pouco menos disponível para colheita”.

O cenário impacta também o rendimento, pois um menor plantio neste ano resultaria em menos cana de primeiro corte no próximo. “Estamos assumindo uma produtividade agrícola menor e um clima normal, com chuva até março, diferentemente do que vimos neste ano. A chuva se estendeu até abril e maio, o que acabou ajudando muito a produtividade nessa safra”, explica a gerente sênior.

Além disso, um levantamento da BP Bunge com vários grupos sucroenergéticos identificou um crescimento de 3% a 5% em aumento de capacidade de cristalização para o próximo ano. A visão do grupo é de um mix mais açucareiro, de 49,1%, com a fabricação de 39,8 milhões de toneladas de açúcar e 31,7 bilhões de litros de etanol, sendo 6,3 bilhões de litros advindos do milho.

A FG/A também espera uma redução de produtividade para a próxima temporada. Ainda assim, a consultoria considera que, se o clima não atrapalhar, a temporada 2024/25 deve chegar a 635 milhões de toneladas ou até superar este patamar, ficando acima do número estimado para o ciclo atual. Hernandes justifica que, quando a produtividade está muito alta, começa a ficar difícil mantê-la: “O ganho de produtividade acaba sendo menor; vamos obter menos do que o histórico em produtividade”, visualiza.

Sem mudanças muito drásticas no clima, ele acredita em uma quantidade elevada de cana –além da que será bisada, o que pode suprir a queda na produtividade de um ano para o outro. Com isso, seria possível atingir uma moagem superior ou levemente superior, mesmo com um clima mais adverso, ainda conforme o sócio da consultoria.

Do lado da produção de açúcar, ele expressa que existem alguns projetos já anunciados de expansão. “Conseguimos mapear perto de 1 milhão de toneladas de açúcar e entendemos que virá mais 1,5 milhão da expansão silenciosa. Vamos conseguir ofertar mais 2 milhões do que já está dado, com o Brasil chegando a 42 ou 43 milhões de toneladas em uma safra cheia, de 630 milhões de toneladas”, prevê.

O sócio da FG/A, entretanto, pondera que há alguns desafios com orçamento, acesso a financiamentos adequados, gestão de riscos e alocação eficiente do capital dentro das companhias. “Acaba sendo difícil colocar isso em prática em um timing adequado para o projeto vingar. Contamos nos dedos os clientes que conseguem fazer esse tipo de investimento e capturar um valor de prêmio do açúcar significativo”, explica.

A hEDGEpoint, ainda que considere que está cedo para projeções, estima 616 milhões de toneladas de cana em 2024/25, apenas 500 mil toneladas a mais ante a atual temporada.

“Estamos muito perto da capacidade de moagem brasileira. Pode ser que o valor suba para 620 milhões de toneladas, com o ATR e mix próximos ao desta safra, corroborando com a ideia de que o Brasil vai investir um pouco em cristalização e vai conseguir, mais uma vez, que o produtor vá atrás dos seus interesses para maximizar a produção, já que o diferencial de preço é tão grande”, detalha o head de açúcar.

Com isso, Murilo de Mello detalha a expectativa de uma concentração de 140 quilos de ATR por tonelada, além de um mix açucareiro de 48,6% e uma produção do adoçante de 39,9 milhões de toneladas.

Limitações na moagem e investimentos

Segundo Luciana Torrezan, há alguns anos, as usinas estavam lutando para conseguir cana e pagavam caro, mas, atualmente, está sobrando matéria-prima e faltando capacidade. “Precisamos de investimento e, para isso, é preciso anos de retorno positivo para que os investidores voltem, especialmente em moagem de cana e capacidade de cristalização, nas quais estamos no limite e é o que o mundo está pedindo para o Brasil”, visualiza.

Hernandes adiciona outro fator ao lembrar que ainda há competitividade por outros projetos nas usinas – com biogás e irrigação na mesa –, além de juros altos. “Hoje, o contexto mundial é diferente, [o investidor está] cada vez mais preocupado com a alocação eficiente de capital; as empresas estão tentando ocupar o seu dinheiro da melhor maneira possível”, detalha.

“O preço precisa ser remunerador nos curto e longo prazos para atrair capital para o próximo crescimento. Enquanto isso não ocorrer, a oferta vai ficar mais restrita. Do ponto de vista de produto, o etanol de milho ocupa uma importante função”, William Hernandes (FG/A)

Sobre o tema, Mello complementa: “Quando o empresário vai investir, ele busca retorno e retorno de longo prazo; estamos falando de uma indústria de capital intensivo, pois a cana plantada é colhida durante seis anos e o capex é extremamente alto”.

Segundo ele, os empresários buscam por segurança e clareza. “O setor investiu pesadamente em 2010, quando o etanol se mostrava muito satisfatório, e depois de algumas questões o setor engasgou e todo mundo se alavancou financeiramente; o retorno não veio”, lembra.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana

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