

Está nas mãos da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) um documento da GranBio, classificado como confidencial, que revela questões relativas a estratégia comercial do grupo.
Esta parece ser uma etapa chave para o êxito da empreitada, pois a GranBio define em seu site que as leveduras são a "principal via biológica de obtenção de etanol em larga escala".
No entanto, nem todo o documento corre sobre segredo, e o portal NovaCana revela abaixo alguns detalhes do processo.

Está nas mãos da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) um documento da GranBio, classificado como confidencial, que revela questões relativas a estratégia comercial do grupo.
O documento possui mais de 159 folhas e revela questões relativas a estratégia comercial do grupo. A CNTBio concordou com o pedido da GranBio e classificou parte do material como confidencial, por entender que "representam conteúdo de segredo industrial, bem como questões relativas à estratégia comercial".
Mas nem todo o texto corre sobre segredo, e o portal NovaCana mostra abaixo alguns detalhes do documento e como chegou ao nome GranBio.
Levedura
A levedura tradicionalmente usada na fermentação alcoólica da sacarose na primeira geração não é eficiente para processar outros açúcares contidos na cana, como a xilose – monossacarídeo do tipo aldopentose –, um dos principais constituintes da biomassa. E é este açúcar que está no alvo da GranBio. Trata-se da "linhagem RN1016 de Levedura Saccharomyces cerevisiae".O "extrato prévio" do processo que está no CNTBio explica que "o organismo a ser liberado comercialmente é uma levedura da espécie S. cerevisiae, geneticamente modificada com a introdução do gene codificador da xilose isomerase, oriundo do fungo não patogênico Piromyces sp., com aumento da expressão dos genes naturais de levedura XKS1, TAL1, TKL1, RPE1 e RKI1 e deleção do gene GRE3".
Além da autorização, a GranBio solicita parecer técnico "para as finalidades de transporte, comercialização, produção industrial de etanol, descarte e quaisquer outras atividades relacionadas ao propósito desse OGM [organismo geneticamente modificado] e progênies dele derivadas".
Não existem outros detalhes, já que a solicitação está sendo tratada em termos de confidencialidade por abranger segredo industrial e questões relativas à estratégia comercial. Esta parece ser uma etapa chave para o êxito da empreitada, pois a empresa define em seu site que as leveduras são a "principal via biológica de obtenção de etanol em larga escala".
Ainda não é possível dizer qual o papel que o microrganismo aprimorado pela pioneira nacional do etanol de segunda geração deverá desempenhar. Sabe-se, porém, que existe um acordo para o fornecimento de leveduras com a gigante holandesa DSM.
Documento
O nome da empresa que consta no processo publicado no Diário Oficial da União (DOU), não é GranBio, nem o antigo nome GraalBio. Em vez disso, o documento refere-se apenas a uma empresa chamada "Bio Celere Agroindustrial Ltda". Esta empresa possui como presidente Celso Spada Fiori, de acordo com o cadastro da empresa no site do CNTBio. No CNPQ, Fiori teve o currículo atualizado em dezembro do ano passado citando o endereço www.graalbio.com como sua homepage, o antigo site da GranBio.Para confirmar que refere-se mesmo a GranBio, o portal NovaCana procurou referências anteriores a Bio Celeres no próprio DOU. Consta uma referência no dia 24 de outubro do ano passado, na qual a empresa solicita um "Certificado de Qualidade em Biosseguranca (CQB) para um laboratório de manipulação de microrganismos". O responsável legal da empresa neste documento é Bernardo Afonso de Almeida Gradin, conhecido presidente do grupo que leva o sobrenome da família.
A GranBio foi procurada pelo portal NovaCana, e disse que ainda não pode "falar abertamente sobre o assunto".
As informações reveladas pela CNTBio indicam que a GranBio pode vir a anunciar a primeira levedura comercial brasileira apta para a produção de etanol de segunda geração (2G). Com a primeira usina em Alagoas prevista para iniciar a operação em 2014, a empresa será pioneira na produção em larga escala de biocombustível celulósico no Brasil. O documento enviado ao CTNBio possui o objetivo de conseguir autorização para comercialização e uso de uma levedura especialmente desenvolvida para o etanol de segunda geração.
Desenvolvimento de tecnologia
Além do centro de pesquisas, localizado no complexo do Techno Park, em Campinas, a GranBio tem uma estação experimental no interior de Alagoas, em São Miguel dos Campos. A estação tem foco no melhoramento genético da cana-de-açúcar, com a missão de garantir à empresa acesso a uma fonte de biomassa produtiva e com baixo custo.Em março, o vice-presidente executivo da companhia, Alan Hiltner, já havia afirmado que o etanol 2G da GranBio seria produzido a um preço cerca de 20% menor que o do álcool fabricado da forma tradicional (leia mais aqui).
Atualização
Com a grande repercussão da reportagem acima, o portal NovaCana se aprofundou no assunto e apresentou mais detalhes sobre este processo da GranBio nas reportagens abaixo:28.05.2013: Nova levedura da GranBio pode chegar no mercado ainda este ano
14.06.2013: Uma das apostas da GranBio, levedura geneticamente modificada pertence à DSM
17.06.2013: [Entrevista] GranBio fala sobre a levedura transgênica
21.06.2013: Para GranBio levedura marca o início de uma "nova e promissora era" para o etanol
21.06.2013: Documento completo: 289 páginas de informações enviadas pela GranBio para o CTNBio sobre a levedura (.pdf 35Mb)
Amanda SchArr – NovaCana