Um mês após apresentar balanço em que registrou mais um resultado negativo, a Odebrecht Agroindustrial (ODB Agro) anunciou a conclusão das obras de ampliação de uma de suas unidades
Um mês após apresentar balanço em que registrou mais um resultado negativo — prejuízo de R$ 1,193 bilhão no ciclo que se encerrou em março —, a Odebrecht Agroindustrial (ODB Agro), braço sucroalcooleiro do Grupo Odebrecht, anunciou a conclusão das obras de ampliação de uma de suas unidades. Segundo a empresa, foram aplicados cerca de R$ 300 milhões no projeto.
Apesar do site da empresa continuar informando que a expansão de capacidade de moagem continuará, este investimento deve encerrar as ampliações de capacidade da ODB Agro. Dentro do plano estratégico estabelecido para reverter o quadro de prejuízos subsequentes a intenção é aplicar menos dinheiro na área industrial.
A seguir:
- a localização da unidade e a capacidade ampliada
- as metas de produção da unidade para a safra 2015/16
- a guidance da Odb Agro para a produção de suas 9 usinas
- o contexto difícil enfrentado pela companhia
Um mês após apresentar balanço em que registrou mais um resultado negativo — prejuízo de R$ 1,193 bilhão no ciclo que se encerrou em março —, a Odebrecht Agroindustrial (ODB Agro), braço sucroalcooleiro do Grupo Odebrecht, anunciou em agosto a conclusão das obras de ampliação da Unidade Eldorado, em Rio Brilhante (MS). Segundo a empresa, foram aplicados cerca de R$ 300 milhões no projeto que elevou a moagem para 3,5 milhões de toneladas.
Nova capacidade
Com a expansão, a usina Eldorado, adquirida em 2008 pela então ETH Bioenergia, atual ODB Agro, aumenta sua capacidade de moagem em 66%, passando de 2,1 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra para 3,5 milhões de toneladas.
Segundo informa a companhia, a Eldorado tem hoje a maior moenda do mundo, capaz de processar 1,35 mil toneladas de cana por hora.
A unidade passará a produzir também etanol anidro a partir da adoção de uma desidratadora. Até então, a capacidade de produção se concentrava apenas em hidratado. Entretanto, a nova capacidade ainda não foi autorizada a operar pelo órgão regulador, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP).
A meta para a unidade é fechar a safra 2015/16 com mais de 100 mil litros de etanol hidratado, 65 mil de anidro e 150 mil toneladas de açúcar, além de 270 GWh de energia elétrica exportados.
Nova expansão?
O site da companhia informa ainda que a capacidade de moagem da unidade vai aumentar mais, “para 6 milhões de toneladas de cana”, uma nova expansão que não deve acontecer tão cedo. Isso porque dentro do plano estratégico estabelecido para reverter o quadro de prejuízos subsequentes da ODB Agro, a intenção é aplicar menos dinheiro na área industrial.
Em entrevista à Agência Estado em julho deste ano, o presidente da Odebrecht Agroindustrial, Luiz de Mendonça, informou que uma das estratégias para tentar reverter os resultados negativos subsequentes da empresa é a interrupção no investimento industrial, embora o agrícola seja mantido. Segundo ele, momentaneamente, a expansão da Eldorado foi o último investimento industrial da empresa.
O NovaCana encaminhou perguntas à ODB Agro sobre o processo de expansão, mas a empresa preferiu não dar mais detalhes além do já informado no site do grupo.
Guidance 2015/16
Para o ciclo atual, iniciado em abril, a ODB Agro trabalha com a expectativa de moer 27,5 milhões de toneladas de cana nas nove unidades, instaladas nos estados de São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. O volume representa 16% acima do obtido na temporada anterior.
Segundo comunicado, a empresa ainda quer produzir 2 bilhões de litros de etanol – sendo 1,35 bilhão de litros de anidro e 650 mil litros de hidratado – e fabricar 620 mil toneladas de açúcar no período.
Estratégia de reversão
No ano passado, a empresa apresentou um plano composto por dez iniciativas com objetivo de trabalhar pela reversão do quadro crítico no qual a companhia se encontra, com resultados negativos se sucedendo a cada safra.
Em relatório da safra 2013/2014, a gigante do setor já informava sobre a mudança de direcionamento, até então focado em expansão, para aumento de produtividade.
Este ano, a companhia revelou quais das diretrizes do plano foram colocadas em prática e entre as ações desenvolvidas estão a redução do nível de investimentos e o foco em áreas de renovação e ganhos de produtividade. A ODB Agro decidiu operar também com fornecedores, a fim de reduzir o volume de cana própria e, deste modo, diminuir os investimentos na formação e manutenção da lavoura.
No ciclo atual, a ODB Agro já captou, recursos financeiros próximos a R$ 600 milhões, vindos de operações de crédito rural, recebíveis e capital de giro, e negocia a captação de mais R$ 1,6 bilhão.
Rio Claro também ampliada
Em julho deste ano, a ODB Agro recebeu da ANP autorização para atuar com a capacidade de produção de etanol ampliada na Usina Rio Claro, em Caçu (GO).
Com isso, a unidade poderá produzir 1,2 milhão de litros de etanol anidro por dia, mais 1,8 milhão de litros diários de hidratado que já pode fabricar. A usina pode moer até 4,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra.
Filipe Albuquerque – NovaCana