Operação de R$ 2 milhões tem elevado valor simbólico para a companhia em recuperação judicial que precisa reconquistar credibilidade
Após um ano especialmente difícil, em que precisou entrar em recuperação judicial, o Grupo Aralco aos poucos busca retomar a confiança e os investimentos.
Das três usinas do grupo em operação (a quarta está parada), duas – Generalco, em General Salgado, e Alcoazul, em Araçatuba, – iniciam a moagem...
Após um ano especialmente difícil, em que precisou entrar em recuperação judicial, o Grupo Aralco aos poucos busca retomar a confiança e os investimentos. A companhia com sede em Araçatuba, no noroeste paulista, acabou de adquirir novo maquinário agrícola que deve gerar uma economia no consumo de combustível estimada em 23% no plantio e 10% na colheita.
O valor simbólico da operação supera os R$ 2 milhões aplicados nos oito novos tratores. A esperança da empresa é que esta transação empreste credibilidade a outras ações. Retomar a confiança do mercado e de fornecedores é um passo importante no processo de recuperação do grupo.
No aspecto prático, a mudança deve oferecer “maior eficiência, menor custo e elevado benefício”, segundo a companhia. Com maior potência, 225 cavalos, o maquinário da marca Case IH substitui 11 dos antigos tratores, que eram alugados.
Além desta operação, existem outras melhorias sendo implementadas, afirma o gerente agrícola Luiz Romeu Voss. “Estamos substituindo equipamentos obsoletos, que estão sendo leiloados e está sendo realizada a locação de melhores equipamentos, com mais tecnologia embarcada”, complementa.
A atualização tecnológica vem de encontro aos melhores resultados agrícolas esperados para esta safra. Para Voss, o desenvolvimento do canavial próprio “está sendo excelente”.
Apesar da chuva ter ficado abaixo da média nos meses de dezembro e janeiro, desde fevereiro a região de Araçatuba vem sendo favorecida por um bom volume hídrico. “Entre ontem e hoje foram 110 milímetros [de chuva]”, comentou por telefone nesta segunda-feira (09).
Com o clima mais favorável e a retomada de investimentos em tratos culturais, a expectativa é de uma recuperação na produtividade, com volumes acima das 70 toneladas de cana por hectare para as safra 2015/16, ante os 68 toneladas por hectare registrados no ciclo passado.
Apesar das chuvas atuais reduzirem a concentração de açúcares logo no início da colheita de cana, graças ao uso de maturadores, a aposta da Aralco é obter um ATR de 133 a 134 quilos por tonelada (kg/ton), bastante superior aos 128 kg/ton alcançados anteriormente.
A moagem prevista, de 3,8 milhões de toneladas, é 27% maior que a anterior. Quase 80% do volume será atendido com cana própria. Para complementar a matéria-prima serão adquiridas 800 mil toneladas de cana de terceiros, sendo que aproximadamente 150 mil toneladas já estão contratadas.
Apesar da grande concentração de usinas na região de Araçatuba, o gerente agrícola está confiante sobre as boas condições para a aquisição do restante da demanda de matéria-prima. “Há um bom volume de cana descoberta”, o que pode resultar na contratação por custos mais favoráveis à indústria.
Das três usinas do grupo em operação (a quarta está parada), duas – Generalco, em General Salgado, e Alcoazul, em Araçatuba, – iniciam a moagem na primeira quinzena de abril. Já a unidade Figueira, em Buritama, é produtora exclusiva de açúcar e por isso começa a safra mais tarde, no início de maio, segundo Voss, com a expectativa de melhores preços para a commodity a partir do segundo semestre do ano.
Amanda SchArr – NovaCana