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“O melhor investimento é produzir etanol hidratado”, afirma diretor da usina Alta Mogiana

Luiz Gustavo Junqueira Figueiredo alta mogiana 160415Executivo afirma que o produtor brasileiro é responsável por liderar o ajuste do mercado de açúcar. Para isso, a receita é fazer mais etanol

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Os preços do açúcar no mercado internacional, que estão no nível mais baixo dos últimos anos, continuam atrativos a muitos produtores brasileiros devido à forte desvalorização do real frente ao dólar norte-americano. Essa relação de câmbio pode levar muitas usinas que buscam liquidez a tornar o mix da safra 2015/16 menos alcooleiro, no entanto, a proposta do diretor comercial da Usina Alta Mogiana e presidente da Câmara Consultiva de Açúcar e Etanol da BM&F Bovespa, Luiz Gustavo Junqueira Figueiredo, é que o setor foque no etanol hidratado.

“Os produtores tem que ter uma visão de médio e longo prazo e não olhar apenas a arbitragem específica a um determinado período, para privilegiar um produto A, B ou C; [é preciso] tentar olhar o todo”, pede.

Veja a seguir os detalhes da visão do executivo e a expectativa da Alta Mogiana pra a safra 2015/16.

Os preços do açúcar no mercado internacional, que estão no nível mais baixo dos últimos anos, continuam atrativos a muitos produtores brasileiros devido à forte desvalorização do real frente ao dólar norte-americano. Essa relação de câmbio pode levar muitas usinas que buscam liquidez a tornar o mix da safra 2015/16 menos alcooleiro, no entanto, a proposta do diretor comercial da Usina Alta Mogiana e presidente da Câmara Consultiva de Açúcar e Etanol da BM&F Bovespa, Luiz Gustavo Junqueira Figueiredo, é que o setor foque no etanol hidratado.

“Tenho escutado alguns players comentando justamente essa vantagem do açúcar em relação ao preço do etanol e que isso poderia levar o centro-sul do Brasil a produzir um pouco mais de açúcar em detrimento ao etanol”. No entanto, alerta, esta não seria uma decisão “sensata”: “Esse mercado não está precisando do açúcar hoje e, se não precisa, nós não devemos fazer”.

“O melhor investimento que as usinas podem fazer neste momento é produzir etanol hidratado”, diz o executivo que defende a fabricação do renovável como sinalização correta para que o mercado da commodity chegue a uma situação de equilíbrio.

“Os produtores tem que ter uma visão de médio e longo prazo e não olhar apenas a arbitragem específica a um determinado período, para privilegiar um produto A, B ou C; [é preciso] tentar olhar o todo”, pede.

“Ninguém vai beber três latinhas de Coca-Cola por dia porque reduziu cinco centavos o preço, mas diminua em dez centavos o preço do litro de etanol nas bombas para ver o que acontece”

Para o diretor da Alta Mogiana, as usinas mais descapitalizadas “são as primeiras que deveriam buscar fazer mais etanol, mesmo que eventualmente uma arbitragem pontual esteja favorecendo o açúcar”. E argumenta:

“É fazendo mais etanol que você vai poder ‘comprar’ demanda, uma vez que o consumidor brasileiro é reativo a preço, [enquanto] o [mercado de] açúcar não é reativo a preço. Ninguém vai beber três latinhas de Coca-Cola por dia porque reduziu cinco centavos o preço, mas diminua em dez centavos o preço do litro [de etanol] nas bombas para ver o que acontece”.

Em fevereiro, a comercialização de etanol pelas distribuidoras de combustíveis registrou um aumento de quase 20% para o período e resultou no maior volume já demandado para o mês. No entanto, o preço ficou bem abaixo do esperado pelos produtores, muitos dos quais altamente estocados para a entressafra, justamente aguardando por melhor remuneração após a retomada da cobrança da Cide sobre a gasolina e o E27.

O dirigente vê o bom momento para a venda de açúcar como pontual enquanto o biocombustível oferece, nesta safra, fundamentos de mais estabilidade após as recentes medidas governamentais.

“Temos que aproveitar a oportunidade quer temos agora advindo do aumento do anidro na gasolina [de 25% para 27%], da redução do ICMS do etanol em Minas Gerais e do fato de estar aumentando a preferência [de consumidor] pelo etanol hidratado em vários estados [devido à melhor da competitividade] para capitalizar em cima dessa demanda crescente”.

Brasil precisa liderar ajuste

Importantes produtores como Índia e Tailândia acentuaram a distorção do mercado de açúcar, que vem marcado há anos por baixos preços, aumentando a produção graças aos subsídios que oferecem a seus produtores.

Nesse cenário incongruente, Figueiredo considera que o Brasil, como principal prejudicado da acentuada e prolongada redução do preço mundial, deve assumir um papel de liderança no freio à produção da commodity.

“O Brasil como maior produtor e maior exportador de açúcar tem um papel de liderar o processo de ajuste. Quando se é muito grande no mercado, tem que se liderar as grandes mudanças, porque você é quem tem mais a ganhar indo por um caminho correto e também quem tem mais a perder se usar uma estratégia errada”.

Segundo avalia o executivo da Alta Mogiana, produzir mais açúcar agora para se beneficiar de um possível déficit na safra 2016/17 é um equívoco.

“Esta safra ainda não aconteceu e estamos convivendo com um grande superávit de açúcar, então não faz sentido querer capitalizar em cima de uma alta de preços que, se ocorrer, será só daqui um ano”, opinou.

2015/16

Com capacidade nominal para processar 6,5 milhões de toneladas de cana, a previsão da Alta Mogiana para 2015/16 é moer de 5,2 milhões de toneladas, volume ligeiramente menor do que na safra passada, quando processou 5,3 milhões de toneladas.

Localizada em São Joaquim da Barra, no nordeste do estado de São Paulo, a usina ainda sofre o impacto da seca passada, segundo Figueiredo, o que justifica a redução de moagem esperada.

“Vamos começar fortemente voltados para o etanol hidratado em abril e pretendemos manter esta política nos próximos meses pra tentar fortalecer os preços do açúcar no decorrer do ano”, projetou.

A unidade pode produzir por safra até 10,5 milhões de sacas de açúcar, mais de 180 milhões de litros de etanol e cogerar 144,2 gigawatt-hora.

Amanda SchArr – NovaCana

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