Cálculos do BTG Pactual apontam como pressão sobre o preço do etanol deve afetar resultados de Raízen, São Martinho, Adecoagro e Jalles Machado
No começo de setembro, o governo federal apresentou o projeto da Lei Orçamentária Anual para 2023. O documento prevê, entre outras coisas, a continuidade da desoneração dos impostos federais sobre os combustíveis. Esta isenção, que inicialmente deveria acabar em dezembro deste ano, deve beneficiar principalmente os combustíveis fósseis, segundo relatório do BTG Pactual. Consequentemente, os produtores de etanol sairiam prejudicados.
“Atualmente, estimamos o preço do etanol hidratado nas usinas de São Paulo em R$ 2,70 por litro, com expectativa de subir para cerca de R$ 3/L no próximo ano. A principal responsável pelo aumento de R$ 0,30/L é a expectativa de retorno da alíquota combinada de PIS/Cofins e Cide”, afirmam os analistas.
Assim, sem impostos federais, o banco de investimentos acredita que o preço do etanol deve permanecer em torno da estimativa inicial de R$ 2,70/L. Esta perspectiva, ainda de acordo com o documento, considera um preço médio de US$ 95 para o barril de petróleo e um câmbio de R$ 5,20/US$.
A partir disso, o BTG calculou que o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da Adecoagro pode cair até 7,9% ante o atualmente estimado para 2023/24, enquanto seu Ebit (lucros antes de juros e impostos) teria um impacto negativo de 15,6%. Isso acontece, entre outros fatores, pela alta participação de cana própria na moagem da companhia, de 95%.
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No começo de setembro, o governo federal apresentou o projeto da Lei Orçamentária Anual para 2023. O documento prevê, entre outras coisas, a continuidade da desoneração dos impostos federais sobre os combustíveis. Esta isenção, que inicialmente deveria acabar em dezembro deste ano, deve beneficiar principalmente os combustíveis fósseis, segundo relatório do BTG Pactual. Consequentemente, os produtores de etanol sairiam prejudicados.
“Atualmente, estimamos o preço do etanol hidratado nas usinas de São Paulo em R$ 2,70 por litro, com expectativa de subir para cerca de R$ 3/L no próximo ano. A principal responsável pelo aumento de R$ 0,30/L é a expectativa de retorno da alíquota combinada de PIS/Cofins e Cide”, afirmam os analistas.
Assim, sem impostos federais, o banco de investimentos acredita que o preço do etanol deve permanecer em torno da estimativa inicial de R$ 2,70/L. Esta perspectiva, ainda de acordo com o documento, considera um preço médio de US$ 95 para o barril de petróleo e um câmbio de R$ 5,20/US$.
A partir disso, o BTG calculou que o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da Adecoagro pode cair até 7,9% ante o atualmente estimado para 2023/24, enquanto seu Ebit (lucros antes de juros e impostos) teria um impacto negativo de 15,6%. Isso acontece, entre outros fatores, pela alta participação de cana própria na moagem da companhia, de 95%.
Para a Raízen, que tem uma participação de cana própria de 53%, a queda estimada no Ebitda projetado para a próxima safra seria de 3,6%, enquanto o Ebit teria retração de 7,4%. São Martinho e Jalles Machado, por sua vez, tiveram resultados intermediários.

Contudo, o BTG observa que existem fatores que podem mitigar o impacto. “Com a menor competitividade do etanol na bomba, o preço do CBio [crédito de descarbonização vinculado ao RenovaBio] deverá subir”, pondera. Considerando o valor atual, a receita média das usinas é de R$0,11/L de etanol; mas, se os preços voltarem para o patamar de R$ 200/CBio, esse valor passaria para R$ 0,23/L.
“Além disso, o governo definiu uma compensação pela qual os produtores de etanol seriam ressarcidos por meio de créditos fiscais em até R$ 3,8 bilhões por cinco meses (ou R$ 0,34/L), mas não sabemos se uma medida semelhante poderia ser implementada próximo ano”, complementam os analistas.
Ao mesmo tempo, o cenário também pode piorar se o mercado de açúcar for afetado, uma vez que o etanol pouco competitivo pode estimular uma maior produção da commodity. “[O preço do açúcar] também depende do crescimento do consumo e da produção de outros países, como a Índia”, observam os analistas.
Em seus cálculos sobre como a isenção fiscal deve afetar o desempenho das usinas, entretanto, o banco se ateve ao mercado de etanol. Assim, os analistas desconsideraram tanto os efeitos mitigadores quanto o mercado de açúcar, também optando por ignorar fatores como a exportação de etanol, a fixação de preço, impactos de negócios como distribuição de combustíveis e eventuais mudanças no mix de produção das usinas.
Renata Bossle – NovaCana