Dívidas elevadas e dificuldades já na fase operacional da empresa levaram a mais um ano de prejuízos
Nos últimos anos, o declínio dos números nos resultados financeiros da GranBio Investimentos já é cenário instituído. O grupo depende de uma tecnologia ainda não comercialmente estabelecida – o etanol celulósico –, possui dívidas elevadas, tem dificuldades em produzir em escala e, portanto, em gerar receita. Os valores da última demonstração financeira, referente ao ano fiscal findo em 31 de dezembro de 2017, atualizam a situação.
Sozinha, a BioEdge Agroindustrial – uma das cinco empresas controladas e cujos resultados englobam a usina Bioflex – registrou perdas de R$ 53,11 milhões em 2017, ante um prejuízo de R$ 14,81 milhões no ano anterior.
De acordo com o demonstrativo, de janeiro a outubro de 2016, a empresa fez ajustes em equipamentos e processos produtivos a fim de alcançar “estabilidade operacional”. Na sequência, entre o quarto trimestre de 2016 e o primeiro trimestre de 2017, a BioEdge fez testes de produção.
A empresa relata que, no final do primeiro semestre de 2017, a Bioflex exportou E2G para os Estados Unidos. “A partir de então, a companhia iniciou os projetos de engenharia com o objetivo de implementar os investimentos necessários para obtenção de estabilidade operacional da unidade em escala comercial”, complementa.
O NovaCana fez compilado do relatório financeiro e apresenta uma série de destaques sobre a situação da empresa. O resultado é um quadro detalhado mais atualizado sobre a GranBio e, por tabela, da esperança para o etanol celulósico no Brasil.
- Volume de E2G produzido
- Projeção para operação em capacidade plena
- Prejuízo líquido da GranBio Investimentos
- Receita e custos da empresa
- Resultados e perspectivas por empresa do grupo
- Dívidas a longo e curto prazo
Nos últimos anos, o declínio dos números nos resultados financeiros da GranBio Investimentos já é cenário instituído. O grupo depende de uma tecnologia ainda não comercialmente estabelecida – o etanol celulósico –, possui dívidas elevadas, tem dificuldades em produzir em escala e, portanto, em gerar receita, o que se evidencia nos valores da última demonstração financeira, referente ao ano fiscal findo em 31 de dezembro de 2017.
Sozinha, a BioEdge Agroindustrial – uma das cinco empresas controladas e cujos resultados englobam a usina Bioflex – registrou perdas de R$ 53,11 milhões em 2017, ante um prejuízo de 14,81 milhões no ano anterior. A usina da GranBio é, possivelmente, se não o único, o maior responsável pelos resultados da BioEdge.
A expectativa do grupo é que a usina Bioflex aumente gradativamente sua produção até o 4º trimestre de 2018, quando deve atingir capacidade plena.
De acordo com o demonstrativo, de janeiro a outubro de 2016, a empresa fez ajustes em equipamentos e processos produtivos a fim de alcançar “estabilidade operacional”. Na sequência, entre o quarto trimestre de 2016 e o primeiro trimestre de 2017, a BioEdge fez testes de produção.
A empresa ainda relata que, no final do primeiro semestre de 2017, a Bioflex exportou esse volume de testes – cerca de 5 milhões de litros de E2G – para os Estados Unidos. “A partir de então, a companhia iniciou os projetos de engenharia com o objetivo de implementar os investimentos necessários para obtenção de estabilidade operacional da unidade em escala comercial”, complementa.
Finanças do grupo
Como um todo, de janeiro a dezembro de 2017, a GranBio Investimentos teve um prejuízo líquido de R$ 118,48 milhões – um resultado 63,94% ainda mais desfavorável que o os R$ 72,27 milhões no vermelho reportados no exercício finalizado em 2016.

Enquanto no ano anterior o que pesava nas contas da GranBio eram as despesas administrativas, somando R$ 46,49 milhões, no exercício de 2017 o vilão é o contabilizado como “outros resultados”. O valor de R$ 53,09 milhões é, principalmente, formado por Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa (PCLD), ou seja, a quantia estimada que não será recebida por conta de maus pagadores.
Outro impacto negativo foi a receita dos produtos vendidos, de R$ 25,63 milhões – representando a maior parcela de fonte de receitas da GranBio. Apesar de ser 39,07% maior que os R$ 18,43 milhões de 2016, elas rebatem em um custo mais alto e superior à receita, de R$ 29,28 milhões, ante os R$ 11,28 milhões de 2016 (+159,57%).


Com isso, a companhia teve um resultado bruto negativo de R$ 3,6 milhões diante dos R$ 7,15 milhões positivos vistos no ano anterior. O prejuízo já na fase operacional era esperado, pois os custos foram superiores às receitas em 14,24%.

Resultados das demais empresas
Além da BioEdge Agroindustrial, os resultados da GranBio Investimentos se referem também às outras quatro empresas controladas – GranBio LLC, BioPlant, BioCelere e Bio Vertis – e a quatro companhias coligadas, sobre as quais a GranBio tem 50% de participação. São elas: Companhia Elétrica de São Miguel dos Campos, Granapi LLC, API - Intelectual Property Holdings LLC e SGBio Renováveis.

Entre as empresas controladas, as maiores perdas de 2017 vieram da BioEdge (R$ 53,11 milhões), seguida pela GranBio LLC, que teve resultado negativo em R$ 38,08 milhões. A GranBio LLC, estabelecida nos Estados Unidos, é responsável pelas atividades de investimento em empresas que se conectem ao plano de negócios do grupo, como o desenvolvimento de tecnologias de conversão de biomassa em açúcar celulósico para bioquímicos e etanol de segunda geração, além do desenvolvimento de nanocelulose para biomateriais diversos.

Já a BioVertis é voltada para a cadeia de biomassa, da experimentação à colheita, e, mais especificamente, para a cana-energia e a palha de cana. Segundo o documento, a empresa avançou no melhoramento genético de cana-energia a partir de “cultivares mais promissores”. Isso, contudo, não impediu um prejuízo de R$ 6,96 milhões em 2017.
“A companhia possui contratos de licenciamento de cana-energia junto a clientes produtores de etanol, programa este que se encontra nas etapas de plantio de viveiro e semicomercial, com expectativa de atingir escala comercial nos próximos anos”, informa.
Por sua vez, a BioCelere Agroindustrial – que teve perdas de R$ 2,39 milhões no último ano – é voltada para a pesquisa científica a fim de aprimorar os processos de conversão de biomassa em açúcar e desenvolver microrganismos geneticamente modificados. De acordo com a publicação, o principal destaque foi patentear uma levedura geneticamente modificada na produção do E2G para uso comercial.
A quinta companhia é a BioPlant Agroindustrial, que implementa em escala industrial a produção de bioquímicos e biocombustíveis. Em 2017, ela teve um prejuízo de R$ 571 mil.
Previsões para a GranBio
No documento, é projetada também a capacidade do grupo continuar operando em um futuro próximo. “A administração segue analisando alternativas que permitam à companhia
apresentar uma estrutura de capital equilibrada, visando o pleno atendimento do seu plano de negócios de longo prazo”, aponta.
Entre essas possibilidades estão: a entrada de um sócio minoritário para aumento de capital; a entrada em operação da Bioflex no quarto trimestre deste ano (a fim de atingir escala comercial no ano seguinte); e a renegociação de dívidas – já em andamento – junto às instituições financeiras, com mudanças nos vencimentos.
Além disso, a GranBio também procurou minimizar o impacto de seu prejuízo. De acordo com a empresa, o valor de R$ 118,48 inclui R$ 85,58 milhões referentes a dois custos: a provisão para devedor duvidoso (R$ 49,25 milhões), ou seja, valores que ainda não existem na prática, mas já estão previstos pela empresa; e a realização de impairment de ativo da empresa investida no exterior (R$ 36,33 milhões), referentes à desvalorização em moeda local da empresa fora do Brasil.
A empresa ainda complementa que, no exercício fiscal encerrado em 31 de dezembro de 2017, a GranBio tinha capital circulante negativo em R$ 68,78 milhões. Contudo, o saldo negativo foi afetado por R$ 87,55 milhões em debêntures que venceriam em março desse ano, mas foram posteriormente renegociados para maio de 2019. Nessas circunstâncias, o capital circulante seria de R$ 18,77 milhões.
Perfil da dívida
Em 31 de dezembro de 2017, as dívidas com empréstimos e financiamentos da GranBio Investimentos somavam R$ 578,28 milhões – valor 4,21% inferior à posição da dívida um ano antes, quando o montante era de R$ 603,72 milhões.

Desse total, 83,38% corresponde a dívidas com empréstimos a longo prazo, ou seja, com vencimentos superiores a 12 meses, totalizando R$ 482,17 milhões. Esse total é 8,4% inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior, quando essa parte da dívida somava R$ 526,38 milhões.

Já a curto prazo, os débitos somam R$ 96,10 milhões, frente aos R$ 77,32 milhões demonstrados na posição em 2016 (+24,29%). Dentro desse montante estão os R$ 87,55 milhões em debêntures emitidas pela BioFlex por meio do Banco Itaú, a fim de financiar o capital de giro da empresa. Esses valores que, a princípio, foram posteriormente renegociados e, agora, têm vencimento em maio de 2019.

Além das debêntures, indexadas a Certificado de Depósito Interbancário (CDI), a dívida total ainda inclui R$ 248,91 milhões com juros pré-fixados, referentes a contratos de financiamentos para a construção da usina e a compra de maquinário agrícola, firmados com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Banco do Nordeste do Brasil (BNB).
Já os R$ 240,64 milhões que correm com Taxa de Juros de Longo Prazo (TJPL) também foram comprometidos com a construção de planta industrial, por intermédio do BNDES. Em 2017, foi acrescentada uma nova taxação, a Selic, correspondente a renegociação de dívida de R$ 88 mil junto ao BNDES em relação a financiamentos a longo prazo.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana