A cada ano o governo federal reduz suas expectativas de implantação de nova capacidade de produção de etanol, ao mesmo tempo em que continua prevendo a ampliação da participação do etanol no abastecimento dos motores de ciclo Otto
A cada ano o governo federal reduz suas expectativas de implantação de nova capacidade de produção de etanol, ao mesmo tempo em que continua prevendo a ampliação da participação do etanol no abastecimento dos motores de ciclo Otto.
A nova versão do planejamento do governo tem visões mais pessimistas sobre a expansão do setor sucroenergético do que se apostava anteriormente.
O portal NovaCana analisou as diversas previsões do governo e apresenta em detalhes as informações:
- As novas usinas e as reativações esperadas para os próximos dez anos
- A capacidade extra de moagem prevista para os próximos anos
- Utilização da capacidade pelas usinas
- Os investimentos necessários (em R$ por tonelada) para ampliação das usinas
- A previsão para a penetração do etanol celulósico
- A competição estrutural por matéria-prima pode definir investimentos futuros das empresas
A cada ano o governo federal reduz suas expectativas de implantação de nova capacidade de produção de etanol, ao mesmo tempo em que continua prevendo a ampliação da participação do etanol no abastecimento dos motores de ciclo Otto.
A nova versão do Plano Decenal de Energia, que está em consulta pública e contempla o horizonte até 2024, tem visões mais pessimistas sobre a expansão do setor sucroenergético do que se apostava nas versões anteriores.
Na nova versão do PDE, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME), perdeu um terço de seu otimismo: a previsão de usinas novas até 2024 é de 12 unidades. Para o curto prazo, até 2017, a expectativa é que sejam instaladas três unidades novas. No ano passado, o plano previa 18 novas unidades até 2023, das quais cinco seriam instaladas até 2016.
Até 2017: reabertura de unidades supera projetos novos
O número reduzido de investimentos, aponta o estudo, seria “reflexo da crise global de crédito em 2008 e 2009 e de consecutivas margens de lucro negativas”. Os três projetos previstos para os próximos dois anos trariam uma capacidade de moagem nominal de 8 milhões de toneladas de cana. No entanto, a utilização plena das instalações não corre de forma imediata, sendo precisos cerca de quatro anos para isso.
Para que a capacidade seja ampliada em termos efetivos no curto prazo, a EPE aposta na reabertura de unidades desativadas. “Espera-se que, entre 2015 e 2017, ocorra a reativação de sete unidades produtoras, como resultado do processo de recuperação judicial, adicionando mais 14 milhões de toneladas em capacidade nominal de moagem de cana”.
Entretanto, a análise acredita que a recuperação de capacidade se daria principalmente por ações dos governos estaduais de Pernambuco e Rio de Janeiro (2), assim como da reativação de unidades em outros estados (Minas Gerais, Goiás, São Paulo e Mato Grosso do Sul) que paralisaram suas atividades temporariamente, indicando seu retorno em uma data específica.
De 2018 a 2024 mais nove usinas
Na segunda parte do período em análise, a partir de 2018, a expectativa é de certa retomada de interesse nos investimentos, resultando na instalação de nove unidades. Baseada em observações de mercado, a EPE acredita que cada usina nova terá uma capacidade nominal de moagem de 3,7 milhões de toneladas de cana por safra. Conjuntamente, elas elevariam a capacidade do setor em 33 milhões de toneladas.
Adicionalmente, através de projetos de expansão de unidades existentes precisariam ser adicionados cerca de 36 milhões de toneladas para atender o total de cana projetado para 2024.
Se as ampliações e os projetos de implantação forem viabilizados, seriam adicionados 69 milhões de toneladas de capacidade, entre 2018 e 2024.
91 mi/ton de capacidade adicional
Considerando os projetos novos, as ampliações e reativação de usinas previstas para o horizonte decenal, seriam adicionados 91 milhões de toneladas de capacidade. Se fosse integralmente mantido o parque atualmente em operação, a capacidade total de moagem atingiria 811 milhões de toneladas.

Sobre a viabilidade do crescimento estimado, a EPE repete o mesmo que dizia no ano passado, quando acreditava em um crescimento decenal da ordem de 149 milhões de toneladas de capacidade de moagem: “após a análise das unidades do setor, estratificadas por data de implantação e capacidade média, estimou-se que essa expansão da indústria é plausível”. O trabalho não menciona perspectivas de mercado.
A previsão considera a capacidade total de moagem estimada ao final do primeiro trimestre de 2015, de cerca de 720 milhões de toneladas de cana, número que já admite o fechamento de 11 usinas neste ano. Tendo como base levantamento da Conab e a moagem realizada na safra 2014/15, o estudo conclui que a utilização da capacidade está em torno de 88%.
A estimativa de capacidade leva em conta que 362 unidades produtoras de açúcar e etanol estão em operação, das 369 usinas cadastradas junto ao Ministério da Agricultura.
Mas além das unidades inativas, há incerteza sobre o futuro operacional de mais de duas dezenas de usinas. O estudo conclui que 23 unidades em operação estavam em recuperação judicial ao fim do primeiro trimestre de 2015, representando um montante de 34 milhões de toneladas de cana.

O estudo avalia que cada tonelada de cana de capacidade nova demandaria um investimento entre US$ 136 e US$ 151, respectivamente, para destilarias e usinas mistas. Considerando apenas a capacidade estimada para projetos de novas usinas e de ampliações (77 mi/ton), precisariam ser aplicados US$ 11,05 bilhões para torná-los realidade.
Com o câmbio de R$ 2,65 adotado pelo estudo – bem diferente do atual que fica na casa dos R$ 4 –, em moeda nacional seria necessário aportar R$ 28,2 bilhões.
Capacidade de produção de etanol
Na fase inicial do decênio, o estudo prevê que a oferta total de etanol passará de 31 bilhões de litros, em 2015, para 36 bilhões de litros em 2018. Com as novas unidades produtoras, em 2024, a capacidade brasileira de produção de etanol hidratado deverá atingir 44 bilhões de litros.
A capacidade nominal de produção de etanol hidratado, atualmente em operação, é estimada em 37,9 bilhões de litros. A estimativa leva em conta o número máximo de dias de moagem ocorrido entre as safras 2010/11 e 2012/13. Da capacidade total, cerca de 19,3 bilhões de litros podem ser utilizados para a produção do etanol anidro. Assim, caso fosse atingida a produção máxima de anidro, a capacidade resultante de hidratado seria de 18,6 bilhões de litros.
Etanol celulósico
Ao final do horizonte decenal, a indústria de etanol de segunda geração deve representar 1% do total da capacidade de produção de biocombustível no setor no Brasil. Isso significaria instalações para a produção de 429 milhões de litros de etanol celulósico distribuídos em sete plantas, das quais três estão em operação – Granbio, Raízen unidade Costa Pinto e CTC.
“O principal desafio para o gerenciamento destas usinas, durante o período em estudo, permanece sendo a mudança da atual configuração do processo de produção de açúcar, etanol convencional e bioeletricidade, para outra em que se produza, além destes, o etanol celulósico. O projeto que se julga mais econômico é aquele que integra as duas produções”.
Mesmo sem se aprofundar na análise da segunda geração, o estudo diz que as “usinas que implantaram a cogeração de alta eficiência poderão ter dificuldades para fabricar o etanol de segunda geração em plantas comerciais”.
O entendimento do PDE é que neste horizonte decenal, quase todo o bagaço das usinas que apostaram em cogeração estará comprometido, restando para a produção do 2G apenas as pontas ou a palha da cana, matéria-prima que requer investimentos para que seja aproveitada.
Para usar a palha, como propõe o modelo adotado pela GranBio, “a viabilidade econômica terá que ser avaliada, devido aos custos adicionais com equipamentos para enfardamento e processamento”, conclui a análise.
NovaCana

