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Governo faz análise da capacidade de moagem das usinas e evolução nos últimos 10 anos

moagem cana 190516O setor viveu um boom de novas usinas e depois um ritmo acelerado de fechamentos. Mas como evoluiu a capacidade de moagem do parque industrial?

NovaCana 5 min de leitura

O governo realizou uma análise sobre a atual capacidade produtiva do setor sucroalcooleiro brasileiro e como a moagem máxima das usinas evoluiu nos últimos dez anos.

Pela primeira vez foi cruzado dados oficiais do Ministério da Agricultura (Mapa) e da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para apresentar um quadro de quanto as usinas brasileiras podem atender a demanda do mercado, incluindo a análise de usinas fechadas, implantadas e reabertas, e taxa de ocupação das mesmas.

Confira a seguir:

- O fluxo de implantação, reativação e fechamento de unidades entre 2005 e 2015

- Os números oficiais atualizados do governo sobre capacidade de moagem

- Saldo da capacidade produtiva em 2015

- Taxa de ocupação da indústria sucroalcooleira na visão do governo

A atual capacidade produtiva do setor sucroalcooleiro brasileiro e como a moagem máxima das usinas evoluiu nos últimos dez anos foi objeto de análise da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), empresa pública vinculada ao Ministério de Minas e Energia.

Pela primeira vez os dados oficiais do Ministério da Agricultura (Mapa) e da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) foram cruzados para chegar a um número atualizado do volume de cana que o país consegue moer e quantas usinas encontram-se operando atualmente.

Pelo fluxo de implantação, reativação e fechamento de unidades entre 2005 e 2015, a EPE reconheceu que o setor vive um cenário de estagnação, e que não existe “expectativa de alteração no curto prazo”.

entradas e fechamentos

O número de novas unidades implantadas caiu significativamente desde 2008, mas o número de unidades fechadas por ano tem diminuído. Além disso, a situção tem melhorado pois as usinas que estão conseguindo se reativar aumentaram, especialmente em 2015.

Dessa maneira, de acordo com o levantamento da estatal, a capacidade nominal de moagem de cana aumentou 180 milhões de toneladas ao longo do período de 2005 e 2015, considerando o saldo resultante das unidades implantadas, desativadas e reativadas.

A capacidade total de moagem em 2015, segundo a EPE com base nos dados do MAPA, é de 750 milhões de toneladas. O número é resultado da capacidade de 376 usinas, ou seja, a moagem média das usinas em atividade no Brasil é de 1,99 milhão de toneladas.

As informações atualizam as perspectivas da instituição apresentadas no Plano Decenal de Energia (PDE) 2024, publicado em setembro de 2015, em que a capacidade alcançava 720 milhões de toneladas de cana.

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A estatal ainda estima, a partir de dados de moagem em 2015, de aproximadamente 660 milhões de toneladas, uma taxa de ocupação da indústria sucroalcooleira de 88%. A ocupação está próximo da leitura do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BDNES), que no fim do ano passado, tinha previsto que o país deveria terminar com uma moagem total de 655,2 milhões de toneladas e uma ocupação em torno de 84,7%.

dados mapa 2015 e 2016

Importante registrar ainda que a EPE realizou algumas alterações na forma de cálculo da capacidade de moagem de cana. Na contabilidade não são consideradas: as unidades identificadas como produtoras de aguardente (mesmo que estejam no cadastro do Mapa), as unidades produtoras de etanol não derivados de cana, além daquelas que paralisaram e retornaram no mesmo ano civil.

Saldo de 2015: moagem das usinas fechadas, reativadas e construídas

No último ano, a capacidade de moagem do Brasil aumentou apenas 1,7 milhão de toneladas. O saldo é resultante da diferença de novas usinas em operações e desativações.

Ao longo de 2015, entrou em atividade uma nova unidade produtora, com capacidade de moagem de 2,7 milhões de toneladas e localizada em Santa Vitória (MG), além de outras sete unidades, com capacidade acumulada de 10,5 milhões de toneladas.

No ano, ainda deixaram de operar onze unidades por problemas financeiros, o que retirou do parque produtivo 11,5 milhões de toneladas em capacidade de moagem de cana.

novas fechamentos e reativacoes

Saldo do primeiro trimestre de 2016

Somam a este resultado no ano passado, a adição de quase 1 milhão de toneladas de capacidade de moagem no período de janeiro a março de 2016. A capacidade adicional é resultante de duas unidades reativadas, com capacidade conjunta de 2,2 milhões de toneladas, menos a capacidade instalada de moagem de cana de 1,4 milhão de toneladas de uma unidade que deixou de operar no período.

Produção de etanol

A EPE fala também sobre as divergências entre os dados oficiais da ANP e do MAPA em relação ao total de usinas do Brasil. Enquanto o Mapa realiza o controle das unidades em operação, incluindo aquelas que produzem apenas açúcar, a ANP controla quem está apto a comercializar etanol, mesmo que não estejam operando. Assim, “as divergências entre os relatórios das duas entidades devem-se ao diferentes objetivos almejados”.

Para a ANP existem 383 unidades aptas a comercializar etanol anidro e hidratado ao fim de 2015. Suas capacidades de produção de anidro e hidratado eram de aproximadamente 116 mil m³/dia e 213 mil m³/dia, respectivamente. Considerando uma safra de 180 dias, a capacidade de produção de etanol no Brasil alcança 20,88 bilhões de litros de anidro e 38,34 milhões de litros de hidratado.

dados da anp

Marina Gallucci - NovaCana

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