A previsão de que sua alavancagem líquida, atualmente considerada elevada, diminua de 5,1 vezes para 4,6 vezes nas próximas safras
Mesmo em situação de endividamento delicada, a Biosev, divisão sucroenergética da trading Louis Dreyfuss Commodities (LDC), conseguiu melhorar sua posição financeira, fortemente impactada pela relação de sua dívida com o dólar, responsável por 76% do total de créditos emprestados.
Um exemplo do melhor posicionamento da Biosev, segundo a Fitch, é a previsão de que sua alavancagem líquida, atualmente considerada elevada, diminua de 5,1 vezes para 4,6 vezes nas próximas safras. A agência de classificação de risco apontou a maximização de lucros possibilitada pelo mix de produção, que subiu a favor do etanol, cuja fatia subiu 1,2 ponto porcentual no período de nove meses encerrado em 31 de dezembro de 2014.
“A capacidade de desalavancagem da companhia dependerá amplamente de sua capacidade de...”
Mesmo em situação de endividamento delicada, a Biosev, divisão sucroenergética da trading Louis Dreyfuss Commodities (LDC), conseguiu melhorar sua posição financeira, fortemente impactada pela relação de sua dívida com o dólar, responsável por 76% do total de créditos emprestados.
A agência de classificação de risco Fitch aponta que a estratégia adotada pela companhia de armanezar produto de olho em mais preços altos na entressafra já está recompensando e facilitou a redução de dívidas de curto prazo. Atualmente, a Biosev é a segunda empresa com melhor rating (BB -) do setor sucroalcooleiro na avaliação da Fitch, de um total de seis companhias. A melhor avaliada é a Raízen (BBB).
De acordo com o relatório dos analistas da instituição, a empresa tirou proveito dos melhores preços de etanol registrados em janeiro e fevereiro deste ano. Com isso, a Biosev pôde diminuir a dívida de curto prazo de R$ 1,9 bilhão em março do ano passado para R$ 1,6 bilhão no mesmo mês deste ano -- queda de 15,3%; levando em conta a participação da dívida de curto prazo no cômputo geral, sua redução foi de 36% para 26%. Isso foi fundamental considerando que o risco de aumento de calotes no setor sucroalcooleiro tem colocado em dificuldade grupos que recorrem a formas de financiamento.
“A Biosev continua tendo acesso a financimentos de médio e longo prazos junto a instituições financeiras em 2015, apesar do aumento de risco sistêmico do setor brasileiro de açúcar e etanol. A companhia também rolou alguns créditos em 2015 para melhorar o perfil de vencimento de sua dívida e aliviar a pressão de curto prazo”, diz o documento.
Composição da dívida
O documento da Fitch mostra a composição do endividamento da Biosev em 31 de dezembro de 2014, quando a dívida total ajustada somava R$ 7 bilhões. Os principais intrumentos utilizados pela sucroalcooleira consistiam de uma linha de adiantamentos de contrato de câmbio rotativa de três anos no valor de R$ 1,7 bilhão; dívida reestruturada no contexto das aquisições anteriores R$ 1,6 bilhão; notas de crédito à exportação, R$ 978 milhões; pré-pagamentos de exportações, R$ 754 milhões; contratos de arrendamento de terras de R$ 1,2 bilhão, conforme cálculos da Fitch; e créditos intracompanhias de R$ 217 milhões.
“A companhia reportou dívida líquida ajustada/Ebitdar [lucro antes de juros, impostos, depreciação, amortização e custo de arrendamento]e 5,1x, comparando-se desfavoravelmente às 4,1x reportadas em 31 de março de 2014, índice alto para os atuais IDRs [ratings]”, analisa a agência sobre os dados disponíveis até o final de 2014.
A mais recente operação de peso foi fechada em janeiro, em empréstimo sindicalizado de oito instituições financeiras, no montante de US$ 318 milhões (aproximadamente R$ 860 milhões), de adiantamento a exportações, com prazo de três anos. O crédito vence em abril de 2018 e é garantido pelo penhor de canaviais e estoques da Biosev.
Caixa livre negativo
Paulo Prignolato, diretor financeiro da companhia, afirmou que a empresa tem conseguido equilibrar em níveis sustentáveis seu capital de giro nos últimos anos na teleconferência de resultados financeiros realizada há uma semana. O executivo lembrou também que o plano de negócios da empresa segue com parâmetros sólidos, beneficiado pelo retorno de uma política de preços mais favorável ao etanol.
No entanto, a Fitch indicou que a expectativa de lenta recuperação dos preços de açúcar e etanol, aliada à necessidade da companhia de cobrir investimentos, fará com que a Biosev continue apresentando fluxos de caixa livre negativos, a exemplo do que vem ocorrendo desde 2011.
Ao final de 2014, a companhia apresentou R$ 602 milhões negativos de fluxo de caixa. A título de comparação, a Raízen registrou R$ 643 milhões (positivos) de fluxo de caixa livre no mesmo período.
Alavancagem alta
Um exemplo do melhor posicionamento da Biosev, segundo a Fitch, é a previsão de que sua alavancagem líquida, atualmente considerada elevada, diminua de 5,1 vezes para 4,6 vezes nas próximas safras. A agência de classificação de risco apontou a maximização de lucros possibilitada pelo mix de produção, que subiu a favor do etanol, cuja fatia subiu 1,2 ponto porcentual no período de nove meses encerrado em 31 de dezembro de 2014.
“A capacidade de desalavancagem da companhia dependerá amplamente de sua capacidade de melhorar a produção agrícola e industrial e de diminuir a capacidade ociosa de suas usinas, a fim de diluir os custos fixos e beneficiar a geração de fluxo de caixa operacional”, diz a Fitch em seu relatório.
Ainda assim, a agência de classificação de risco sublinhou que a expectativa de recuperação de preços lenta dos produtos derivados de cana-de-açúcar deverá manter o fluxo de caixa da Biosev no vermelho ao menos nas próximas duas safras. A isso se acrescenta a necessidade da empresa de continuar investindo em suas unidades produtivas e nos canaviais, de modo a ficar mais próxima de sua capacidade total instalada de moagem, de 36 milhões de toneladas.
Maior produção e investimento no canavial
Sobre o perfil de produção da avaliada, a Fitch destaca que a “companhia produz ampla carteira de produtos e algumas de suas fábricas conseguem exportar etanol para os Estados Unidos. A produção agrícola dos canaviais da Biosev é fraca no setor, em bases consolidadas”. A baixa produtividade média é explicada pela presença na região Nordeste, que oferece condições climáticas e de solo piores que as do Centro-Sul.
A agência lembra também que o modelo de negócios da Biosev só envolve terras arrendadas e objetiva aumentar o fornecimento de cana-de-açúcar própria para 65%, dos atuais 60%, ao longo das cinco próximas safras. Segundo o relatório, a companhia atualmente conta com 340 mil hectares de terras sob sua administração.
Há uma semana, o presidente da Biosev, Rui Chammas, disse que a empresa está recuperada de quebras de safra que reduziram sua produção nas duas últimas temporadas. “Temos uma condição isenta desse problema agora”, afirmou.
A atual meta de moagem está situada entre 29 milhões de toneladas e 32 milhões de toneladas, representando um aumento em relação aos 28,3 milhões de toneladas da safra passada. Um dos meios para alcançar esse objetivo é a tentativa da empresa de obter acesso ao Prorenova, programa do governo federal direcionado à renovação dos canaviais, que terá recursos de R$ 1,5 bilhão para safra 2015/2016.
Felipe Vanini Bruning – NovaCana