O que acontecerá com essas importantes empresas se a situação financeira do setor continuar se deteriorando?Com o agravamento da crise no setor de açúcar e etanol e a situação financeira das usinas se deteriorando, uma das principais agências de classificação de risco publicou um relatório especial para saber quais são as opções das empresas sucroalcooleiras se os problemas financeiros ficarem insustentáveis.
A Fitch Ratings avaliou a situação de seis importantes companhias do setor: Aralco, Grupo Usina São João (USJ), Grupo Virgolino de Oliveira (GVO), Tonon, Biosev e Raízen.
Com o agravamento da crise no setor de açúcar e etanol e a situação financeira das usinas se deteriorando, uma das principais agências de classificação de risco publicou um relatório especial para saber o que acontecerá com as empresas sucroalcooleiras se os problemas financeiros ficarem insustentáveis.
Prevendo um ano amargo para a área de açúcar e etanol no Brasil, a Fitch Ratings avaliou o grau de exposição à dívida de seis importantes companhias do setor. O documento verificou o aumento da alavancagem na média das empresas analisadas, mas apontou para grandes diferenças entre a amostra. A análise consta no relatório especial publicado na última sexta-feira (25), em que a agência alerta para o elevado risco de inadimplência das usinas em 2014.
Na média das empresas analisadas, a alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda, aumentou. Em setembro de 2013, a média de alavancagem total ajustada foi de 5,9 vezes, enquanto a de alavancagem líquida foi de 5,4 vezes, índices mais desfavoráveis que as 5,3 vezes e 4,8 vezes registradas, respectivamente, no mesmo período de 2012.
Aralco é a empresa com maior endividamento em relação ao resultado operacional, apresentando alavancagem total ajustada de 12,6 vezes, seguida pelo grupo Usina São João (USJ) e pelo Grupo Virgolino de Oliveira (GVO) com 7,1 vezes e 6,1 vezes, respectivamente.
No caso da USJ, o relatório pontua que a maior alavancagem é parcialmente explicada pelas garantias corporativas emitidas em favor da SJC Bioenergia (joint-venture com a Cargill) sob acordos financeiros com o BNDES. A companhia possui duas usinas em operação, em São Paulo e Goiás, e uma em construção em Goiás.
Tonon e Biosev estão abaixo da média da amostra, com alavancagem de 3,6 vezes e 3,7 vezes, enquanto a Raízen é a empresa menos alavancada com 3,2 vezes.
Com o atual grau de endividamento, a Fitch avalia, as usinas devem continuar altamente dependentes de crédito dos bancos locais, uma vez que o mercado internacional de dívidas deverá ser difícil para créditos de alto risco.
Raízen tem a melhor posição
Entre as seis companhias avaliadas pela agência de classificação de risco, a Raízen, maior companhia do setor com 24 usinas, apresenta os melhores índices de cobertura e alavancagem. Mesmo sem disponibilidade de terras para venda, este aspecto é "mitigado pela forte perfil financeiro da empresa e acesso a financiamento".
No Rating de Probabilidade de Inadimplência do Emissor (IDR, na sigla em inglês), que reflete a habilidade de uma empresa cumprir seus compromissos financeiros no prazo esperado, a Fitch atribui à joint-venture entre Cosan e Shell a nota BBB.
Em situação bem menos confortável, quatro dos grupos sucroenergéticos da carteira da Fitch apresentam risco de refinanciamento alto ou moderados e limitadas fontes alternativas de liquidez, como estoques de terras.
Nesse cenário, a Fitch Ratings avalia que a Raízen poderia ser uma consolidadora.
Aralco é mais exposta
Embora na média os indicadores tenham piorado, o grau de risco varia muito entre as companhias. Na avaliação, a Aralco que em fevereiro entrou com pedido de recuperação judicial, é a empresa mais exposta em termos de liquidez, cobertura de juros e alavancagem. Em situação de insolvência, à empresa foi atribuído IDR D.
O grupo possui três unidades próprias e uma coligada, todas no estado de São Paulo. "O perfil financeiro fraco da empresa foi, em parte, explicado pela sua má gestão agrícola no passado e ineficiências generalizadas", comenta o relatório.
Com o pedido de recuperação judicial e a deterioração de sua liquidez, a Fitch aponta quatro caminhos de curto prazo para que a Aralco obtenha geração de caixa. A primeira seria a venda de propriedades em área urbana, atualmente no valor de R$ 25 milhões. A segunda, acelerar o recebimento de R$ 25 milhões pela venda de uma cervejaria em 2010. Outra possibilidade apontada é a venda antecipada do etanol que será produzida na safra. A última alternativa levantada pela agência é a venda da participação de 5,8% que a Aralco possui na Copersucar, com valor patrimonial contábil de R$ 20 milhões.
USJ e GVO: grande estoque de terras
Segundo o relatório, entre os emissores classificados, apenas o Grupo USJ e o GVO têm fontes alternativas de liquidez, cada uma com mais de R$ 1 bilhão em terras disponíveis para serem monetizadas em caso de grande estresse financeiro.
O documento afirma que dos 24 mil hectares de terra que a GVO possui em regiões altamente produtivas do Estado de São Paulo, avaliados em R$ 1,3 bilhão, R$ 1 bilhão não está comprometido como garantia. Porém, a GVO está entre as mais expostas em termos de risco de inadimplência, com posição de caixa muito fraca e empréstimos de curto prazo em excesso, diz a Fitch. Na avaliação de IDR a companhia recebe nota B e é a única com observação negativa (Rating Watch Negative).
A GVO, que teve a nota rebaixada pelo BTG Pactual em março, possui quatro usinas, todas em São Paulo, e é a maior associada da Copersucar, com fatia de 8%.
A USJ também fica para trás da maioria de seus colegas na cobertura e alavancagem, mas, segundo a análise, tem os melhores indicadores de liquidez. O relatório detalha que a "a USJ está em uma posição invejável, uma vez que detém mais de 30 mil hectares de propriedades de terra, cujo valor de mercado atual supera R$ 1,1 bilhão e 90% das quais estão livres de quaisquer encargos (terrenos detidos pela SJC, joint venture com a Cargill, não estão incluídos)".
Além disso, entre a amostra a USJ têm apenas 10% de sua dívida no curto prazo e sua posição de caixa cobre mais de 1,4 vezes os empréstimos de um ano. "A USJ pode facilmente cobrir sua dívida de curto prazo, mas não tem a mesma margem de segurança para as suas despesas de juros brutos", analisa o documento. Com esses indicadores, ocupa a terceira posição entre as avaliadas, com IDR B+.
Biosev e Tonon: indicadores de crédito em linha com a média
A Biosev, que detém 3 mil hectares de terras com um valor de mercado de R$ 47 milhões, em termos de liquidez, tem posição de caixa muita fraca, segundo a Fitch. A companhia possui 11 usinas em operação, nove delas no centro-sul (SP, MS e MG) e duas no nordeste (RN e PB). A Usina Jardest, localizada em Jardinópolis (SP), teve a operação desativada em março.
Com a segunda melhor posição para pagamento da dívida entre as avaliadas, a Biosev recebe IDR BB–. Assim como a Tonon, a Biosev possui indicadores de crédito em linha com as médias do setor, o que a Fitch vê como positivo.
A Tonon (IDR B), com três unidades – duas em São Paulo e uma no Mato Grosso do Sul – apresenta liquidez similar à da Raízen.
Desde o início do ano as agências internacionais vêm emitindo alertas sobre a crítica saúde financeira da indústria de etanol e açúcar e o crescente do risco de insolvência .
O relatório especial 'Dashboard: Açúcar e Etanol no Brasil' está disponível no site da agência de classificação de risco:
https://www.fitchratings.com.br/
NovaCana
A Fitch Ratings avaliou a situação de seis importantes companhias do setor: Aralco, Grupo Usina São João (USJ), Grupo Virgolino de Oliveira (GVO), Tonon, Biosev e Raízen.
Com o agravamento da crise no setor de açúcar e etanol e a situação financeira das usinas se deteriorando, uma das principais agências de classificação de risco publicou um relatório especial para saber o que acontecerá com as empresas sucroalcooleiras se os problemas financeiros ficarem insustentáveis.
Prevendo um ano amargo para a área de açúcar e etanol no Brasil, a Fitch Ratings avaliou o grau de exposição à dívida de seis importantes companhias do setor. O documento verificou o aumento da alavancagem na média das empresas analisadas, mas apontou para grandes diferenças entre a amostra. A análise consta no relatório especial publicado na última sexta-feira (25), em que a agência alerta para o elevado risco de inadimplência das usinas em 2014.
Na média das empresas analisadas, a alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda, aumentou. Em setembro de 2013, a média de alavancagem total ajustada foi de 5,9 vezes, enquanto a de alavancagem líquida foi de 5,4 vezes, índices mais desfavoráveis que as 5,3 vezes e 4,8 vezes registradas, respectivamente, no mesmo período de 2012.
Aralco é a empresa com maior endividamento em relação ao resultado operacional, apresentando alavancagem total ajustada de 12,6 vezes, seguida pelo grupo Usina São João (USJ) e pelo Grupo Virgolino de Oliveira (GVO) com 7,1 vezes e 6,1 vezes, respectivamente.
No caso da USJ, o relatório pontua que a maior alavancagem é parcialmente explicada pelas garantias corporativas emitidas em favor da SJC Bioenergia (joint-venture com a Cargill) sob acordos financeiros com o BNDES. A companhia possui duas usinas em operação, em São Paulo e Goiás, e uma em construção em Goiás.
Tonon e Biosev estão abaixo da média da amostra, com alavancagem de 3,6 vezes e 3,7 vezes, enquanto a Raízen é a empresa menos alavancada com 3,2 vezes.
Com o atual grau de endividamento, a Fitch avalia, as usinas devem continuar altamente dependentes de crédito dos bancos locais, uma vez que o mercado internacional de dívidas deverá ser difícil para créditos de alto risco.
Raízen tem a melhor posição
Entre as seis companhias avaliadas pela agência de classificação de risco, a Raízen, maior companhia do setor com 24 usinas, apresenta os melhores índices de cobertura e alavancagem. Mesmo sem disponibilidade de terras para venda, este aspecto é "mitigado pela forte perfil financeiro da empresa e acesso a financiamento".
No Rating de Probabilidade de Inadimplência do Emissor (IDR, na sigla em inglês), que reflete a habilidade de uma empresa cumprir seus compromissos financeiros no prazo esperado, a Fitch atribui à joint-venture entre Cosan e Shell a nota BBB.
Em situação bem menos confortável, quatro dos grupos sucroenergéticos da carteira da Fitch apresentam risco de refinanciamento alto ou moderados e limitadas fontes alternativas de liquidez, como estoques de terras.
Nesse cenário, a Fitch Ratings avalia que a Raízen poderia ser uma consolidadora.
Aralco é mais exposta
Embora na média os indicadores tenham piorado, o grau de risco varia muito entre as companhias. Na avaliação, a Aralco que em fevereiro entrou com pedido de recuperação judicial, é a empresa mais exposta em termos de liquidez, cobertura de juros e alavancagem. Em situação de insolvência, à empresa foi atribuído IDR D.
O grupo possui três unidades próprias e uma coligada, todas no estado de São Paulo. "O perfil financeiro fraco da empresa foi, em parte, explicado pela sua má gestão agrícola no passado e ineficiências generalizadas", comenta o relatório.
Com o pedido de recuperação judicial e a deterioração de sua liquidez, a Fitch aponta quatro caminhos de curto prazo para que a Aralco obtenha geração de caixa. A primeira seria a venda de propriedades em área urbana, atualmente no valor de R$ 25 milhões. A segunda, acelerar o recebimento de R$ 25 milhões pela venda de uma cervejaria em 2010. Outra possibilidade apontada é a venda antecipada do etanol que será produzida na safra. A última alternativa levantada pela agência é a venda da participação de 5,8% que a Aralco possui na Copersucar, com valor patrimonial contábil de R$ 20 milhões.
USJ e GVO: grande estoque de terras
Segundo o relatório, entre os emissores classificados, apenas o Grupo USJ e o GVO têm fontes alternativas de liquidez, cada uma com mais de R$ 1 bilhão em terras disponíveis para serem monetizadas em caso de grande estresse financeiro.
O documento afirma que dos 24 mil hectares de terra que a GVO possui em regiões altamente produtivas do Estado de São Paulo, avaliados em R$ 1,3 bilhão, R$ 1 bilhão não está comprometido como garantia. Porém, a GVO está entre as mais expostas em termos de risco de inadimplência, com posição de caixa muito fraca e empréstimos de curto prazo em excesso, diz a Fitch. Na avaliação de IDR a companhia recebe nota B e é a única com observação negativa (Rating Watch Negative).
A GVO, que teve a nota rebaixada pelo BTG Pactual em março, possui quatro usinas, todas em São Paulo, e é a maior associada da Copersucar, com fatia de 8%.
A USJ também fica para trás da maioria de seus colegas na cobertura e alavancagem, mas, segundo a análise, tem os melhores indicadores de liquidez. O relatório detalha que a "a USJ está em uma posição invejável, uma vez que detém mais de 30 mil hectares de propriedades de terra, cujo valor de mercado atual supera R$ 1,1 bilhão e 90% das quais estão livres de quaisquer encargos (terrenos detidos pela SJC, joint venture com a Cargill, não estão incluídos)".
Além disso, entre a amostra a USJ têm apenas 10% de sua dívida no curto prazo e sua posição de caixa cobre mais de 1,4 vezes os empréstimos de um ano. "A USJ pode facilmente cobrir sua dívida de curto prazo, mas não tem a mesma margem de segurança para as suas despesas de juros brutos", analisa o documento. Com esses indicadores, ocupa a terceira posição entre as avaliadas, com IDR B+.
Biosev e Tonon: indicadores de crédito em linha com a média
A Biosev, que detém 3 mil hectares de terras com um valor de mercado de R$ 47 milhões, em termos de liquidez, tem posição de caixa muita fraca, segundo a Fitch. A companhia possui 11 usinas em operação, nove delas no centro-sul (SP, MS e MG) e duas no nordeste (RN e PB). A Usina Jardest, localizada em Jardinópolis (SP), teve a operação desativada em março.
Com a segunda melhor posição para pagamento da dívida entre as avaliadas, a Biosev recebe IDR BB–. Assim como a Tonon, a Biosev possui indicadores de crédito em linha com as médias do setor, o que a Fitch vê como positivo.
A Tonon (IDR B), com três unidades – duas em São Paulo e uma no Mato Grosso do Sul – apresenta liquidez similar à da Raízen.
Desde o início do ano as agências internacionais vêm emitindo alertas sobre a crítica saúde financeira da indústria de etanol e açúcar e o crescente do risco de insolvência .
O relatório especial 'Dashboard: Açúcar e Etanol no Brasil' está disponível no site da agência de classificação de risco:
https://www.fitchratings.com.br/
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