No primeiro trimestre do ano, 12 empresas contrataram recursos para o plantio de 130,5 mil hectares
Um dos principais financiadores do setor sucroenergético reduziu em 60% o volume de recursos emprestados para usinas e canavieiros durante o primeiro trimestre de 2015, na comparação com o mesmo período ano passado. Nesses três meses, que correspondem à entressafra de cana, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) concedeu R$ 298,7 milhões ao setor.
Foram realizadas 14 operações de crédito para 12 empresas.
O portal NovaCana atualizou seu levantamento com as contratações realizadas no último trimestre pelas sucroenergéticas por meio de operações diretas e indiretas não automáticas, que, em geral, incluem recursos acima de R$ 10 milhões.
Uma das novidades é a informação sobre o prazo, banco intermediário e a taxa de juros de cada operação.
Os números detalham o dinheiro disponibilizado em um infográfico, além de um histórico com as informações por usina disponibilizado na base de dados agrupadas:
- por usina
- por grupo empresarial
- onde cada usina aplicou o dinheiro
- por estado
Informações detalhadas em 5 categorias:
- Plantio de cana
- Estocagem de etanol
- Expansão/modernização industrial
- Etanol celulósico e bioquímico da cana
- Logística para açúcar e etanol e Cogeração
Filtros adicionais:
- Por ano (dados disponíveis desde 2002)
- Por mês
- Forma de apoio (direta ou indireta)
Um dos principais financiadores do setor sucroenergético reduziu a menos da metade o volume de recursos emprestados para usinas e canavieiros durante o primeiro trimestre de 2015, na comparação com o mesmo período ano passado. Nesses três meses, que correspondem à entressafra de cana, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) concedeu R$ 298,7 milhões ao setor.
Os recursos foram integralmente destinados ao plantio de cana-de-açúcar que, entre renovação e expansão, totalizou 130,5 mil hectares. Para este investimento, foram realizadas 14 operações de crédito para 12 empresas.
O valor contratado até março é 60% menor do que o destinado pelo BNDES ao setor no mesmo período de 2014, quando as operações somaram R$ 747,2 milhões e incluíam tanto o plantio de cana (R$ 567,7 milhões) como o investimento em modernização ou expansão industrial (R$ 179,5 milhões).
A redução segue a tendência de crédito mais restrito em consequência do alto endividamento do setor e também da menor oferta de dinheiro pela autarquia federal.
“Em razão de alterações nas políticas operacionais do BNDES (redução do nível de participação e aumento da taxa de juros), o valor médio das operações caiu em relação ao ano anterior”, disse o BNDES em nota sobre redução das contratações.
No período da entressafra, o banco ainda não havia definido o volume de recursos a ser oferecido para as empresas canavieiras em 2015. Apenas no início de junho o governo anunciou o orçamento para dois dos principais programas do BNDES para o setor.
O valor do ProRenova (Programa de Apoio à Renovação e Implantação de Novos Canaviais) foi cortado pela metade em comparação a 2014 e somente R$ 1,5 bilhão será disponibilizado este ano. Já os recursos para estocagem de etanol por meio do Pass (Programa de Apoio ao Setor Sucroalcooleiro) preservaram o valor de R$ 2 bilhões do ano passado.
O portal NovaCana atualizou seu levantamento com as contratações realizadas no último trimestre pelas sucroenergéticas via operações não automáticas – que passam pela análise do BNDES e, em geral, abrangem financiamentos acima de R$ 10 milhões – para o setor.
As empresas beneficiadas
O maior financiamento foi concedido para a Pedra Agroindustrial, no valor de R$ 58,5 milhões a serem investidos em 16,3 mil hectares no Paraná, sendo 4,5 mil hectares de novos canaviais e o restante em reforma de plantio já existente. O valor médio financiado foi de R$ 3.591 por hectare.
A segunda colocada em recursos contratados é a Clealco, que tomou R$ 53,5 milhões, em duas operações, para investimento em 28,7 mil hectares em São Paulo, resultando em um valor médio de R$ 3.716 por hectare. Não há detalhamento da área de reforma ou expansão.
A Santa Luiza Agropecuária, do Grupo Santa Izabel, localizada em Nova Horizontina (SP), recebeu a terceira maior soma. A empresa contratou R$ 39,8 milhões para o plantio de cana e deve investir em 11,4 mil hectares, dos quais 3,3 mil são expansão de área de cana e o restante na reforma do canavial existente. O valor médio é de R$ 3.485 financiados por hectare.
Taxas de juros e prazo das operações
Uma novidade nos dados do BNDES é a informação do custo e prazo, além da identificação do agente financeiro intermediário da transação.
Em todas as operações contratadas no primeiro trimestre, as usinas terão 18 meses de prazo de carência e amortização em 54 meses, o que totaliza um vencimento em seis anos a partir da assinatura do contrato.
O custo dos financiamentos é composto por Taxa de Juros de Longo Prago (TJLP), que estava em 5,5% anuais, mais juros adicionais que variam entre 1,48% e 2,7% ao ano.
A maioria das empresas contratou o srecursos pelo teto da taxa de juros adicional (2,7%). A Usina Alta Mogiana e a Usina Alto Alegre conseguiram uma faixa intermediária, de 2,5% e 2,2%, respectivamente.
Apenas as duas operações realizadas pela Raízen, de R$ 5 e de R$ 15 milhões, foram contempladas com o patamar mais baixo (1,48%) de juros adicionais. A São Martinho teve um custo adicional de 1,8%, o segundo menor.
Cinco instituições financeiras foram as intermediárias dos contratos – Itaú-Unibanco, com cinco empréstimos, Banco Safra e Banco Santander, ambos com três operações, Banco do Brasil, com dois empréstimos, e Rabobank, com uma operação.
Para os empréstimos contratados a partir de abril, a TJLP passa a ser de 6%, conforme estabelecido pelo Comitê Monetário Nacional do Banco Central (BC).
Informações atrasadas
Na última atualização de informações, além de incluir mais dados sobre os contratos num esforço de transparência, o BNDES adicionou operações realizadas em anos anteriores.
Em relação a 2014, foram adicionados aos dados operações que somam aproximadamente R$ 948 milhões. As informações incluem a contratação da Abengoa, de R$ 309,6 milhões, para implantação de uma unidade produtora de etanol de segunda geração, da Cerradinho Bioenergia (R$ 138,8 milhões) para investimento em sistema de limpeza a seco de cana-de-açúcar e, ligada ao setor produtivo, da Rumo Logística (R$ 500 milhões) para investimento em um corredor de exportação de açúcar no Porto de Santos.
Em 2013, foram inseridas novas operações da Raízen que totalizam R$ 105,8 milhões em aquisição de debêntures simples pelo BNDES.
Já 2012 registrou a maior defasagem de dados. As novas informações indicam um volume adicional de R$ 1,218 bilhão em recursos ao setor naquele ano. Valor que foi concedido aos grupos Raízen (R$ 619 milhões), Adecoagro (R$ 488,6 milhões) e São Martinho (R$ 110,8 milhões).
O levantamento completo (com os detalhes das contratações realizadas nos últimos 13 anos) está atualizado com as novas informações.
No infográfico ao lado apresentamos as contratações realizadas no primeiro trimestre de 2015.
Amanda SchArr e Felipe Vanini Bruning - NovaCana
