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Cepea/Esalq - Fevereiro 2010 - Agromensal

Em fevereiro, o Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal oscilou entre R$ 72,12 e R$ 72,85/saca de 50 kg, apresentando forte estabilidade ao longo do período
Águida 7 min de leitura

I - Análise Conjuntural

AÇÚCAR

ANÁLISE CEPEA – Em fevereiro, o Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal oscilou entre R$ 72,12 e R$ 72,85/saca de 50 kg, apresentando forte estabilidade ao longo do período. Segundo pesquisadores do Cepea, o movimento do mercado seguiu lento no correr do mês. De modo geral, usinas ofertaram apenas pequenos volumes e compradores estiveram retraídos, à espera de preços menores por conta da proximidade da entrada da nova safra.

De modo geral, apesar do ritmo estável do mercado, os preços do cristal seguiram firmes, com a média a R$ 72,49/saca em fevereiro, 2,35% superior à de janeiro. Comparando-se a média de fevereiro/10 com a do mesmo período do ano passado (R$ 44,76/sc), a elevação nominal foi de aproximadamente 62%.

Quanto à remuneração proporcionada pelo etanol, cálculos do Cepea mostram que o açúcar teve vantagem de 66% sobre o anidro e de 87% sobre o hidratado, em média, em fevereiro, no estado de São Paulo.

No Nordeste, os preços do açúcar cristal tanto em Alagoas como em Pernambuco foram pressionados pela necessidade de “fazer caixa” por parte de algumas usinas. Além disso, segundo colaboradores do Cepea, muitos compradores estão abastecidos, pressionando, conseqüentemente, as cotações, principalmente em Pernambuco. Assim, o Indicador Mensal de fevereiro para o Açúcar Cristal CEPEA/ESALQ do estado de Alagoas foi de R$ 76,41/saca de 50 kg, queda de 1,8% sobre o de janeiro/10. Em Pernambuco, o Indicador Mensal foi de R$ 76,03/sc, queda de 3,45%.

Em fevereiro, conforme cálculos do Cepea, a comercialização do açúcar no mercado interno continuou remunerando mais que a venda externa, com vantagem de 8%. Para esse cálculo, foram considerados o valor médio do Indicador CEPEA/ESALQ, o vencimento Fevereiro/10 na Bolsa de Londres, Liffe, um desconto de qualidade, estimado em US$ 23,75/tonelada, e custos com elevação e frete, de US$ 75,00/t.

Em relação às exportações de açúcar, segundo a Secex, foram embarcadas 980 mil toneladas de açúcar bruto em fevereiro, volume 24% inferior ao de janeiro, mas 4% superior ao de fevereiro/09 (940,6 mil). Para o açúcar branco, as vendas totalizaram 417 mil toneladas, queda de 15% sobre o de janeiro e recuo de 14% em relação ao de fevereiro/09 (490,3 mil). Em valores, a receita mensal de VHP e refinado foi de aproximadamente US$ 663 milhões FOB, 51% abaixo da média de fevereiro/09 (cerca de US$ 439 milhões).

Segundo a Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), de 1º de abril a 16 de fevereiro, foram moídas 532,5 milhões de toneladas na região Centro-Sul do País, volume 6% superior ao do mesmo período da safra 2008/09 (502,4 milhões). O mix de produção apontou que 57% da cana foi destinada à produção do etanol e, 43%, ao açúcar. O Açúcar Total Recuperável (ATR) ficou em 130,62 kg/tonelada, 7,3% abaixo do obtido no ano passado (140,96). A produção de açúcar atingiu 28,48 milhões de toneladas, 6,73% superior à do ano passado, com 26,7 milhões.

ETANOL

ANÁLISE CEPEA – O mercado paulista abriu o mês com negociações de etanol em ritmo lento, fechando em queda para hidratado e estabilidade para anidro em relação ao mês anterior. Assim, em fevereiro, o Indicador mensal CEPEA/ESALQ do anidro foi de R$ 1,2976, com alta de 1% em relação ao de janeiro. Para o hidratado, o Indicador CEPEA/ESALQ mensal fechou a R$1,0958 (sem impostos), com queda de 6,45%.

Distribuidoras consultadas pelo Cepea tiveram baixo interesse de compra no correr do mês, adquirindo somente o necessário para atender à demanda pontual – muitas estavam na expectativa de menores preços com a entrada da nova safra (em 1º de março, oficialmente pela Única). Apesar de o período de carnaval ter aumentado o interesse por etanol de algumas distribuidoras, a demanda por hidratado se manteve baixa, em função da substituição feita por consumidores que notaram vantagem econômica no uso da gasolina, acarretando, assim, em desvalorizações do biocombustível mesmo neste período de entressafra. Além disso, muitas distribuidoras alegaram dificuldades nas vendas aos postos (dado o ritmo lento dos repasses de quedas no preço) como justificativa para o baixo interesse por compras.

Usinas, por sua vez, ofertaram pequenos volumes no mercado spot, principalmente aquelas com necessidade de formar caixa, devido aos encargos de final de safra. Além disso, foram evidenciados alguns negócios entre as usinas para o cumprimento de contratos.

Segundo dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço ao consumidor nas bombas não apresentou redução significativa, frente ao ritmo de quedas dos preços pagos ao produtor. Segundo a Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), a demora para o repasse de preço do produtor ao consumidor tem prejudicado a competitividade do etanol frente à gasolina.

De acordo com a Unica, foram produzidos 23,2 bilhões de litros de etanol no acumulado da safra 2009/10 (de 1º de abril de 2009 a 16 de fevereiro de 2010) na região Centro-Sul do País. Esse volume é 7,1% inferior ao da temporada passada (24,9 bilhões), sendo 17 bilhões de hidratado (alta de 3,7%) e 6,2 bilhões de litros de anidro (queda de 27,7%). Somente no estado de São Paulo, a produção de etanol caiu 12,65% no período em comparação.

Com relação ao número de empresas em produção na região Centro-Sul, a entidade relata que 47 usinas se encontravam em plena atividade ao longo da 2ª quinzena de fevereiro, sendo que 5 delas haviam encerrado a safra 2009/10 no final de dezembro/09 e já iniciaram a produção da nova safra.

Considerando os dois tipos de álcool, o anidro remunerou cerca de 12% mais que o hidratado, segundo levantamento realizado por pesquisadores do Cepea em fevereiro. Quanto à gasolina C, vendida ao varejo em fevereiro, segundo a ANP, o preço do álcool anidro combustível recebido pelo produtor representou 13,41% de seu valor, no estado de São Paulo, valor praticamente estável frente ao do mês anterior.

Nos estados do Nordeste, os preços do etanol fecharam em alta em fevereiro, devido à menor oferta e ao significativo interesse por parte dos compradores, ocorrido de forma bastante acentuada na primeira semana do mês. Em Alagoas, os Indicadores mensais fecharam em R$ 1,4623/litro (com impostos) para o anidro e em R$ 1,2449/litro (com impostos, exceto ICMS) para o hidratado, com elevação de 11% para os dois tipos frente ao período anterior. Em Pernambuco, o Indicador mensal de fevereiro CEPEA/ESALQ do anidro fechou a R$ 1,4635/litro (com impostos) e do hidratado, a R$ 1,2295/litro (com impostos, exceto ICMS), com elevação de 7,97% e de 3,22%, respectivamente, em relação ao de janeiro.

Segundo a Secex, as exportações etanol anidro e hidratado brasileiro em fevereiro foram 31% inferiores às de janeiro, com aproximadamente 104 milhões de litros embarcados. Na comparação entre fevereiro/09 e fevereiro/10, houve redução de 12% no volume embarcado.

Sobre iniciativas do governo referentes ao setor sucroalcooleiro, destaque-se que, a partir de 5 de fevereiro, o governo brasileiro determinou a redução da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) para a gasolina, medida esta já adotada pelo governo em abril de 2008, quando a Cide reduziu de R$ 0,28 para R$ 0,18 por litro para a contenção. Em fevereiro/10, a alíquota reduziu de R$ 0,23 para R$ 0,15 por litro, com validade até 30 de abril. A medida pretende compensar o aumento no preço do combustível fóssil após a redução de 25% para 20% da mistura de etanol anidro na gasolina. A partir de então, segundo estimativas do governo, R$ 91 milhões deixarão se ser arrecadados. A redução na Cide também diminuirá o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) cobrado sobre a gasolina, uma vez que este último, que é cobrado pelos estados e Distrito Federal, incide sobre a alíquota da Cide.

Cepea/Esalq - Pesquisadoras responsáveis: Heloisa Lee Burnquist, Mirian Rumenos Piedade Bacchi, Lilian Maluf de Lima, Ivelise Rasera Bragato, Mariana Pessini e Andressa Cristina Galdi.
cepea@esalq.usp.br

II - Séries Estatísticas Cepea
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III – Gráficos

CEPEA – AÇÚCAR
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CEPEA - ÁLCOOIS ANIDRO E HIDRATADO
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