2010

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Cepea/Esalq - Dezembro 2010 - Agromensal


Águida - Publicado: 30 Nov -0001 - 21:00 | Atualizado: 10 Jun 2011 - 09:24

I - Análise Conjuntural


AÇÚCAR

ANÁLISE CEPEA – Em 2010, o mercado de açúcar foi marcado por fortes altas de preços, tanto no mercado doméstico como no internacional. Segundo pesquisadores do Cepea, uma das principais causas das reações expressivas foi a redução dos estoques mundiais, que têm baixado desde 2008, quando houve déficit expressivo. No ano seguinte, um novo déficit agravou a situação dos estoques e os preços internacionais começaram a reagir com altas acentuadas que atraíram especuladores.

Em resposta aos preços favoráveis, grandes produtores aumentaram a área plantada, de forma que a expectativa era de que, em 2010, o mercado voltasse a ter algum equilíbrio entre oferta e demanda, em termos agregados. No entanto, quebra de safra em produtores importantes por fatores climáticos (excesso de chuva em alguns casos e estiagem em outros) trouxe de volta a instabilidade. Outros fatores, não menos importantes, que agitaram os preços foram as condições macroeconômicas que provocaram oscilação do dólar, levando investidores a alternar sua participação no mercado e acarretando incremento geral nos preços de commodities, não penas do açúcar.

A produção e as exportações brasileiras evidenciaram o papel de destaque do Brasil no mercado mundial de açúcar. A safra brasileira de cana, apesar de superior à passada, ficou abaixo da expectativa inicial do setor, acentuando os aumentos de preços internacionais praticamente a cada divulgação de safra feita pela Unica.

As expectativas com relação à safra da Índia, que começou a ser colhida em outubro, são de recuperação do equilíbrio interno, podendo resultar até mesmo em pequeno superávit. Assim, a participação indiana no mercado internacional não deve ser suficientemente expressiva para alterar a situação que se configurou.

A conjunção de escassez da commodity com baixos estoques e dificuldade em prever quando o mercado poderá voltar à normalidade fizeram com que o ano de 2010 ficasse marcado por novas e fortes altas de preços, batendo recordes nos mercados internos e externos.

No Brasil, conforme dados do Cepea, o ano começou com preços bem elevados, acima dos R$ 70,00/saca de 50 kg, próximos aos praticados em dezembro. Com a desvalorização das bolsas internacionais e início da colheita 2010/11 na região Centro-Sul, usinas não conseguiram manter tais patamares e voltaram a vender açúcar cristal de boa qualidade na casa dos R$ 40,00 (o menor valor do ano, de R$ 39,99/sc, foi observado no dia 6 de julho).

Entre maio e agosto, pico de safra, os preços ficaram entre R$ 40,00 e R$ 50,00, porém já revertendo a tendência baixista. Segundo pesquisadores do Cepea, neste período, o setor açucareiro se deparou com problemas logísticos e filas enormes para embarque de açúcar devido à forte demanda internacional, além do consumo interno também aquecido. A disputa entre consumidores internos e externos inflacionou os preços da commodity, que também tiveram ajuda da forte valorização das cotações futuras – impulsionadas pela oferta baixa no curto e médio prazo, alta demanda e crescimento da safra brasileira abaixo do esperado.

A partir de setembro, os preços avançaram em direção à máxima de R$ 76,20 em 22 de dezembro, também valor recorde (termos nominais). Do menor valor (início de julho) para o maior (final de dezembro), houve valorização de expressivos 90,55%. Em termos reais (IGP-M), a média de fevereiro/10, R$ 75,94/sc, é a maior do histórico Cepea, iniciado em 1996.

Batendo recordes de trinta anos, a Bolsa de Nova York (ICE Futures), principal referência internacional para o mercado de açúcar, chegou a 33,98 centavos de dólar por libra-peso no dia 23 de dezembro. No início do ano, a cotação até chegou ao redor de 29 centavos de dólar, mas foi a partir de novembro que ela rompeu a barreira dos 30 centavos e seguiu avançando até o patamar atual.

Bem diferente das previsões iniciais sobre a safra da região Centro-Sul brasileira, que chegavam a 570-590 milhões de toneladas de cana moída, de acordo com a Unica, a safra 2010/11 não deve chegar a 560 milhões. De 1º de abril a 1º de dezembro, a moagem somava 543,68 milhões de toneladas de cana (aumento de 8,86% sobre 2009/10), resultando em produção de 33,02milhões de toneladas de açúcar (elevação de 24,61%).

Segundo dados da Secex, as exportações de açúcar bruto (VHP) totalizaram 17,7 milhões de
toneladas de abril a dezembro de 2010, 37% a mais que no mesmo período de 2009 (12,9 milhões).

Paralelamente às exportações aquecidas, o ritmo da economia brasileira também estimulou a demanda interna. Nesse contexto, mesmo com a produção nacional crescendo, compradores tiveram dificuldade de adquirir açúcar, a menos que aceitassem os fortes reajustes que se sucedem.

Ao longo de 2010, a remuneração proporcionada pelo açúcar esteve sempre acima da obtida com o etanol, segundo cálculos do Cepea. A menor vantagem do açúcar frente tanto ao anidro como ao hidratado foi vista na primeira quinzena de julho, época em que o açúcar estava nos menores níveis de preço da safra. Naquele período, o açúcar cristal considerado para o Indicador CEPEA/ESALQ remunerou em média 32% a mais que o etanol anidro e 43% a mais que o hidratado – Indicadores CEPEA/ESALQ, todos referentes ao estado de SP. Do final de março até final de abril, no entanto, a vantagem do açúcar sobre o anidro havia chegado a 130% e, em relação ao hidratado, a 155%.

Analisando-se a comercialização do açúcar no mercado doméstico (estado de SP) e no exterior (referência Euronext Liffe – contrato no. 5), em 32 semanas de um total de 50, a venda doméstica remunerou mais que a exportação, com a vantagem variando de 1% a 67%.

No dia 30 de dezembro, o Indicador do Açúcar Cristal CEPEA/ESALQ (estado de São Paulo) fechou a R$ 76,32/saca de 50 kg, ligeira alta de 1,01% no acumulado do mês.

Equipe: Dra. Heloisa Lee Burnquist, Bel. Mariana M. O. Pessini e Bel. Kíssia Soares Guaitoli.
Contato: cepea@esalq.usp.br

ETANOL

ANÁLISE CEPEA – Em 2010, os preços de etanol, tanto anidro quanto hidratado, tiveram um comportamento sazonal menos acentuado que no ano-safra anterior. Em maio de 2009, o preço do hidratado atingiu o valor mínimo de R$ 0,6419/litro e o do anidro, de R$ 0,7426/l (valores deflacionados pelo IGP-M de novembro/10). Em 2010, os mínimos foram observados em junho, sendo de R$ 0,7535/l no caso do hidratado e de R$ 0,8654/l no do anidro – todos os valores são líquidos de impostos e de frete, referentes ao mercado paulista – dados do Cepea.

Comparando-se a média de preços dos meses de abril a novembro de 2010 com a do mesmo período de 2009, constata-se aumento de 7% para o hidratado e de 8,7% no caso do anidro, em termos reais, conforme dados do Cepea. Para o hidratado, as médias do período de abril a novembro foram de R$ 0,81543/l e de R$ 0,87278/l em 2009 e em 2010, respectivamente. O valor de R$ 0,87278/litro está entre as cinco menores médias dos últimos 11 anos (série deflacionada), apesar do aumento observado sobre o ano anterior. No caso do anidro, a média de 2010, de R$ 1,01553/l, também ficou entre as cinco menores médias dos últimos 11 anos.

No ano-safra 2010/11, 55% da cana da região Centro-Sul foi utilizada na fabricação de etanol, percentual ligeiramente inferior aos 56,3% de 2009/10 – posição até primeiro de dezembro divulgada pela Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar). Apesar da rentabilidade do açúcar ter sido, durante todo o ano-safra, superior à do etanol (independente do tipo), a alocação da cana entre os dois produtos mudou pouco em relação à prevista no início do ano-safra 2010/11 (56,7% para etanol).

Segundo a Unica, a produção de etanol anidro e hidratado cresceu 24,61 e 10,19%, respectivamente, em relação ao período correspondente do ano-safra anterior (abril a novembro). A produção total de etanol atingiu 24,72 milhões de m3, sendo que, deste montante, 17,51 milhões de m3 referem-se a hidratado e 7,21 milhões de m3 a anidro.

As vendas de etanol pelas unidades produtoras da região Centro-Sul, do início de abril ao final de novembro, somaram 17,75 milhões de m3 também segundo dados da Unica, o que representa diminuição de 3,86% no comparativo com o mesmo período do ano passado. Essa queda deveu-se, principalmente, ao menor volume exportado – redução de 40,42%. Só não foi maior porque houve aumento tanto do consumo de etanol anidro, puxado pelo crescimento das vendas de gasolina C, quanto do mercado de “outros fins”, incluindo o uso do produto na indústria petroquímica. Neste contexto, citam-se os casos do eteno e do polietileno verde, os quais têm sido cada vez mais olhados sob a ótica de sustentabilidade. A Unica estima que as vendas de etanol “outros fins” deve fechar a safra com crescimento superior a 50% relativamente ao último ano.

Do montante de etanol (total) direcionado ao mercado doméstico, 11,84 milhões de m3 referem-se ao hidratado e 7,21 milhões de m3 ao anidro. As exportações totalizaram apenas 1,5 milhão de m3.

Mostrando grande capacidade de gerenciamento da produção, as usinas, durante o correr da safra, desidrataram o hidratado, visando garantir regularidade no abastecimento no mercado de gasolina C. Segundo pesquisadores do Cepea, o incremento na produção e a queda nas exportações de etanol permitiram que um volume maior do produto fosse direcionado para o atendimento do mercado interno.

Segundo a Anfavea, no período de janeiro a novembro de 2010, as vendas de automóveis e comerciais leves no Brasil foram de 3,037 milhões de unidades, aumento de 7,71% em relação ao mesmo período de 2009; desse total, as de flex representaram 87%. Em 2009, no mesmo período, as vendas de flex representaram 89%. As vendas de flex aumentaram em 5,27%, relativamente ao ano de 2009, enquanto às de veículos movidos a gasolina aumentaram 25% e a de movidos a diesel, 30%. Em termos absolutos, as variações foram de 49.182 unidades a mais a gasolina, 36.694 a mais a diesel e acréscimo de 131.634 no total de veículos flex. A Unica estima, com dados da Anfavea, que a frota de flex representa atualmente cerca de 46% do total de veículos e comerciais leves.

Segundo dados da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), de abril a outubro de 2010 foram vendidos nos postos da região Centro-Sul 8,33 milhões de m3 de etanol hidratado. No mesmo período de 2009, haviam sido 8,77 milhões de m3, observando-se, assim, queda de 5%. Já no caso da gasolina C, foram comercializados, de abril a outubro, 11,25 milhões de m3 em 2009 e 12,7 milhões de m3 em 2010, aumento de 12,94%.

Quando se olham os dados das sub-regiões do Centro-Sul (Centro-Oeste, Sudeste e Sul) divulgados pela Agência, observa-se que houve aumento nas vendas de gasolina C e queda nas de etanol hidratado combustível em todas elas.

Por sua vez, focando-se a análise em estados do Centro-Sul, tem-se aumento de consumo de etanol hidratado no Paraná (20,5%), Goiás (13,6%) e Mato Grosso (6,9%), e queda em todos os demais estados (MG, SP, RJ, ES, MS, SC, RS) – os preços maiores neste ano, relativamente ao anterior, levaram à perda de competitividade do etanol frente à gasolina em alguns estados do Centro-Sul ao longo da safra. À medida que a frota flex cresce, também aumenta o grau de substituibilidade entre o combustível fóssil e o renovável.

Curiosamente, no estado de São Paulo, maior produtor nacional, houve uma pequena redução do consumo de etanol hidratado (-1%) relativamente ao ano anterior, considerando-se o período de abril a novembro. Isso ocorreu mesmo com o preço competitivo em relação ao da gasolina ao longo de toda a safra – toma-se como base o diferencial de rendimento de 70% – e de ter havido aumento da frota flex.

Diante desses dados, algumas questões são suscitadas: os maiores preços do etanol neste ano, relativamente ao passado, poderiam ter levado a um menor uso da mistura “rabo de galo”, motivando a queda do consumo de hidratado e aumento do consumo de gasolina C? Se isso ocorreu, o efeito é suficientemente grande para compensar o crescimento esperado em função do aumento da frota flex? Outros fatores poderiam estar contribuindo para a queda do consumo de etanol, como o aumento do uso do GNV (muito freqüente em táxis) pela queda de seu preço? Por último, questiona-se se o diferencial de rendimento da gasolina e etanol hidratado tido em consideração pelos proprietários dos carros flex na hora de abastecer é mesmo 70%.

O ano se encerra com recuperação dos preços para o segmento de etanol – no comparativo com os três anos-safra anteriores – e com perspectivas de que a variação sazonal continue diminuindo, o que reflete a reestruturação do setor em curso nos últimos anos. Com isso, deve ser garantida também a remuneração da atividade.

Em dezembro, o Indicador CEPEA/ESALQ mensal do anido foi de R$ 1,2018/litro, ligeiro aumento de 1,4% sobre o de novembro. Para o hidratado, a média foi de R$ 1,0751/litro, alta de 7,4% frente ao período anterior.

Equipe: Dra. Mirian R. Piedade Bacchi, Msc. Ivelise Rasera Bragato, Dra. Lílian Maluf de Lima e Karine Vieira dos Santos.
Contato: cepea@esalq.usp.br

II - Séries Estatísticas Cepea
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III – Gráficos

CEPEA – AÇÚCAR
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CEPEA - ÁLCOOIS ANIDRO E HIDRATADO
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