I - Análise Conjuntural
AÇÚCAR
ANÁLISE CEPEA – Os preços do açúcar cristal seguiram em forte alta em outubro. No acumulado do mês, o Indicador CEPEA/ESALQ subiu fortes 12,32%, fechando a 74,48/saca de 50 kg no dia 29, o maior patamar nominal já visto, considerando toda a série do Cepea, iniciada em 1997. A média do Indicador em outubro foi de R$ 71,68/saca de 50 kg, 26% maior que a de setembro. Segundo pesquisadores do Cepea, o impulso continuou vindo da oferta relativamente menor que a demanda e das expressivas altas no mercado internacional.
De modo geral, em outubro, as negociações de açúcar cristal estiveram mais lentas no mercado spot. Isso porque, com o aumento dos preços internacionais do cristal, devido ao estoque restrito e à incerteza quanto à produção brasileira para a próxima safra, usinas brasileiras alavancaram as exportações, restringindo a oferta doméstica e elevando os preços. Cabe destacar que a oferta mundial está apertada (por conta de clima desfavorável em países produtores) ao passo que a demanda está elevada. Os problemas com os embarques do açúcar nos portos brasileiros também influenciam as cotações internacionais em outubro.
Conforme cálculos do Cepea, as vendas de açúcar no mercado externo remuneraram cerca de 10% mais que as vendas domésticas em outubro (considerando-se: o valor médio do Indicador CEPEA/ESALQ, o vencimento Dezembro/10 na Bolsa de Londres, um desconto de qualidade estimado em US$ 25,20/t, e custos com elevação e frete de US$ 89,00/t).
Nos estados do Nordeste, em outubro, o Indicador Mensal do Açúcar Cristal CEPEA/ESALQ de Alagoas foi de R$ 72,63/saca de 50 kg, forte alta de 22,41% sobre o de setembro. Em Pernambuco, o Indicador Mensal foi de R$ 71,16/sc, elevação de 14,84%.
Segundo dados da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), de 1º de abril a 16 de setembro, foram moídas 417,20 milhões de toneladas de cana da safra 2010/11 na região Centro-Sul, volume 19,5% superior ao mesmo período da safra 2009/10 (349,02 milhões). O Açúcar Total Recuperável (ATR) ficou em 140,31 kg/t, 6,4% acima do obtido no ano passado (131,86 kg/t). A produção de açúcar chegou a 25,13 milhões de toneladas, 31,8% superior à do ano passado, com 19,06 milhões.
De acordo com a trading britânica Czarnikow, as expectativas iniciais de aumento na oferta em 14,8 milhões de toneladas de açúcar para o ano-safra 2010/11 (início 1º de outubro) não devem se concretizar devido às condições climáticas adversas em muitas regiões de cultivo. Ocorreram estiagens fortes no Brasil e na Rússia e inundações no Paquistão e na Índia. Agora, na Austrália, as fortes chuvas no início de outubro interromperam a entrega e, consequentemente, o processamento de cana nas principais regiões. Essas condições climáticas devem fazer com que 80% do crescimento mundial da produção fique a cargo do Brasil e da Índia, tornando o mercado vulnerável.
E, nestes países, os estoques devem continuar baixos, o que faz com que, provavelmente, não continuem com tanta força no mercado internacional, para garantir o abastecimento do mercado doméstico e exportações já programadas.
Quanto às exportações, segundo dados da Secex, os embarques brasileiros de açúcar bruto (VHP) totalizaram 2,38 milhões de toneladas em setembro, crescimento de 7,6% sobre agosto (2,21 milhões) e de 26% em relação a setembro/09 (1,88 milhão). De açúcar branco, foram embarcadas 969,7 mil toneladas no mês passado, queda de 4,4% sobre o volume de agosto (1,01 milhão) e aumento de 46% frente a setembro/09 (665,5 mil).
Equipe: Dra. Heloisa Lee Burnquist, Bel. Mariana M. O. Pessini e Bel. Kíssia Soares Guaitoli.
Contato: cepea@esalq.usp.br
ETANOL
ANÁLISE CEPEA – Os preços do etanol no mercado paulista seguiram firmes ao longo de outubro, com certa estabilidade no final da segunda quinzena do mês.
De modo geral, distribuidoras consultadas pelo Cepea não estiveram muito ativas no mercado no correr do mês, visto que já haviam se abastecido em períodos anteriores. Agentes de distribuidoras apontaram certa dificuldade nas vendas do hidratado, devido à resistência do consumidor ao patamar de preços vigente. Usinas, por sua vez, seguiram firmes em suas ofertas, mesmo no início do mês, quando há necessidade em se “fazer caixa” para as despesas do período.
Em outubro, os Indicadores mensais de etanol tiveram fortes altas no estado de São Paulo quando comparados aos de setembro. O Indicador CEPEA/ESALQ do anidro foi de R$ 1,1732/litro (sem impostos) em outubro, alta de 12,8% frente ao de setembro. O Indicador mensal CEPEA/ESALQ para o hidratado subiu 9,1% no período, com média de R$ 0,9777/litro (sem impostos).
Em Alagoas e em Pernambuco, os preços dos etanóis subiram em outubro, devido à maior remuneração do açúcar e ao aumento da demanda pelo etanol nos estados do Nordeste. Em Alagoas, o Indicador CEPEA/ESALQ mensal do hidratado foi de R$ 1,0625/litro (com impostos, exceto ICMS) em outubro, aumento de 2,8% em relação ao de setembro. Em Pernambuco, o Indicador do hidratado foi de R$ 1,0698/litro, alta de 2,5% sobre o mês anterior. Quanto ao anidro, em Alagoas, o Indicador foi de R$ 1,3023/litro e, em Pernambuco, de R$ 1,3223/litro (ambos com impostos), altas de 4,6% e de 5,4%, nessa ordem.
Em relação à paridade de preços entre os produtos do setor sucroalcooleiro no estado de São Paulo, cálculos do Cepea mostraram que o açúcar cristal remunerou 81% a mais que o etanol anidro e 107% a mais que o hidratado em outubro. Comparando-se os dois tipos de etanol, o anidro remunerou 13% a mais que o hidratado. Em outubro, o preço do álcool anidro combustível recebido pelo produtor representou 18,12% do preço da gasolina C vendida ao varejo, no estado de São Paulo.
Quanto ao andamento da safra 2010/11 na região Centro-Sul, dados da Unica indicam que, na 1ª quinzena de outubro, o processamento de cana-de-açúcar foi de 26,1 milhões de toneladas. Naquele período, foram produzidos 842,5 milhões de litros de hidratado (queda de 19,9% frente ao mesmo período da safra anterior) e 417 milhões de litros de anidro (13,6% a menos), somando 1,26 bilhão de litros. De açúcar, somaram-se 1,5 milhão de toneladas na primeira de outubro.
No acumulado da safra, foram moídas 470,68 milhões de toneladas na região Centro-Sul, crescimento de 13,6% frente ao mesmo período da última temporada. De etanol, foram produzidos 21,6 bilhões de litros – 15,7 bilhões de hidratado e 5,8 bilhões de anidro – e 28,6 milhões de toneladas de açúcar. O mix de produção continua favorável ao combustível, com 55,13% da cana destinada ao etanol e 44,87% ao açúcar.
Em outubro, as exportações brasileiras de etanol totalizaram 266 milhões de litros, aumento de 51,1% sobre o volume de setembro; em valores, a exportação de outubro correspondeu a US$ 108,9 milhões – dados da Secex.
De modo geral, em alguns estados brasileiros, o etanol perdeu a competitividade em relação à gasolina C – considerando-se o patamar de preço do etanol equivalente a até 70% do preço da gasolina. Segundo dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), o etanol esteve vantajoso em apenas 12 estados brasileiros no período de 3 a 9 de outubro. Em 15 outros estados, o etanol não foi competitivo – vale lembrar que, nesses estados, a gasolina C é quase sempre vantajosa em relação ao etanol. Em São Paulo, a relação média entre o etanol e a gasolina C passou de 59,37% para 62,19% no início do mês.
Equipe: Dra. Mirian R. Piedade Bacchi, Msc. Ivelise Rasera Bragato, Dra. Lílian Maluf de Lima e Karine Vieira dos Santos.
Contato: cepea@esalq.usp.br
II - Séries Estatísticas Cepea
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III – Gráficos
CEPEA – AÇÚCAR
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CEPEA - ÁLCOOIS ANIDRO E HIDRATADO
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