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Documento da FAO e OCDE afirma que governo tirou prioridade do etanol após pré-sal

pre-sal 140714O governo ainda reluta em admitir, mas documento distribuído para o mundo por agência da ONU afirma que a descoberta do pré-sal fez o etanol perder importância
NovaCana 4 min de leitura
Documento publicado na última sexta-feira (11) em 24 línguas pela Agência das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) e pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) afirma aquilo que os governantes brasileiros ainda relutam em admitir: a descoberta do pré-sal atrapalhou o desenvolvimento do etanol no país.

O documento analisa ainda o impacto de dois cenários das políticas do governo com efeito direto sobre a lucratividade das usinas.

Veja a seguir as declarações sobre o etanol brasileiro no documento e os fatores levantados que provocaram a estagnação do setor.

Documento publicado na última sexta-feira (11) em 24 línguas pela Agência das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) e pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) afirma aquilo que os governantes brasileiros ainda relutam em admitir: a descoberta do pré-sal atrapalhou o desenvolvimento do etanol no país.

Segundo o relatório "OECD-FAO Agricultural Outlook 2014", o etanol "perdeu importância" com a descoberta e também com o desenvolvimento do pré-sal. "A prioridade que o governo deu ao etanol como uma fonte de energia interna ficou enfraquecida."

Na visão divulgada pela OECD-FAO, a relevância cada vez menor do renovável, somada a problemas com crédito, levaram o setor sucroalcooleiro ao fundo do poço, deixando-o estagnado e com investimentos reduzidos em projetos greenfield.

Lucro menor
Para as duas entidades, a lucratividade do etanol hidratado também foi afetada fortemente por preços mais atrativos do açúcar no mercado internacional e pela já citada política de controle de preços de combustíveis adotada pela Petrobras.

"Aqueles produtos que têm um peso maior no IPCA (Índice de Preços ao Consumidor), como o óleo diesel e especialmente o petróleo, tiveram seus preços controlados. Outros produtos, como a nafta e o querosene de aviação, que têm um peso menor no índice de inflação, estão sujeitos a reajustes mais frequentes", contextualiza.

Controle do governo
O relatório também lembra que a lucratividade das usinas é afetada a medida em que a política de controle de preços é mantida.

Se desde 2006 a Petrobras não tivesse adotado uma política para controlar o preço da gasolina e evitar a inflação, os ganhos do setor sucroalcooleiro poderiam ter sido muito maiores.

No Paraná e em São Paulo, por exemplo, o preço do etanol hidratado seria 61% maior em setembro de 2013, o que daria mais competitividade às usinas.

No documento, os organismos internacionais simulam dois cenários: o primeiro mostra a partir de que preço da gasolina a venda do hidratado seria economicamente viável, enquanto o segundo aponta qual seria o valor do renovável caso o preço do fóssil no Brasil seguisse as variações do petróleo bruto no mercado internacional. As projeções apresentam diferentes números para as áreas "tradicionais" (São Paulo e Paraná) e de "expansão" (Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso).

Para o renovável ser viável, a gasolina deveria custar R$ 2,81 em São Paulo e no Paraná, e R$ 3,10 nos demais estados.

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A segunda tabela considera os preços para a gasolina que seriam compatíveis com o petróleo bruto no mercado internacional, se os combustíveis no Brasil não tivessem sido usados para controlar a inflação.

Considerando que a Petrobras tivesse adotado uma política, desde 2006, de relação direta entre o preço do combustível fóssil e as cotações internacionais, a gasolina custaria em setembro de 2013 R$ 4,21 nas áreas tradicionais e R$ 4,44 nas regiões de expansão. Os preços são 61% e 51% maiores do que os praticados.

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"Estes resultados sugerem claramente, de um lado, que os controles de preço do petróleo têm contribuído para conter a inflação, mas por outro, eles têm reduzido severamente a lucratividade da indústria de cana", afirma o documento.

A OECD-FAO diz, contudo, que é "é difícil julgar se a liberação total dos preços do petróleo no Brasil resultariam num consumo maior do hidratado porque a oferta deste também depende da volatilidade dos preços do açúcar".

O documento de 329 páginas pode ser acessado na íntegra aqui.

Leonardo Siqueira – NovaCana
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