NovaCana

Exportações brasileiras de etanol estão em risco com proposta da EPA que vazou

exportacao-terminal-alcool-aereoA indústria brasileira de etanol recebeu uma notícia negativa nos últimos dias com o vazamento da proposta inicial da EPA sobre o mercado dos EUA
NovaCana 5 min de leitura
A proposta em discussão nos Estados Unidos quer reduzir o volume de mistura obrigatória de biocombustíveis em 2014, o que pode fazer com que as importações americanas de etanol de cana caiam para menos da metade do volume atual.

Veja a seguir qual pode ser o mercado de exportação para as usians brasileiras no ano que vem, e mais:
- A opinião das consultorias FCStone e Datagro
- O sentimento da Unica sobre o tema

A indústria brasileira de etanol recebeu uma notícia negativa nos últimos dias com o vazamento da proposta inicial da EPA sobre o mercado dos EUA. A proposta em discussão nos Estados Unidos quer reduzir o volume de mistura obrigatória de biocombustíveis em 2014, o que pode fazer com que as importações americanas de etanol de cana caiam para menos da metade do volume atual.

A notícia de que a Agência de Proteção Ambiental americana (EPA) pudesse reduzir os volumes obrigatórios provocou uma forte reação do setor americano de etanol de milho. Mas os maiores prejudicados talvez venham a ser os produtores brasileiros, como a Raízen, e as traders internacionais, como a Shell e a Vitol. Estas empresas vêm registrando um boom em suas operações de comércio exterior, graças ao tratamento de biocombustível avançado conferido pelas regulamentações da EPA ao etanol de cana.

O documento da EPA, ainda não concluído, pede a adição de 2,21 bilhões de galões de biocombustíveis avançados na matriz de combustíveis em 2014. Nesta categoria enquadram-se o etanol de cana brasileiro, o biodiesel de soja e o óleo de cozinha reciclado. É menos do que os 2,75 bilhões de galões estipulados para 2013 e uma redução ainda maior em relação aos 3,75 bilhões de galões de mistura de etanol exigidos pela lei de 2007.

De acordo com a proposta, 1,28 bilhão de galões (do total de 2,21 bilhões de galões) terão de corresponder a biodiesel, mesmo volume estipulado para este ano.

Porém, como o biodiesel possui teor energético maior, as distribuidoras recebem 1,5 crédito de mistura por galão de etanol adicionado, em vez de apenas um. Esses créditos são exigidos como prova de que os galões foram misturados, e podem ser usados para cumprir a meta total de "avançados".

Como resultado, 1,92 bilhão de créditos poderão ser gerados com biodiesel na categoria de "avançados", deixando pouco (e disputado) espaço para importações de etanol de cana do Brasil: pouco menos de 300 milhões de galões.

"O documento aponta sinal vermelho para as exportações brasileiras de etanol em 2014", disse o analista Renato Dias, da INTL FCStone, à agência Reuters.

Para fins de comparação, a EPA declarou que seriam necessários 666 milhões de galões de etanol de cana brasileiro para cumprir o requisito de biocombustíveis avançados em 2013.

Os Estados Unidos costumam responder por 80% das exportações brasileiras de etanol.

Outros países latino-americanos, que lutam para aumentar a produção de etanol destinado a uso doméstico e exportação, podem interpretar a ação da EPA como um "sinal vermelho", segundo Plinio Nastari, presidente da Datagro, consultoria especializada em açúcar e etanol.

"Será algo lamentável para todos os países que estão desenvolvendo mercados de etanol, não só para o Brasil", afirmou.

Esperança e alívio

Por enquanto, pelo menos, a meta obrigatória de etanol mantém-se indefinida.

Em nota divulgada na última sexta-feira, a diretora geral da EPA, Gina McCarthy, declarou que a agência ainda não concluiu suas metas de mistura de biocombustíveis para 2014. No entanto, ela também não contestou a autenticidade da anteproposta obtida pela Reuters.

A União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) suspirou aliviada com a declaração de McCarthy.

"Os produtores brasileiros de etanol de cana ficaram contentes com a confirmação da diretora McCarthy de que as decisões quanto à Norma para Combustíveis Renováveis 2014 não são definitivas", declarou Leticia Philips, representante da Unica para a América do Norte.

"Acreditamos que as metas definitivas da EPA para os biocombustíveis avançados levarão em conta e ajudarão a fomentar o enorme crescimento que vem ocorrendo nesta indústria", acrescentou.

Graças em grande parte às misturas obrigatórias de etanol nos EUA, e a uma lei da Califórnia que incentiva o uso do combustível, as exportações de etanol de cana do Brasil vêm crescendo nos últimos anos.

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), até setembro as exportações brasileiras de etanol em 2013 totalizaram 605 milhões de galões, um aumento de 27% em relação aos 476 milhões de galões exportados no mesmo período do ano passado.

No entanto, as exportações começaram a perder fôlego nos últimos meses. Em setembro foram 78 milhões de galões enviados para os EUA, redução considerável em vista dos 128 milhões de galões exportados em agosto e dos 127 milhões de galões embarcados em setembro do ano passado, de acordo com os mesmos dados.

Até o momento, as três maiores importadoras de etanol para os EUA em 2013 foram o braço comercial da gigante europeia Shell, o banco de investimentos Morgan Stanley e a trader suíça Vitol, segundo dados da Administração de Informações Energéticas dos EUA.

As planilhas completas da exportação brasileira de etanol podem ser conferidos aqui.

Cezary Podkul e Fabiola Gomes (Reuters)

Tradução e adaptação: NovaCana
Compartilhar: