Especialista do banco analisa as alterações recentes no mercado de combustíveis e suas consequências a curto e longo prazos
Nos últimos meses, diversos fatores mexeram com o mercado de combustíveis: o teto do ICMS de 18%, a lei que demanda uma tributação competitiva para biocombustíveis, dois anúncios de redução do preço da gasolina pela Petrobras – sendo um de 4,9% e outro de 3,9% – e o adiamento do cumprimento das metas do RenovaBio por parte das distribuidoras.
Apesar disso, nada deve mudar em relação à sazonalidade dos preços do etanol. Para o chefe da área de pesquisa setorial do Rabobank Brasil e especialista no setor sucroenergético, Andy Duff, é quase uma certeza que o preço do biocombustível deve começar a subiu no último trimestre deste ano, com a chegada da entressafra.
Ele ainda relembra que, pelo menos de acordo com as regras atuais, os impostos federais voltarão a incidir tanto sobre a gasolina quanto sobre o etanol a partir de 1º de janeiro de 2023.
“A soma desses fatores deve trazer um aumento significativo no preço na bomba para a gasolina e em menor grau para o etanol, já que o valor dos impostos é mais elevado no caso da gasolina”, destaca Duff no podcast do banco, chamado Foco no Agronegócio. As circunstâncias criam uma vantagem competitiva para o renovável: “Sem dúvida, esses fatores devem pesar nas deliberações das estratégias de comercialização do etanol nas usinas”.
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Nos últimos meses, diversos fatores mexeram com o mercado de combustíveis: o teto do ICMS de 18%, a lei que demanda uma tributação competitiva para biocombustíveis, dois anúncios de redução do preço da gasolina pela Petrobras – sendo um de 4,9% e outro de 3,9% – e o adiamento do cumprimento das metas do RenovaBio por parte das distribuidoras.
Apesar disso, nada deve mudar em relação à sazonalidade dos preços do etanol. Para o chefe da área de pesquisa setorial do Rabobank Brasil e especialista no setor sucroenergético, Andy Duff, é quase uma certeza que o preço do biocombustível deve começar a subiu no último trimestre deste ano, com a chegada da entressafra.
Ele ainda relembra que, pelo menos de acordo com as regras atuais, os impostos federais voltarão a incidir tanto sobre a gasolina quanto sobre o etanol a partir de 1º de janeiro de 2023.
“A soma desses fatores deve trazer um aumento significativo no preço na bomba para a gasolina e em menor grau para o etanol, já que o valor dos impostos é mais elevado no caso da gasolina”, destaca Duff no podcast do banco, chamado Foco no Agronegócio. As circunstâncias criam uma vantagem competitiva para o renovável: “Sem dúvida, esses fatores devem pesar nas deliberações das estratégias de comercialização do etanol nas usinas”.
Além disso, ele ressalta que o mercado internacional de açúcar tem se mostrado bastante estável, mesmo com a turbulência dos mercados globais e apesar de todas as mudanças no mercado de etanol no Brasil.
“É esperado um mix relativamente açucareiro para a safra atual no Centro-Sul. Claro que tudo o que aconteceu recentemente tem um resultado imediato de diminuir a atratividade do etanol em comparação com o açúcar, mas vamos lembrar que um terço da safra já foi para a moagem”, destaca.
A expectativa é de que o primeiro trimestre de 2023 poderia ter preços interessantes para os combustíveis em geral e, também, para o etanol. “Com isso, quanto mais de açúcar acima das expectativas iniciais realmente poderia sair do Brasil como consequência de todos esses desenvolvimentos recentes? De 1,5 milhões a 2 milhões? Está longe de ser uma avalanche para surpreender o mercado”, completa.
Os impactos de curto prazo
Duff também avalia a evolução dos preços dos combustíveis nas bombas dos postos brasileiros a partir do sancionamento do PLP 18/2022, que estabeleceu o teto de 17% a 18% (a depender do estado) no ICMS dos combustíveis e também suspendeu os impostos federais, PIS/Cofins e Cide até o fim deste ano.
O chefe da área de pesquisa observa, a partir de dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que o preço médio da gasolina em São Paulo (SP) caiu 15% entre 23 de junho, quando o projeto foi sancionado, e 16 de julho, indo de R$ 7,04 por litro para R$ 6/L. No mesmo comparativo, o etanol saiu de R$ 4,62/L para R$ 4,17/L, queda de 10%.
Em Belo Horizonte (MG), por sua vez, a redução para a gasolina foi de 23%, enquanto para o etanol foi de 7%. Já considerando a média nacional, o combustível fóssil saiu de R$ 7,39/L para R$ 6,07/L, baixa de 18%, e o biocombustível passou de R$ 4,87/L para R$ 4,41/L, diminuição de 10%.
“As reduções de preço foram maiores para a gasolina, pois em vários estados o ICMS para a gasolina era bem maior do que 18%, enquanto o do etanol era menor ou até abaixo de 17% ou 18%, como em São Paulo. Assim o etanol acabou perdendo competitividade durante essas semanas”, destaca Duff.
Ainda assim, ele complementa que a chamada PEC dos Benefícios poderia corrigir essa distorção. O texto inclui uma verba para compensar os estados para efetivarem reduções do ICMS do etanol na mesma proporção das feitas para a gasolina, restabelecendo vantagens do imposto que os biocombustíveis tinham antes das mudanças.
“Especialmente em estados como São Paulo, Minas Gerais e Goiás, o ICMS de hidratado deve ser reduzido daqui para frente. Em São Paulo, por exemplo, foi diminuído de 13,3% para 9,57%. Isso faz o hidratado na bomba mais barato e competitivo com a gasolina”, explica.
Para o analista, os governos estaduais têm espaço para baixar o ICMS do biocombustível e, com isso, restabelecer a proporcionalidade que existia entre o imposto da gasolina e o do renovável, ajudando em sua competitividade na bomba e nos volumes de venda.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana