Estado norte-americano intensificará as discussões públicas no próximo mês e pode dar empurrão para o etanol produzido pelas usinas brasileiras
Com dificuldades para alcançar suas metas de redução de emissões e enfrentando forte crítica das petroleiras e das usinas de etanol norte-americanas, o governo da Califórnia deve aprovar, ainda este ano, alterações no Padrão de Combustíveis de Baixo Carbono (LCFS, na sigla em inglês).
Após uma emblemática batalha jurídica com a POET, um dos maiores produtores de etanol de milho do país, a Corte de Apelações do Quinto Distrito da Califórnia determinou que o governo do estado...
Com dificuldades para alcançar suas metas de redução de emissões e enfrentando forte crítica das petroleiras e das usinas de etanol norte-americanas, o governo da Califórnia deve aprovar, ainda este ano, alterações no Padrão de Combustíveis de Baixo Carbono (LCFS, na sigla em inglês).
Após uma emblemática batalha jurídica com a POET, um dos maiores produtores de etanol de milho do país, a Corte de Apelações do Quinto Distrito da Califórnia determinou que o governo do estado reavaliasse os impactos ambientais do LCFS - até então em curso - e permitisse uma avaliação pública de temas controversos, como a intensidade de carbono (CI) atribuída ao etanol, tanto de milho quanto de cana, com base no uso indireto de terras (ILUC, na sigla em inglês).
Uma audiência pública, prevista para o dia 19 de fevereiro, irá debater as sugestões propostas pelo Air Resources Board (ARB). A partir destas discussões, uma nova reunião será realizada em julho, quando serão feitos ajustes no LCFS. A expectativa do governo é que as alterações entrem em vigor a partir de 1o janeiro de 2016.
Se aprovadas, as mudanças, que visam, entre outros objetivos, “estimular investimentos na produção de combustíveis de baixo CI”, devem melhorar o caminho do etanol brasileiro.
Mais espaço
De acordo com o gerente da área de combustíveis alternativos do ARB, John Curtis, as alterações, se aprovadas pelo conselho, resultarão em uma nova metodologia para estimar o CI de todos os combustíveis.
Por telefone, o executivo esclareceu ao NovaCana que “não foi estabelecido um limite para as importações de etanol de cana-de-açúcar ou etanol 2G” e que “o mercado é quem definirá isso”. Mesmo com a inclusão de novos parâmetros que tendem a aumentar a intensidade de carbono dos combustíveis, tornando-os menos atrativos, o etanol de cana deverá apresentar um nível de CI competitivo se comparado com o concorrente de milho, adiantou.
Em um ponto de controvérsia, especialmente entre as usinas americanas, o ILUC passará a ser somado juntamente com as emissões diretas dos combustíveis, aumentando seu CI. Na revisão do LCFS, o etanol de cana teve o ILUC reduzido de 46 gCO2/MJ para 11.8gCO2/MJ. Para o etanol de milho, o valor proposto é de 20gCO2/MJ, ante um ILUC de 30gCO2/MJ. O etanol celulósico terá um ILUC zero.
Os documentos e propostas que serão discutidas nas próximas reuniões do ARB, estão acessíveis aqui.
Leonardo Siqueira - NovaCana