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Etanol ou açúcar? As escolhas dos estados do Centro-Sul de acordo com o ATR disponível

Dados de ATR e de mix exaltam diferenças na produção da região e demonstram possibilidades de melhora em cada estado

NovaCana 8 min de leitura

A produção de cana-de-açúcar no Centro-Sul tem passado por altos e baixos; mais baixos do que altos, inclusive. O resultado da safra 2018/19 foi o menor desde 2015/16 – quando o setor registrou recordes de moagem – e a expectativa para a temporada que iniciou em abril não é muito diferente.

Para as estimativas e divulgações de desempenho, a região é frequentemente observada como um todo. Porém, as peculiaridades de cada estado ou mesorregião podem ser determinantes quando o objetivo é examinar o potencial da produção brasileira. Em um país com proporções continentais, o que acontece no Espírito Santo provavelmente é bem diferente dos resultados de Goiás, por exemplo. Mesmo que nove estados componham o Centro-Sul, agrupá-los, às vezes, elimina detalhes importantes.

Um exemplo dessas diferenças diz respeito à quantidade de açúcares totais recuperáveis (ATR) por tonelada de cana produzida, valor que foi calculado pelo NovaCana de acordo com as produções de açúcar e etanol dos estados em um coeficiente determinado pelo Conselho dos Produtores de Cana-de-açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo (Consecana-SP).

Outro indicador que demonstra as peculiaridades dos estados do Centro-Sul é o mix de produção. A escolha sobre o direcionamento da matéria nas últimas safras – excluídas as diferenças da quantidade de cana produzida em si – demonstra a capacidade de flexibilização de cada região produtora, o que pode ter um retorno direto nos lucros.

Confira, na versão completa, o comparativo do ATR por tonelada de cana e o histórico do direcionamento do mix nos estados do Centro-Sul nas últimas safras.

A produção de cana-de-açúcar no Centro-Sul tem passado por altos e baixos; mais baixos do que altos, inclusive. O resultado da safra 2018/19 foi o menor desde 2015/16 – quando o setor registrou recordes de moagem – e a expectativa para a temporada que iniciou em abril não é muito diferente.

Para as estimativas e divulgações de desempenho, a região é frequentemente observada como um todo. Porém, as peculiaridades de cada estado ou mesorregião podem ser determinantes quando o objetivo é examinar o potencial da produção brasileira. Em um país com proporções continentais, o que acontece no Espírito Santo provavelmente é bem diferente dos resultados de Goiás, por exemplo. Mesmo que nove estados componham o Centro-Sul, agrupá-los, às vezes, elimina detalhes importantes.

Um exemplo dessas diferenças diz respeito à quantidade de açúcares totais recuperáveis (ATR) por tonelada de cana produzida, valor que foi calculado pelo NovaCana de acordo com as produções de açúcar e etanol dos estados em um coeficiente determinado pelo Conselho dos Produtores de Cana-de-açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo (Consecana-SP).

Em 2018/19, dentre os estados do Centro-Sul, Mato Grosso se destacou com o índice chegando a 199,5 kg/t – sendo que a média estava em 137,87 kg/t. O estado teve a sexta maior produção de cana da região, mas a qualidade da matéria-prima fez com que seu rendimento disparasse, ficando 44% acima da média.

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No outro extremo está o Rio Grande do Sul, com 93,86 kg/t, 31,4% abaixo da média. Junto a ele, os outros estados que ficaram abaixo da média foram Espírito Santo, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul. Este último, inclusive, teve a quarta maior produção de cana da região, porém, aparentemente, a qualidade baixa da matéria-prima levou a um rendimento produtivo aquém do esperado.

Incrementando o ATR e a produtividade

Para os produtores, sempre há o questionamento de como fazer a cana-de-açúcar render mais. Enquanto há algumas práticas que possam melhorar o ATR, o clima é uma das principais influências, fugindo do controle humano.

Na safra passada, por exemplo, o tempo seco e com temperaturas mais amenas, observado no fim do segundo trimestre, favoreceu a elevação, mesmo que parcial, dos níveis de ATR na planta.

Na contramão, um pouco antes, as chuvas acima da média tinham reduzido a produtividade do ATR. Considerando as variações entre os estados, as diferenças climáticas podem ter bastante influência no total produzido em uma safra.

Já em relação ao que os produtores podem fazer para melhorar sua produtividade de forma efetiva, o investimento em novas variedades de cana – e, especialmente, em variedades mais novas – pode ser uma saída.

Em um estudo sobre a intenção de plantio na safra passada, realizado pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC) por meio de uma pesquisa com usinas e destilarias no Centro-Sul, é possível ver como cada estado investiu em variedades e como isso pode ter influenciado – positiva ou negativamente – a produtividade.

Mato Grosso, por exemplo, concentrou a renovação do campo na variedade CTC4, que, com sete anos de registro, é conhecida por estar bem adaptada à mecanização, ser estável e garantir maior produtividade.

Já Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso do Sul, cujos rendimentos foram bem próximos da média da região, investiram principalmente na RB867515, que já possui mais de 20 anos de cruzamento, não se adaptou bem à mecanização e já não tem a mesma produtividade – mesmo que ainda seja predominante no Centro-Sul. Escolhas assim influenciam nos resultados.

Além disso, o interesse no aumento da produtividade está relacionado ao fato de que ela poderia afetar a alavancagem operacional, diluindo os custos do campo. O economista e gestor de projetos do Pecege, Haroldo José Torres da Silva, explica, em estudo, que a produtividade média dos canaviais está bem abaixo da esperada, em torno de 72 t/ha, enquanto algumas usinas operam acima de 100 t/ha.

A mecanização, com o pisoteamento da soqueira e a compactação dos solos; a expansão para regiões como o Cerrado, que possui um ambiente de produção mais restrito; e o endividamento elevado das usinas, impedindo novos investimentos em renovação do canavial e, consequentemente, elevando sua idade média, são fatores que diminuem a produtividade.

O estudo afirma que o principal desafio dos produtores é melhorar o rendimento do canavial, que está abaixo do recomendado. “Apesar da condição financeira difícil, o setor precisa manter os esforços para a redução de custos e ampliação da eficiência produtiva”, expressa.

Açúcar ou etanol?

Outro indicador que demonstra as peculiaridades dos estados do Centro-Sul é o mix de produção. A escolha sobre o direcionamento da matéria nas últimas safras – excluídas as diferenças da quantidade de cana produzida em si – demonstra a capacidade de flexibilização de cada região produtora, o que pode ter um retorno direto nos lucros.

Na média do Centro-Sul, o mix em geral é mais alcooleiro, com destaque para 2018/19, que teve 35,2% de sua produção destinada ao etanol. Goiás, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Mato Grosso e Espírito Santo são os estados que possuem as menores médias para o açúcar, ficando abaixo da média da região.

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São Paulo e Minas Gerais, dois dos maiores estados produtores, mantiveram-se próximos do número médio do Centro-Sul nas últimas quatro safras, enquanto o Paraná é o único estado com resultados mais açucareiros. Por outro lado, o Rio Grande do Sul não produziu açúcar nos últimos anos.

Dentre os estados do Centro-Sul, o Rio de Janeiro é o que teve a maior flexibilização entre os últimos anos – a diferença entre o menor e o maior números é de 12.326,9%. Já o que demonstrou a menor variação no mix foi São Paulo, com apenas 27,72% entre as últimas quatro safras. A grande diferença entre os dois extremos acontece, em grande parte, devido à escala produtiva do setor sucroenergético, que é muito maior em São Paulo em relação ao Rio de Janeiro.

De qualquer forma, a real capacidade de flexibilização das usinas – algumas realmente possuem dificuldades para fazer grandes mudanças no mix –, demonstra a capacidade de adaptações estratégicas da indústria, respondendo a mudanças nos mercados de açúcar e etanol.

Em 2018/19, por exemplo, o preço do açúcar estava muito baixo, e o etanol, especialmente o hidratado, teve uma valorização. Como resultado, o mix de produção do Centro-Sul bateu o recorde de mais alcooleiro.

Em uma pesquisa da Reuters realizada em agosto do ano passado, algumas usinas inclusive disseram ter paralisado suas instalações de açúcar, direcionando a totalidade da cana para a produção de etanol durante a temporada.

Como a situação não mudou muito neste início de safra, a expectativa é de que o cenário alcooleiro se repita, ainda que em menor medida. Inicialmente, havia uma expectativa de que a produção de açúcar seria impulsionada no Brasil, especialmente considerando que o excedente mundial da commodity não deve se repetir nesta safra.

Porém, essa expectativa não alavancou significativamente os preços, fazendo com que as usinas – ao menos por enquanto – retomassem as atividades em 2019/20 com estratégias similares às vistas no ano passado. Afinal, o etanol, que acompanha a alta do preço da gasolina nas bombas, segue rendendo mais que o açúcar para as usinas.

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Rafaella Coury – NovaCana

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