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[Atualizado] Foi dada a largada para a safra 2019/20 de cana-de-açúcar – estimativas de 24 empresas

Após a queda na moagem em 2018/19, a situação dos canaviais não mudou muito. O envelhecimento continua e o clima segue sendo determinante para o sucesso da produção. Ainda assim, há perspectivas mais positivas para a temporada atual

NovaCana 13 min de leitura

Atualização (22/05, às 15h): O texto completo foi alterado para incluir as estimativas de Conab, Alvean e Unica. Também foram atualizadas as estimativas do Tempocampo e da INTL FCStone.

A chuva é importante, porém, não pode ser excessiva. É assim que funcionam os canaviais, pelo menos em relação a desenvolvimento e produtividade. E são esses aspectos que as empresas e consultorias têm observado com mais afinco nos últimos meses, em busca de previsões para a safra 2019/20, que começou oficialmente no início de abril.

O sistema Tempocampo, que desenvolveu um indicador para expressar o efeito das condições meteorológicas nas culturas agrícolas, demonstra, em relatório, que a estiagem neste início de temporada pode ser prejudicial. No norte do Paraná e em algumas regiões dos estados de Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais, por exemplo, o armazenamento de água do solo não superou 45%, dificultando o bom desenvolvimento dos canaviais.

Por outro lado, “nas regiões sudeste de Mato Grosso e norte de Goiás, o armazenamento de água no solo manteve-se acima de 60%, indicando condições mais favoráveis para os canaviais da região”, afirma e completa: “O bom volume e a distribuição das chuvas em abril favoreceu o desenvolvimento da plantação, outrora penalizadas pelo veranico ocorrido entre o final de dezembro e a terceira semana de janeiro”.

Este cenário pode ser bom, já que está claro que a cana-de-açúcar precisa da chuva para crescer. Porém, o excesso de água intervém no nível de sacarose da planta e, consequentemente, no direcionamento do mix. No início de março, o diretor da Canaplan, Luiz de Carvalho, explicou que, quando chove mais, a planta converte sacarose em glucose e frutose. “[Esses açúcares] são mais conversíveis em etanol”, aponta.

Além disso, no começo da temporada, a chuva pode ser um empecilho maior por atrasar o crescimento do canavial, prejudicar a colheita e reduzir a produção. O mais recente relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicou que grandes usinas brasileiras atrasaram sua produção em pelo menos duas semanas, graças ao desenvolvimento tardio das plantações e ao alto estoque de etanol.

No mais recente levantamento do NovaCana, 23 companhias indicaram um resultado para a moagem da safra atual. A média, de 573,19 milhões de toneladas, ficaria apenas 0,02% acima do resultado oficial de 2018/19 – 573,07 milhões.

Porém, enquanto a estimativa média da moagem sofreu apenas uma pequena variação na comparação com a safra passada, o mesmo não pode ser dito em relação ao mix de produção.

Confira, na versão completa, os comentários das maiores consultorias e empresas especializadas do setor e suas estimativas para:

- Moagem total
- Produção de açúcar e de etanol
- Etanol anidro x hidratado
- Mix de produção
- Qualidade da cana-de-açúcar (kg ATR/t)
- ATR total da safra

Atualização (22/05, às 15h): O texto abaixo foi alterado para incluir as estimativas de Conab, Alvean e Unica. Também foram atualizadas as estimativas do Tempocampo e da INTL FCStone.

A chuva é importante, porém, não pode ser excessiva. É assim que funcionam os canaviais, pelo menos em relação a desenvolvimento e produtividade. E são esses aspectos que as empresas e consultorias têm observado com mais afinco nos últimos meses, em busca de previsões para a safra 2019/20, que começou oficialmente no início de abril.

O sistema Tempocampo, que desenvolveu um indicador para expressar o efeito das condições meteorológicas nas culturas agrícolas, demonstra, em relatório, que a estiagem neste início de temporada pode ser prejudicial. No norte do Paraná e em algumas regiões dos estados de Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais, por exemplo, o armazenamento de água do solo não superou 45%, dificultando o bom desenvolvimento dos canaviais.

Por outro lado, “nas regiões sudeste de Mato Grosso e norte de Goiás, o armazenamento de água no solo manteve-se acima de 60%, indicando condições mais favoráveis para os canaviais da região”, afirma e completa: “O bom volume e a distribuição das chuvas em abril favoreceu o desenvolvimento da plantação, outrora penalizadas pelo veranico ocorrido entre o final de dezembro e a terceira semana de janeiro”.

Este cenário pode ser bom, já que está claro que a cana-de-açúcar precisa da chuva para crescer. Porém, o excesso de água intervém no nível de sacarose da planta e, consequentemente, no direcionamento do mix. No início de março, o diretor da Canaplan, Luiz de Carvalho, explicou que, quando chove mais, a planta converte sacarose em glucose e frutose. “[Esses açúcares] são mais conversíveis em etanol”, aponta.

Além disso, no começo da temporada, a chuva pode ser um empecilho maior por atrasar o crescimento do canavial, prejudicar a colheita e reduzir a produção. O mais recente relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicou que grandes usinas brasileiras atrasaram sua produção em pelo menos duas semanas, graças ao desenvolvimento tardio das plantações e ao alto estoque de etanol.

Perspectiva de moagem para 2019/20

Em levantamento realizado pelo NovaCana, 23 companhias projetaram um resultado para a moagem da safra atual. Os números variaram entre 558,5 milhões – caso do Tempocampo – e 594 milhões de toneladas – na previsão da FG/A.

Apesar desta distância, a média das estimativas é de 573,19 milhões de toneladas, apenas 0,02% acima do resultado oficial de 2018/19, de 573,07 milhões. O valor ainda é 0,84% maior do que o observado no levantamento realizado em março, quando a média das projeções de oito empresas consultadas era 568,41 milhões.

estimativa elasticidade 15mai19

O analista Fábio Meneghin, da Agroconsult, cuja previsão de moagem figura entre as dez maiores, explica que a consultoria decidiu adotar uma “expectativa mais conservadora” neste momento, de 575 milhões de toneladas. Ainda assim, de acordo com modelos de projeção, a empresa acredita que a moagem tem potencial de chegar a 590 milhões de toneladas.

“É preciso levar em consideração que a idade média do canavial segue elevada, uma vez que a taxa de renovação continua abaixo do considerado ideal – e isso é uma limitação ao aumento da moagem”, Fábio Meneghin (Agroconsult)

Por outro lado, o sócio da FG/A, João Henrique Rissi – responsável pela maior estimativa de moagem para a safra –, espera uma área de corte bastante similar e considera que ocorreu uma melhora na idade média do canavial e na produtividade por corte. Assim, a produtividade média terá uma vantagem que repercutirá positivamente no resultado da safra.

estimativa evolução 15mai19

Já o sócio-diretor da Job Economia e Planejamento, Júlio Borges, argumenta que, no acumulado de 12 meses, a chuva no Centro-Sul ficou cerca de 12% abaixo do normal. Por isso, ele espera uma moagem um pouco menor que a da safra passada – 570 milhões de toneladas –, desde que o regime de chuvas até dezembro deste ano esteja na normalidade.

E Borges ainda acrescenta: “Cabe lembrar, neste contexto, que a área de cana no Centro-Sul não tem crescimento previsto, sendo que nas duas últimas safras ela reduziu”. Para ele, o resultado não será um desastre para a lavoura, como o esperado inicialmente. Ainda assim, ele acredita que, até o momento, as chuvas mais atrapalharam do que ajudaram.

estimativa moagem 15mai19

Para o analista de mercado da INTL FCStone, João Paulo Botelho, cuja estimativa está acima da média do levantamento, “as precipitações no começo de abril, que se estenderam até a primeira quinzena de maio, devem ter impactos significativamente positivos sobre o desenvolvimento dos canaviais, e negativos sobre a concentração de açúcares na cana”. Assim, a consultoria aumentou seus números em relação à projeção anterior e chegou à previsão de 574,2 milhões de toneladas para 2019/20.

O mesmo ocorreu com a Czarnikow que, entre sua primeira e segunda estimativas, aumentou a projeção de moagem em 2,4% – porém, seu número é o segundo menor do atual levantamento, junto a outras duas consultorias. O analista de mercado da empresa, Henrique Akamine, explica que a recente revisão das previsões, com aumentos em quase todas, se deu especialmente após as fortes chuvas vistas a partir de fevereiro.

info estimativas 15mai19

Para chegar ao número mais baixo deste levantamento, o Sistema Tempocampo pondera as simulações de produtividade com a área cultivada fornecida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) da safra 2018/19 e com o mapa de solos do Brasil. “Na sequência, as projeções são ajustadas com base nas informações geradas pelo Pecege, como: idade média dos canaviais por microrregião produtora, períodos de plantio predominantes e nível tecnológico dos canaviais”, afirma, em relatório.

Assim, sua projeção é que a produção de cana-de-açúcar do Centro-Sul em 2019/20 ficará entre 550 milhões a 567 milhões de toneladas, “considerando os cenários pessimista e otimista”.

Açúcar em crescimento, mas ainda baixo

As limitações do canavial, somadas aos atuais preços do açúcar e à alta demanda por combustíveis, podem indicar uma maior produção de etanol, especialmente neste início de safra. Ainda assim, uma pesquisa da Reuters confia na perspectiva de valorização do açúcar por causa da possibilidade de déficit global, o que pode acarretar em “um ligeiro incremento na alocação de matéria-prima para a produção do adoçante”.

Assim, enquanto a estimativa média da moagem sofreu apenas uma pequena variação na comparação com a safra passada, o mesmo não pode ser dito em relação ao mix de produção. A temporada 2018/19 foi encerrada com uma porcentagem baixa de matéria-prima sendo direcionada para o açúcar, apenas 35,2%, mas a perspectiva média para este ano é de 38%, um aumento de 2,8 pontos percentuais.

estimativa mix 15mai19

Por mais que seja esperado um acréscimo em relação à temporada passada, a porcentagem ainda estaria abaixo da média das últimas cinco safras, de 44%. A expectativa é que 2019/20 seja alcooleira, mas com uma intensidade menor que a vista em 2018/19.

“Uma coisa é certa: a competição por sacarose será mais acirrada do que nas safras anteriores. Se os preços da gasolina aumentarem mais do que o inicialmente previsto, o consenso no mercado é que os preços do etanol hidratado terão que aumentar para suprir a demanda”, Beatriz Pupo (Platts Analytics)

De qualquer modo, com esse maior direcionamento do mix para a commodity, a expectativa é que a produção de açúcar também aumente. Na comparação da média das estimativas com o resultado da safra anterior, o acréscimo seria de 7,9%, passando de 26,5 milhões de toneladas em 2018/19 para 28,59 milhões de toneladas em 2019/20.

estimativa acucar 15mai19

O número vai de acordo com a avaliação do diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Antonio de Padua Rodrigues. Para ele, as usinas devem fabricar entre 1,5 milhão a 2 milhões de toneladas a mais da commodity na temporada vigente, iniciada neste mês.

Dentre as 21 empresas ouvidas pelo NovaCana sobre o tema, o Departamento de Recursos de Agricultura e Água do governo da Austrália (Abares) é quem tem a maior estimativa para a produção de açúcar no Brasil: 33,9 milhões de toneladas. O valor é 14% superior ao da segunda maior estimativa, da Datagro, e 18,57% acima da média.

Em relatório, o Abares atrela este alto número à perspectiva de menores preços para o etanol e de depreciação do real. “Assumindo condições meteorológicas médias durante a safra, um aumento na exportação do açúcar brasileiro é esperado para compensar a diminuição nas vendas indianas”, o que seria um incentivo extra à produção, explica o documento.

A vez do etanol anidro

Com o mix pendendo um pouco mais para o açúcar e o consequente aumento na produção da commodity, a estimativa média é de menos etanol na safra 2019/20. Na comparação com a temporada anterior, espera-se uma queda de 6,17%, com a produção total passando de 30,95 bilhões para 29,04 bilhões de litros.

estimativa etanoltotal 15mai19

A trading SCA foi a responsável pela menor estimativa para o biocombustível dentre as 18 empresas pesquisadas, com 27,32 milhões de litros. O valor representaria uma queda de 9% entre a safra passada e esta, justamente devido ao maior direcionamento da matéria-prima para o açúcar.

Por outro lado, o analista Maurício Muruci, da Safras & Mercado, defende um forte crescimento na produção de etanol, sobretudo o hidratado, devido à demanda elevada e aos preços que devem continuar sendo competitivos, em função dos aumentos da gasolina. Assim, ele chegou à projeção de 33 bilhões de litros de biocombustível, 6,62% acima do resultado anterior e 13,63% acima da média das estimativas.

Em relação à divisão dos tipos de etanol, a média das estimativas das consultorias aponta uma redução para o hidratado e um aumento para o anidro. Na comparação com a temporada 2018/19, a variação é de -9,09% e 2,81%, respectivamente.

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A INTL FCStone, cujas estimativas de produção de hidratado e anidro estão na média das nove companhias pesquisadas, detalha essa visão. Em relatório, o analista de mercado João Paulo Botelho indica que a consultoria espera um recuo de 7% na produção de hidratado e um avanço de 5% na de anidro até o fim desta temporada.

“Os movimentos divergentes são resultado da perspectiva de que o etanol reduza sua participação no consumo de combustíveis do ciclo Otto, que deve apresentar avanço significativo em relação à demanda muito fraca registrada em 2018/19”, João Paulo Botelho (INTL FCStone)

Qualidade com pouca variação

Outros dois indicadores que tendem a cair na safra 2019/20 são os de açúcar total recuperável (ATR), seja por tonelada ou o volume total.

Em relação ao primeiro, todas as consultorias, exceto a Agroconsult e a Conab, esperam uma queda na comparação com a temporada anterior, quando o indicador chegou a 137,87 kg/t. A Archer, por exemplo, estima que o resultado seja de 136,95 kg/t devido ao aumento da idade média do canavial e da falta de tratos culturais.

estimativa atr 15mai19

A Copersucar espera um número ainda menor, entre 135 a 136 kg por tonelada de cana em 2019/20 – desde que o clima seja de normalidade ao longo da safra. Junto à da Job Economia, essa é a segunda menor estimativa para o dado. A previsão das chuvas, como visto anteriormente, tem grande influência nesse indicador.

É exatamente o clima que fez com que o Tempocampo chegasse ao menor número do levantamento: 129,81 kg/t. Comparando com a safra passada, tanto o cenário otimista quanto o pessimista sugeridos pelo sistema serão de queda, considerando as perdas nos canaviais de regiões-chave do Centro-Sul.

“Há coisas que pressionam a produtividade, que são o canavial envelhecido, a seca no verão, a redução de área e o potencial pior de ATR. Mas, empurrando para cima, temos as chuvas de março e abril e o atraso na moagem, que gera mais tonelada por hectare (posteriormente)”, Luiz Carlos Corrêa Carvalho (Canaplan)

Por sua vez, a Agroconsult estima um resultado de 140,9 kg/t em 2019/20. “Os índices de vegetação acumulados estão acima dos observados no ano passado, indicando um maior crescimento dos canaviais”, aponta, argumentando que eles foram beneficiados pelas chuvas recentes.

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“O volume de chuvas está acima da média histórica em praticamente todas as regiões que compõem o Centro-Sul (exceto SP), apesar do veranico observado entre dezembro e janeiro”, detalha a consultoria. Como a previsão é de continuidade das chuvas, pelo menos até abril, as expectativas para o ATR são altas, e as maiores do levantamento.

Rafaella Coury – NovaCana

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